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24/09/2019 às 13:33h

A LUA E O SOL

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A lua brilhando iluminava tudo. Pensei que havia esquecido alguma lâmpada acesa. Era madrugada. Fui à janela conferir. Era a lua branquinha brilhando, prateada, antes de se esconder.

Pouco tempo se passou e tudo escureceu. E, do lado oposto, uma luz dourada brilhou. As sombras das árvores se tornaram pretas contrastando com o brilho dourado que despontava do lado oposto ao da lua. Era o sol chegando.

Lembrei de um relato sobre a beleza da lua e do sol contada pelos habitantes das florestas e vou compartilhar aqui.

A nação indígena Caiapó conta o seguinte: Há muitos e muitos anos os Caiapó viviam em uma região onde não havia sol, nem lua, nem rio, nem floresta, nem mesmo o céu azul. Alimentavam-se apenas de alguns animais e mandioca.

Um dia, quando um índio perseguia um tatú-canastra, se afastou muito de sua aldeia. E o mais incrível é que, à medida que ele se afastava da aldeia, o tatu crescia cada vez mais. De repente, o tatu começou a cavar a terra e desapareceu no buraco imenso que se formou. O índio decidiu segui-lo e se admirou ao ver luz mais adiante. Então ele percebeu que ali existia um outro mundo com o céu azul e um sol que iluminava e aquecia tudo. Havia água, muitos peixes e tartarugas. Também florestas, borboletas, pássaros belíssimos com suas plumagens coloridas.

Encantado o índio ficou admirando aquele paraíso até que anoiteceu. Como retornar para sua aldeia naquela escuridão? Novamente surge à sua frente outra maravilha: uma enorme lua nascia atrás da montanha, clareando tudo com sua luz prateada. Ao redor dela muitas estrelas brilhavam. Ele permaneceu ali apreciando toda aquela novidade até que a lua desapareceu e, do lado oposto, foi surgindo novamente o sol.

Maravilhado com tudo o que viu, o índio voltou à sua tribo e contou a todos o que vira. O grande pajé Caiapó, diante do entusiasmo de seu povo, permitiu que todos seguissem outro tatu em sua imensa cova até o paraíso terrestre. Lá seria o mundo novo, onde todos eles viveriam felizes.

Este conto não é apenas uma história para divertir e sonhar. Ela provoca reflexões num tempo em que a natureza sofre sob a ignorância dos homens. Hoje é raro encontrarmos um peixe de água doce, pescado no rio Pará. Nos anos 80 comi um delicioso dourado pescado neste rio. Agora comemos peixes criados em lagos artificiais criados se alimentando de ração e excrementos de porcos e galinhas. Nossos alimentos estão contaminados por agrotóxicos. Nosso ar irrespirável. Quem de nós sabe qual é a fase da lua hoje? Quem sai para ver o por do sol? Quem já plantou uma árvore?

Neste momento em que o mundo para e reflete sobre o clima, cabe a pergunta: o que que estamos fazendo com nosso planeta? Por acaso não somos parte dele? Se espécies animais estão entrando em extinção, plantas desaparecem, rios secam, o que nos restará? Estamos vivendo no caos que criamos destruindo o paraíso onde nascemos e as consequências já podem ser vistas quando populações inteiras saem de suas casas em busca da sobrevivência.

É tempo de reflexão. O que cada um de nós pode fazer pela preservação do belo e rico planeta em que vivemos?

Ângela Xavier

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