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20/02/2019 às 15:36h

A fala

Facebook

A expressão maior da comunicação é a palavra pronunciada! A “Teoria da Linguagem” informa que tudo que possa modificar nosso comportamento é linguagem. Assim sendo um gesto, uma construção, um som, uma sensação de frio ou calor e até mesmo uma planta pode ser objeto de linguagem quando suficientemente notável para que possamos, a partir dos cinco sentidos, agir de uma forma diferenciada.

Mas nada supera o poder da fala. O pronunciar da voz aliado a expressão facial, o tom que se usa, um gesto que acompanha adornam a palavra falada.

Se se pensa em algo que comunica com eficácia é a fala.

Contudo agora, em tempos modernos onde comunicamos com memes, emojis, e palavras escritas de forma abreviadas, parece que muito rapidamente o uso da fala pronunciada está desgastado. Parece que há uma certa falta de habilidade no uso desta forma de linguagem. Tanto é verdade que as expressões procuram ser muito dramáticas. Penso que a justificativa está na facilidade que se tem em expressar muito em apenas um emoji. Um “joinha” numa conversa de whatsapp traduz uma frase inteira que poderia se falada. E assim ocorre quando se tenta falar: as pessoas querem resumir suas falas ao mínimo, e assim pronunciam coisas que nem sempre são as mais adequadas. Daí pondero outra questão. A falta de vocabulário. Os emojis e memes são em grande número e cada um deles servem para expressar várias coisas conforme um determinado contexto. Já as palavras são mais específicas e necessitam ser melhor garimpadas antes de se pronunciar. Com um vocabulário escasso pode ser que se pronuncie precariamente.

Sendo assim identificamos algumas questões: a) opção pela linguagem de sinais em detrimento da fala; b) os sinais tem maior e melhor versatilidade de uso que a palavra; c) as palavras estão em escassez.

Daí surgem os textos curtos do twitter que se resumem a exatos 280 caracteres. Redes sociais que sequer expressam em palavras como o instagram. E facebook que é um misto de ambos: poucas palavras e uma foto. Isto apenas para citar os mais comuns.

Bom, qual o resultado destes acontecimentos? Uma comunicação precária. Justifico:

Quando se usa as imagens o receptor da mensagem a interpreta conforme melhor lhe aprouver e sempre de forma favorável a seu compreender. Mesmo que o interlocutor pretenda uma ofensa, mas faça uso de uma imagem inadequada ou de duplo sentido pode ser que não seja compreendido. Assim sendo geralmente as imagens utilizadas para as conversações não geram tantos entreveros como são geradas com as palavras escritas.

As palavras escritas são curtas e por pretenderem causar o mesmo imediatismo das fotos, no mais das vezes causa mais danos que o esperado. E até mesmo uma singela conversa pode levar a danos terríveis.

Esquecida, pois a palavra falada! Notemos que os áudios são pouco utilizados e sempre pretendem dar explicações mais precisas, alertar detalhes, preencher lacunas da compreensão.

Mas também a fala, como explicitei anteriormente tem causado dissabores: poucas palavras mal utilizadas são catástrofes do diálogo.

Penso que estamos, mesmo que vagarosamente, mas de forma muito sensível desprezando a palavra falada. Um risco para as comunicações futuras.

Ronaldo Galvão




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