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30/07/2019 às 20:54h

A mudnça da linguagem

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Quando a Enciclopédia Barsa ou a Delta Larousse eram os referenciais de pesquisa; quando a imaginação que desenhava as ruas de Paris as avenidas de Nova York; quando se adquiria conhecimento pela leitura dos clássicos, o ser humano era obrigado a ter um vocabulário muito mais diversificado. Todas as residências possuíam um Dicionário Aurélio ou outro equivalente.

O tempo passa e as coisas mudam. E com linguagem não foi diferente. As enciclopédias faliram e perderam lugar para o Google, os livros clássicos foram digitalizados e lê-se apenas fragmentos. Os dicionários desapareceram e o corretor ortográfico faz seu papel.

Resultado: diminuiu-se a quantidade de palavras no vocabulário das pessoas e a comunicação tornou-se mais simples. Palavras foram substituídas por emojis. Ou seja, estamos nos comunicando através de uma linguagem mais simples, as imagens. Já não mais perdemos tempo escrevendo longas cartas a amigos distantes. Simplificou-se muito. As palavras ficaram reduzidas a algumas letras apenas. Uma simplicidade que dispensa maiores recursos ou melhores elaborações no que pretendemos transmitir.

Interessante que nos tempos passados nos relacionávamos com um número pequeno de pessoas. Passávamos o dia com apenas uma ou duas dezenas de pessoas que tratávamos pessoalmente ou um ligações telefônicas. Hoje, falamos com pessoas diversas em grande número, conhecidas ou não, pelas redes sociais. Hora falamos diretamente com uma, noutros momentos falamos com um número maior de pessoas pelas redes sociais abertas. Ou seja, nos interagimos com até mesmo mais de mil pessoas diariamente! Uma postagem no instagram pode receber várias centenas de visualizações rapidinho, nos grupos de whatsapp conversamos com várias simultaneamente nos “grupos” que são criados indistintamente para todos os motivos.

O pequeno número de pessoas com que comunicávamos no passado dava-nos a oportunidade de elaborar melhor e ter uma comunicação de maior qualidade no que diz respeito ao vocabulário e descrição das ideias que se queria transmitir. Já hoje, dado o imenso número de interlocuções que fazemos, temos de ser breves até mesmo substituindo um grande texto por apenas uma imagem do nosso acervo de emojis. Notem que antes líamos as quase 2.000 páginas de Guerra e Paz de Liev Tolstoi e agora reclamamos dos “testões” do facebook. Algumas redes sociais não utilizam escrita e somente imagens. Noutra o número de caracteres é limitado.

Continuamos a comunicar, estamos transmitindo o pensamento, opiniões, sentimentos... mas de forma simples. Não recrimino esta forma que a linguagem tomou. Apenas penso que estas formas comunicativas do novo milênio vão fazer desaparecer algumas palavras e surgir novas formas de se expressar.

Mudanças assim não podem ser contidas. É um processo sem volta. No mínimo devemos nos adaptar e conviver com esta realidade que se impõe.

Como será o futuro? Não pretendo fazer aqui alguma previsão, mas é certo que mesmo que nós, os saudosistas, chamemos de precária a comunicação acontecerá através de novas linguagens.

E o mundo continuará a sobreviver.... adaptemos!


Ronaldo Galvão


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