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13/02/2017

Sobre não deixar a grama nascer sob seus pés

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Nesta semana de meu natalício fiz umas reflexões acerca desta passagem aqui na terra. E me sinto bem, muito bem. Tenho histórias para contar e muito realizei na medida de minhas potencialidades que não são muitas.

Sempre recomendo aos meus amigos e pessoas próximas que não parem suas vidas num comodismo que estatiza a pessoa e a faz uma múmia viva. Que procurem ter algo para vivenciar e acrescentar à sua existência e às experiências que vão compor a vida de uma pessoa. Lembro a estes pupilos que é demasiadamente frustrante chegar a uma avançada idade e não ter tido colecionado nada para repassar aos outros e fazer reflexões pessoais. Participar e viver diretamente de tudo que a vida nos proporcionar.

Vivi intensamente! Fico feliz! Ouso compartilhar aqui umas e outras coisas.

Trabalho desde os 9 anos de idade. Entreguei pasteis e pães de queijo em bares da cidade. Fui balconista de boteco. Li cerca de 1.000 livros até meus 18 anos. Tive a oportunidade maravilhosa de a lei trabalhista não ser muito severa àquela época e poder ter um intenso convívio com as pessoas desde cedo enfrentando os problemas e alegrias da vida social.

Ouvi o dia que o General Figueiredo disse que preferia cheiro de cavalo ao cheiro de gente. Chorei com a morte de Tancredo Neves.

Desde esta pouca idade nunca fiquei um dia sequer sem me relacionar diretamente com uma média de 50 pessoas por dia ou até mais!

Aprendi o ofício de barbeiro com meu pai. Trabalhar com o pai por todo o dia junto da sociedade é ser educado em conceitos e princípios muito bons de forma muito agradável. São marcas que ficam para a vida toda.

Mas depois desta intensa convivência com a família tive de me afastar. Os estudos me levaram a outras paragens, outras pessoas, outras comunidades e estilos de vida. Quem sempre esteve sob os carinhosos afagos familiares teve de fazer o definitivo corte no cordão umbilical. Mas levei umas surras de minha mãe na infância. Hoje vejo algumas pessoas que precisavam ter tido a experiência educacional proporcionada pelas chinelas Havaianas.

Chegando naquela nova vida, senti-me Cristóvão Colombo chegando naquilo que ele achou que fosse as Índias. Ansioso pelo que viria e tremendo de medo pelo que haveria de enfrentar. Estabeleci-me numa das maiores instituições financeiras do país. Tive acesso a informações, situações e pessoas que jamais imaginara naquela juventude.

Morar num local com pessoas diferentes nos idiomas e nacionalidades, sotaques, religiões, sexo, cores em uma verdadeira miscelânea cultural onde um novo mundo foi descortinado à minha frente. Aquilo que eu pensava ser intenso na minha infância tornou-se minimizado diante aquele turbilhão da existência humana em sociedade multicultural.

Depois disto não parei, foram 20 anos de intenso trabalho a favor do povo. Penso ter contribuído para a sociedade fazendo uso de diploma que conquistei. Depois do bacharelado vieram pós-graduação, especialização e mestrado. Crescia na ciência e no convívio humano.

Vivi pessoalmente grandes fatos. Cito especialmente a experiência do desapego mental e material com uma caminhada de 420 km. Isso mesmo: percorri 420 quilômetros em apenas 13 dias. Quanta coisa eu aprendi. Sofri, chorei, ri, conheci pessoas, tristeza e alegria se confundindo em momentos sobrepostos. Descobrir que podemos viver com um mínimo de bens materiais e não podemos abrir mão do patrimônio das relações interpessoais é algo muito interessante quando se aprende através de uma experiência própria.

E assim vou levando a vida! Sentindo, vendo, participando diretamente, estando no local onde os fatos acontecem. Não sendo um mero observador, mas ter na carne os sentimentos que vão moldar e modificar o ser humano que fui brindado a ser.

Fica, pois, a dica: viver intensamente. Não pare! Não entregue ao marasmo e à quietude. Tenha o sentimento de o sangue correr vividamente em suas veias. Transpire a existência. Abrace, ame, odeie, chore, ria, seja lá o que for! Faça com intensidade. Jogue-se na vida como um filho nos braços dos pais.

Penso poder ser esta uma dica de viver sempre bem e com qualidade. Preze as pessoas, o material é a matéria prima que não leva a nada! O imaterial destas vivências é que molda o ser humano.

Seja feliz! MOVIMENTE-SE!


 


 

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