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11/01/2019 às 22:22h

Reflexões na mesa de café

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Mesa de café com pão de queijo e um bom bate papo com minha filha Luana. Ela me falava de um livro de Rubem Alves que estava lendo.

O autor dizia que nós somos pintados de várias cores pelos pais, avós, escola, amigos, sociedade. E questionava: onde fica o verdadeiro eu?

E continuando, o autor cita um amigo que queria esquecer o próprio nome e tudo o que ele carrega. Mas, de que adianta, se todos continuam sabendo seu nome?

Lembrei de uma reportagem que vi sobre uma tribo indígena brasileira onde a criança recebia um nome ao nascer e mudava o nome por ocasião da festa de sua iniciação aos 10 anos. E durante sua vida mudava o seu nome quantas vezes fosse necessário por sentir que ele havia mudado. Gente sábia!

Lembrei também do prazer que senti quando vivi por um ano no Peru, sendo estrangeira. Dá uma liberdade gostosa!

Luana comentou também, ainda sobre o livro de Rubem Alves, sobre o olhar da criança. Um olhar que só os artistas e velhinhos continuam a ter. Um olhar que vê detalhes que escapam ao adulto, sempre ocupado com coisas sérias.

Lembrei de quando era criança, de como é bom ser criança! Tudo é descoberta. O mundo é cheio de surpresas e tudo é possível. Eu achava incrível saber que o Japão ficava do lado oposto de onde estamos. Então se houvesse um caminho por dentro da Terra eu poderia chegar bem rápido lá. E foi pensar e começar a cavar, no quintal da casa de minha avó, o buraco do Japão. Todo dia eu cavava um pouco imaginando que chegaria no Japão pelo chão. Trabalhei muito e o buraco já estava bem grande quando meu pai descobriu o que eu fazia. Ele, com toda a paciência, me explicou que era impossível o que eu pretendia, que era muito longe e que no meio da Terra havia uma bola de fogo. Esta foi a minha primeira grande decepção na vida.

Outro fato curioso de que me lembro, foi quando minha irmã Maria Olga, curiosa, começou a desmontar o fundo do rádio de nossa casa. Ao ser chamada a atenção, explicou que queria ver os homenzinhos que falavam lá dentro. Situação inimaginável nos dias de hoje!

E nesta reflexão ficamos, eu e Luana, enquanto a chuva começava a cair lá fora. O cheiro da terra molhada, o ruído dos pingos ao cair, o vento balançando as folhas das árvores me faziam sentir como uma criança. E, então, me veio uma certeza: Não podemos perder o olhar da descoberta!


Por  Ângela Xavier

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