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13/03/2019 às 08:00h

Feliz Ano Novo

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Se de fato “a voz do povo é a voz de Deus”, esta e a primeira semana do ano, já que dizem todos em um só brado retumbante que “o ano no Brasil se inicia após o carnaval”.

Pois bem, então teremos um ano curto! Pois mal termina o carnaval e os sítios, clubes, hotéis e outros pontos de descanso já estão com todos os planos do feriado de semana santa vendidos. Escrevi Semana Santa no minúsculo pois é assim que tem sido tratada a semana dedicada a preparação para a Páscoa. O leitor sabe o que significa Páscoa? Epifania do Senhor? Pentecostes? Sabemos bem que no Sábado de Aleluia encerra a Quaresma e alguns retomam as atividades alcoólicas tão logo findam as 12 badaladas do relógio (ou o celular indica, já que não se ouve mais os sinos badalarem).

Mas meu intuito aqui não é recriminar o distanciamento da religiosidade.

Quero tratar de tema mais confortável: o lazer! É bem verdade que a sociedade está com seus meios e métodos de produção otimizados para o mais fazer em menos tempo e esforço. É o que concluo vendo alguns aspectos: a) escreve-se pouco e entende-se muito, vejam que os livros clássicos não mais são lidos e as redes sociais de mínimas palavras são os grandes meios comunicativos; b) o saber acadêmico substituído pelo saber oriundo das redes virtuais; c) a experiência de vida profissional resumida a startups milionárias administradas por jovens, alguns até menores de 18 anos; d) trabalhos distantes das linhas de produção e alinhados aos conceitos de homeworking (trabalho em casa); para ficar somente nestas quatro mais evidentes.

Tudo isto no intuito de produzir muito ao mínimo esforço, para que se tenha tempo para mais lazer.

De fato não é de se esperar outra coisa. Os prazeres do ócio são cativantes. E em tempos de ócio criativo nada melhor que poder pensar, e produzir com o pensamento. A atividade de pensar e com ela reduzir processos, otimizar custos de produção, planejar antes de implantar são atos que, dentre outros, merecem o sossego do descanso para serem bem elaborados. Não estou a discutir a qualidade do que se produz nestes tempos livres. A qualidade pode ser tema para outra conversa nossa.

Mas com isto novos modelos de comportamento surgem e retomo o meu pensamento anterior onde firmo primeiramente que a leitura passou a ser minimizada e a escrita tem se tornado apenas mais um meio de comunicação. A escrita escorreita passa a ter papel secundário sendo substituída por uma forma de digitação (incluindo memes e emojis) que transmite uma informação de maneira minimamente suficiente para não se cansar o interlocutor com a leitura exaustiva de grandes textos. A linguagem agora deve obedecer aos critérios de também não se cansar o cérebro com palavras difíceis.

O segundo ponto que abordo é um saber mais desligado do acadêmico. Hoje a internet fornece todo o conhecimento necessário (ao menos é o que se pensa) para o mínimo existir e poder se estar na sociedade. Livros, consultas em bibliotecas já não mais são necessárias. Está tudo lá: na nuvem do saber ofertado pelo computador. Mais uma vez otimiza-se o tempo com um clic no computador. Sobra tempo para outras diversões.

O terceiro ponto é mais complicado já que tenho visto muitos alunos dizendo que estão na faculdade apenas para ter do diploma, mas que vão investir nas novas profissões. De certo importante acompanhar as inovações necessárias aos novos desejos sociais. Novos tempos, novas necessidades e novas pessoas para atenderem a esta demanda. A reviravolta dos novos operadores de profissões nunca antes imaginadas está acontecendo e devemos estar alinhados a este caminhar do mundo. Para subsidiar meu pensamento, chamo a atenção do leitor, que todas estas novas profissões tendem a poucas horas de trabalho e resolução de grandes questões. Sempre privilegiando o mínimo de tempo pelo máximo de conforto.

O quarto e último ponto que coloco é o trabalho em condições menos agressivas que no passado. Ioga, massagens, momentos de reflexão são comuns na atualidade das empresas alinhadas aos novos tempos. O trabalho não mais se liga ao objeto de tortura que lhe deu o nome. Tripallium era um tripé de madeira onde se assentava o herege para que, à medida que suas entranhas eram dilaceradas via anal, ele confessava seus pecados. Era comum as pessoas compararem seus trabalhos a este aparelho. Agora é tempo de ir ao trabalho não mais com repulsa, mas sim sabendo que lá será um ambiente prazeroso de estar. Nalguns casos até mesmo se permite que as tarefas, na totalidade ou em parte, sejam cumpridas em casa.

Tempos novos. Mais tempo livre! Mais pensamento! Menos esforço.

Bom assim... evolui-se a sociedade para tempos de sossego.

Será?


Ronaldo Galvão

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