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26/10/2018 às 17:36h

D. Silvério Gomes Pimenta

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Quando me mudei para Ouro Preto entrei em contato com a origem de Minas. Casarões e palacetes do século XVIII, igrejas majestosas, e muitas histórias que remetem às nossas origens. Mariana, cidade irmã, sede do primeiro bispado de nosso estado e onde minha avó, Aureslina, estudou o magistério no Colégio Providência.

Meu pai, Zezinho Xavier, vinha sempre de visita curioso com as novidades. Numa dessas ocasiões, fomos a Mariana e visitamos o Museu da Arquidiocese. Em meio a móveis, imagens e tantas relíquias do passado, ele se admirou ao ver o retrato pintado de um bispo.

- “Conheço este homem!” Disse ele convicto.

- “Ele é D. Silvério, padrinho de minha mãe!”

E então ele contou sobre o costume antigo de dar os filhos para serem batizados pelo bispo. A diocese de Mariana abarcava uma região enorme e Pará de Minas estava incluída. De vez em quando D. Silvério ia de visita à cidade e nessas ocasiões almoçava em casa de sua afilhada. Meu pai, ainda menino, lembrava-se deste fato extraordinário que era a visita de um bispo. Todo um aparato o acompanhava quando de sua chegada à cidade. Um tapete vermelho era estendido por onde ele passaria, a banda de música tocava dobrados de festa e colegiais se enfileiravam para recepcionar tão distinta autoridade religiosa. Muitos fiéis se amontoavam ao redor ansiosos por beijar o seu anel sagrado.

Vale a pena relatar um pouco sobre a vida deste bispo. Menino pobre, mulato e muito inteligente, se destacou na escola em Congonhas do Campo. O bispo de Mariana na época era D. Viçoso e, sabedor dos talentos e da penúria em que vivia esse menino, resolveu ajudá-lo. Ele entrou para o seminário e ganhou, do bispo, todo o enxoval necessário.

Mais tarde, D. Silvério se tornou arcebispo de Mariana, membro da Academia Brasileira de Letras e uma das figuras mais expressivas do clero mineiro. Quando se ordenou padre, escolheu a Igreja das Mercês de Sabará para celebrar sua primeira missa. Esta igreja havia sido levantada por homens de cor, pessoas sem recursos. Ela é de uma simplicidade comovente. Não tem nenhum trabalho artístico, nem ouro, nem pinturas. É toda branca por dentro e por fora e tem no altar principal Nossa Senhora das Mercês e num dos altares laterais, São Domingos. A escolha desta igreja para sua primeira missa teria sido uma lembrança e uma homenagem à sua origem humilde.

Por Ângela Xavier


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