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11/09/2018 às 13:43h

Moda no final dos anos 60, início dos 70

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Ângela Xavier

No final dos anos 60 e início de 70, o mundo viu acontecer uma grande transformação social que se refletiu fortemente na maneira de se vestir, pentear e calçar, especialmente dos jovens. No início até meados dos anos 60 a vida transcorria certa e previsível. A moda, como costuma acontecer, refletia aquela maneira de ser: tudo combinado, brincos combinados com pulseiras e colares, cílios postiços, maquiagem carregada na onda do prêt-à-porter, saltos altos, cabelos penteados em coques, recheados com bombril e fixados com laquê ou cabelos lisos passados a ferro e prensados com touca de meias finas.

De repente surgiu uma onda naturalista com os movimentos hippie e contra cultura que levou os jovens de todo o mundo a adaptar seu modo de apresentação em sintonia com o novo modo de pensar. A sociedade, com seus valores e costumes, foi rejeitada e surgiu uma nova proposta de vida, mais livre em todos os sentidos. Agora, cultuava-se a vida natural, o amor livre, o despojamento. Antigas filosofias orientais respaldavam os novos valores. Questionava-se tudo desde a comida até a medicina e a organização política. Era tempo de combater contra o imperialismo que assolava os países de terceiro mundo. Cultuava-se os gurus e os guerrilheiros.

Nesse contexto, a vanguarda maior era fazer o parto natural, se possível, em casa. A acupuntura e o do in, a alimentação vegetariana e macrobiótica se tornaram práticas do dia a dia. Também chegaram a teoria do yin-yang, as práticas da ioga e da massagem. Valorizou-se muito a vida livre dos índios na selva e surgiu a preocupação com o meio ambiente. Muitos grupos se reuniram em comunidades para colocar em prática suas novas teorias naturalistas dando origem a experiências de vida comunitária.

Essa nova ideologia, que foi mundial, se refletiu no modo de vestir, na apresentação física das pessoas. Mesmo aqueles que não estavam envolvidos diretamente nestas transformações, mudaram seu visual.

Os cabelos, fossem cacheados, lisos ou crespos, eram deixados ao natural e bem compridos, caindo pelos ombros, tanto para homens quanto para mulheres. Os rapazes tinham um uniforme: calça jeans desbotada, camiseta ou bata indiana, sandálias tipo franciscana ou estilo asteca de couro trançado. Os cabelos compridos e em desalinho. Além da calça jeans, também usavam uma calça boca de sino toda manchada, manchas feitas de forma artesanal, em casa. A técnica era amarrar trouxinhas em vários pontos da calça e mergulhá-la na mistura de tinta já preparada na cor escolhida. Depois de certo tempo tirava-se a calça ou blusa e desatavam-se os barbantes, ficando as manchas estampadas como uma roupa camuflada.

As mulheres fizeram verdadeira revolução na sua aparência. Cabelos soltos e bem compridos, ao vento. Nada de pintura no rosto. Unhas cortadas rente sem esmaltes. Braços e pernas ao natural. Sutiã, só quando fossem usar uma roupa bem leve. Os vestidos eram soltos e compridos, com estampa floral de preferência. Também usavam calça jeans desbotada ou pantalonas boca de sino e batas indianas. Os adornos, brincos, colares e pulseiras, eram sempre feitos de sementes ou também de metal confeccionados à mão pelos artesãos que inundavam as ruas.

Para o tempo de frio as blusas de lã eram comuns, gorros na cabeça, botas, cachecol e ponchos trazidos da Bolívia e Peru, lugares muito visitados pelos jovens de então.

As malas eram invariavelmente, mochilas e bolsas de couro cru. Haviam belas bolsas pintadas com batik.

O perfume preferido era o pachouli, tirado de uma planta que dava com abundância nos jardins.

Muitas descobertas foram feitas neste momento de nossa história. Acredito que de tudo ficou hoje a liberdade de se vestir e se pentear. O despojamento daqueles tempos convive hoje com a tendência da moda de vanguarda, na estamparia, nos tecidos usados e, principalmente na liberdade de se usar o que lhe cai melhor dentro de uma gama enorme de opções.

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