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11/07/2018 às 09:13h

Delegado que firmou delação de Valério é removido do cargo

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O delegado Rodrigo Bossi, que, em março deste ano, foi o responsável pela costura do acordo de delação premiada entre a Polícia Civil e o operador do mensalão Marcos Valério, foi retirado do comando do Departamento de Investigação sobre Fraudes no último sábado. Ele era criticado de forma corriqueira pela oposição na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) por supostamente ter ligações com o PT.

Além da delação de Valério, Bossi também era o encarregado de investigações acerca de denúncias envolvendo administrações do PSDB em Minas. A pessoas próximas, o delegado chegou a afirmar que a pressão sobre ele aumentou após o acordo com o operador do mensalão, que está preso na Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (Apac) de Sete Lagoas, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Desde segunda-feira, o delegado foi remanejado para o Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa. Interlocutores ligados à Polícia Civil afirmam que a retirada de Bossi da delegacia de fraudes partiu de uma espécie de “acordão” entre a base do governo de Minas e a oposição na ALMG, que trancava a pauta de votação na Casa havia alguns meses.

“O trato foi a saída do Bossi desse departamento, que é algo que a oposição queria há algum tempo, em troca das votações de vetos e outros projetos de interesse do governo”, conta a fonte da Polícia Civil.

Entre as propostas desejadas pela administração Fernando Pimentel (PT) está, principalmente, a venda de parte da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), tratada pelo governo como primordial para o ajuste financeiro do Estado.

O acordo foi confirmado por membros da base do governo na Casa, sob anonimato. De fato, aliás, na segunda-feira, iniciou-se um movimento de destrancamento de pauta na ALMG. No entanto, no mesmo dia, Bossi, mesmo já afastado da delegacia de fraudes, se envolveu em nova polêmica com duas peritas, que, na avaliação dele, teriam produzido, há seis anos, um laudo falso a respeito de documentos apresentados em uma investigação envolvendo o PSDB. O caso teria suspendido a trégua entre governo e oposição, e, com isso, a pauta voltou a ser travada nesta terça-feira (10).

Também nessa terça as peritas foram ouvidas durante reunião da Comissão de Segurança Pública da ALMG. “O Rodrigo Bossi manteve as duas em cárcere privado para tentar desmentir laudos que mostram a falsificação clara de documentos”, diz o deputado João Leite (PSDB), um dos líderes da oposição.

Ainda segundo o tucano, o remanejamento de Bossi para o departamento de homicídios é insuficiente. “Ele não pode continuar na Polícia Civil. É um absurdo que ele continue na corporação”, argumentou. Apesar das críticas, João Leite negou que tenha existido o acordo com o governo pela saída do delegado. “Não houve acordo nenhum, tanto que hoje (terça) estamos com a pauta trancada”.

Na mesma linha, a liderança do governo na ALMG negou um acordo nesses termos com a oposição. Questionada sobre mudança de departamento do delegado, a Polícia Civil afirmou que “todas as realocações em seu quadro de pessoal são pautadas por avaliações técnico-administrativas, tendo sempre o objetivo de suprir da melhor forma as demandas necessárias à população”. Procurado, Bossi não quis se manifestar. (Colaborou Ailton do Vale)

Relato

Comissão. A perita Viviane Marcia Mendonça disse, durante reunião da comissão na ALMG, que foi pressionada por Rodrigo Bossi, que teria questionado, aos gritos, a validade de laudo produzido.

Empresário já tinha feito acordo com a Polícia FederalO operador do mensalão Marcos Valério acertou o acordo de delação premiada com a Polícia Civil em março deste ano. Na negociação, ele prometeu entregar esquemas de corrupção nas estatais mineiras entre os anos de 1998 e 2014, além de possíveis irregularidades na construção da Cidade Administrativa. Valério cumpre pena de 37 anos e cinco meses de prisão por participação no mensalão do PT.

No ano passado, ele chegou a costurar uma delação com a Polícia Federal. Reportagens de O TEMPO mostraram o conteúdo de boa parte dos anexos do acordo, que, até hoje, no entanto, não foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Nos termos revelados pelo jornal, a delação citava políticos de Minas que, até então, não apareciam entre as principais figuras dos casos, como o ex-secretário de Estado de Governo Danilo de Castro (PSDB), o ex-deputado estadual e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Mauri Torres (PSDB) e o ex-ministro dos Transportes e ex-deputado Anderson Adauto (sem partido). Na época, todos negaram envolvimento em ilícitos.

Antes do acordo com a PF, o Ministério Público Federal (MPF) havia recusado a realização de uma delação com Valério. Em 2016, o então procurador geral da República, Rodrigo Janot, chegou a enviar dois representantes a Belo Horizonte para ouvir o operador, que implicou políticos com foro privilegiado. O acordo, contudo, não prosperou nem na esfera federal, nem na estadual.

Condenação

No mês passado, Marcos Valério, Ramon Hollerbach e Cristiano Paz foram condenados, em primeira instância, a 16 anos e nove meses de prisão pelo mensalão tucano.

Rodrigo Bossi nasceu em Belo Horizonte em 1968. Aos 22 anos, viajou aos Estados Unidos e serviu nas Forças Armadas do país durante a Guerra do Golfo. Aos 33, se formou em direito e passou no concurso para atuar como delegado. 

Na década passada, chegou a atuar como assessor do então secretário de Estado de Defesa Social, Antonio Anastasia.

 Depois, a pedido, passou a atuar no departamento de homicídios, onde ficou por seis anos. Na delegacia, participou de casos que ficaram famosos no Estado, como o do assassinato de Chiquinho Despachante, em Montes Claros. Também atuou no caso da jovem assassinada no bairro Cidade Nova em um latrocínio, quando estava dentro do carro com o namorado.

Desde que entrou para a Polícia Civil, sempre foi alvo de sindicâncias. Neste ano, Rodrigo Bossi foi frequentemente criticado por políticos de oposição ao governo de Minas por supostas irregularidades cometidas durante investigações.

Fonte: O Tempo

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