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11/09/2019 às 09:26h

Velhos Tempos

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Nos idos anos 50 e 60 quando ainda não havia aparelhos de TV nas casas, as famílias eram numerosas e viviam em casas com grandes quintais, os costumes eram bem diferentes.

As famílias tinham o hábito de jantar às 6 horas, geralmente uma sopa, e depois ficavam conversando na porta de suas casas. Os adultos chegavam até a colocar cadeiras nos passeios. As mulheres faziam tricô e tagarelavam. Os homens fumavam seu cigarro de palha e trocavam idéias. As crianças se espalhavam pela rua brincando de pegador, pular maré ou andar de bicicleta. Às 7 horas mais ou menos todos entravam e as crianças se aprontavam para dormir.

Quando havia ceia de Natal, os pais serviam as crianças antes e elas dormiam depois de colocar um pé de sapato perto do presépio onde, no dia seguinte, encontrariam os presentes do Menino Jesus. Não havia Papai Noel. Os adultos ceavam antes de meia noite para poderem comungar no dia 25.

Havia um costume muito interessante que era o de fazer visitas. As pessoas costumavam visitar os parentes, amigos e vizinhos. Visitas de cerimônia. Sentavam-se todos na sala de visitas, os filhos eram apresentados e os anfitriões ficavam “fazendo sala”. Num dado momento era servido o cafezinho com biscoitos, geralmente feitos em casa. A indústria alimentícia era incipiente e nas casas se fazia de tudo. Toda família tinha seu jogo de café e de chá exclusivo para visitas. Quanto mais cerimoniosa fosse a visita, mais refinado era o jogo de café usado. Em casa de meus pais os jogos de café e chá eram japoneses, presentes de casamento e eram de porcelana finíssima. Pareciam cascas de ovos.

Meus primos mais velhos, já namoravam sério ou eram noivos e costumavam visitar meus pais aos sábados à tarde ou aos domingos com a noiva. Quando se casavam visitavam oficialmente todos os tios.

As pessoas faziam pães ou biscoitos e mandavam para os vizinhos que devolviam as travessas cheias com outros quitutes preparados em sua casa. Todos os quintais tinham muitas frutas e ninguém precisava comprar limão, laranja, mexerica, banana, manga ou jabuticaba. Usava-se trocar as frutas, às vezes até por cima do muro de divisa dos quintais com os vizinhos.

Meu avô Alfredo Leite Praça, se gabava de ter visto surgir o primeiro rádio e mais recentemente a TV. Ele previa para o futuro, a invenção de um telefone onde as pessoas veriam seu interlocutor enquanto conversavam. O progresso chegou rápido demais e as pessoas se assustavam todo dia com as novidades.

Eu, quando menina, comecei a cavar um buraco no quintal da casa da minha avó. Este buraco se destinava a varar a Terra e chegar ao Japão onde eu pretendia chegar dentro de pouco tempo. Quando meu pai soube, explicou, para minha decepção, a impossibilidade de realizar meu intento.

O mundo era mágico, não sei se porque éramos crianças e adolescentes, ou porque vivíamos a nossa infância em sua plenitude, brincando em quintais imensos, sem nenhuma influência de TV ou filmes, sem esses brinquedos modernos que bloqueiam a criatividade. Criávamos nossas brincadeiras, usando árvores, gravetos, caixas, paus de lenha, pedras. Com estes elementos construíamos reinos, mares, piratas e sereias. Tudo servia para as nossas fantasias e os dias eram pequenos para tanto brincar.

Ângela Xavier

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