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25/06/2018 às 10:25h

O fantasma do cemitério

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O FANTASMA DO CEMITÉRIO

Por Angela Leite Xavier

Gosto muito de conversar com os idosos. Eles são os guardiões de costumes e tradições que vão se perdendo com o passar dos tempos e que constituem a essência de nossa identidade de mineiros, de brasileiros.

Ouvindo os casos de minha tia Marta, um deles merece ser compartilhado, o caso do fantasma do cemitério.

No início de século XX, o cemitério de Pará de Minas ficava onde é hoje o Grupo Escolar Jarbas Passarinho. A cidade cresceu e o cemitério estava no meio de casas, situação um tanto incômoda para os moradores. O governo municipal decidiu então transferir o cemitério para um local mais afastado e construir uma escola no lugar do antigo. Todas as famílias paraminenses foram chamadas a acompanhar o traslado dos restos mortais de seus parentes para o novo cemitério. Eu ainda me lembro do traslado de meu avô Alfredo Xavier. Os parentes acompanharam a abertura da tumba e a retirada de uma caixa pequena onde estavam seus restos mortais. Quando ela foi retirada da tumba, seu irmão ainda vivo, Tavinho Xavier, chorou mais uma vez sobre seus restos. A cena ficou marcada para mim, muito jovem nesta ocasião.

Mas o caso que vou relatar se refere ao tempo em que o cemitério era ainda onde está o Grupo Escolar Jarbas Passarinho.

Corria um boato pela cidade sobre um fantasma que aparecia toda noite rondando o cemitério. Era uma luz bruxuleante que dançava de um lado a outro, saia e entrava no cemitério. Toda a população estava temerosa e ninguém ousava passar por aquelas bandas depois que a noite chegava. Quem morava por perto ficava fechado em casa sem coragem de olhar pela janela e muito menos de sair à rua.

Um dia, incomodado com esta questão, meu avô Alfredo Leite Praça, resolveu agir. Ele não tinha medo de nada e decidiu verificar o que estava acontecendo perto do cemitério para provocar tanto medo nas pessoas. Foi sozinho, pois não encontrou ninguém que quisesse acompanhá-lo nesta empreitada.

A noite estava escura quando ele subiu, sozinho, a rua que dava no cemitério. Ao se aproximar ele viu uma luz tênue andando de um lado para outro. Sem hesitar diante do desconhecido ele seguiu em frente e, qual não foi a sua surpresa quando viu uma mulher de camisola branca até os pés e uma vela acesa nas mãos. A mulher estava diante de uma casa que ficava do lado do cemitério e andava de um lado para outro. Meu avô se aproximou e perguntou a ela o que fazia ali àquela hora. A mulher disse que sofria de asma e precisava tomar um ar no meio da noite para não morrer sufocada. Meu avô riu da situação e contou a ela sobre o fantasma que assustava a população. Riram ambos da imaginação fértil do povo e do que é capaz de criar uma mente possuída pelo medo.



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