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13/11/2018 às 13:12h

Pirtugal e nossas diferenças linguísticas

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Angela Leite Xavier

Cheguei a Lisboa pela primeira vez num dia de Santo Antônio. Foi só deixar as malas e sair para a rua em festa. Grupos em vestes coloridas desfilavam dançando, cada qual representando um bairro. As ruas lotadas, tudo era luz e cores. Música e dança. Só alegria.

Pedro, meu genro português, nos levou a comer sardinhas. Duas senhoras e um senhor bigodudo assavam as sardinhas em meio à fumaça. Então me senti realmente em Lisboa. Este foi meu batismo em Portugal, país que me fez sentir um retorno às origens.

Nem preciso descrever os principais pontos turísticos que visitei nesta temporada: Castelo de São Jorge, Belém e seus pastéis de nata, Alfama e seu belos fados, Mouraria. Até uma tourada no Campo Pequeno. A tourada portuguesa é feita a cavalo e não se mata o touro ao final.

Como falamos a mesma língua, tudo ficou mais fácil. Hum... Temos uma série de problemas com esta nossa língua! Nem tudo lá tem o mesmo significado que cá. Alguma palavras e expressões são muito curiosas. Fiz um pequeno dicionário de viagem que compartilho com vocês:

Passar pelas brasas = Tirar uma soneca

Guarda redes = goleiro

Casa mortuária = Velório

Não deite papéis na sanita = Não jogue papéis no vaso

Rebuçado = Bala

Zona pedonal = área de pedestre

Um granda ponto = Alguém criativo

Furreta = Pão-duro

Chucha = Bico, chupeta

Talho = Açougue

Fanqueiro = Loja de cama, mesa e banho

Hospedeira = Aeromoça

Portagem = pedágio

Vá pentear macacos! = Vá plantar batatas! Vá às favas!

Fulano está com os azeites = Fulano está chateado, mal-humorado

Azeiteiro = Aquele que é sem noção, farofeiro

Carro quitado = Carro de boy, com som, rodas incrementadas.

E assim várias outras palavras e expressões que deixam o brasileiro meio perdido. Daí tantas piadas de português aqui e tantas de brasileiro lá.

Comigo aconteceu um fato curioso. Como fui muito bem recebida lá pelo meu genro e seus pais, eu quis oferecer a eles belos passeios aqui no Brasil. Então eu prometi leva-los a Tiradentes e ao Caraça quando, um dia, vierem ao Brasil. Eles riram muito e eu sem compreender. Então me explicaram: Você quer nos levar a arrancar nossos dentes e depois nos jogar no lixo?

Rimos a valer dessas diferenças em nossa língua comum. Afinal, ficamos muito tempo distantes e a língua evolui sempre. Além disso, no Brasil, temos grande influência do tupi e guarani, além das línguas africanas cujas palavras foram incorporadas ao nosso idioma.



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