Capa da Página Polícia Civil ouve testemunhas de ação da PM em Paraisópolis que deixou 9 mortos e 12 feridos - Destaques - JC Notícias Capa da Página

Icone previsão PARÁ DE MINAS - 19º MIN 28º MAX

Cadastre seu e-mail e receba nossas novidades

Icone IconeNotícias - Destaques

02/12/2019 às 09:54h

Polícia Civil ouve testemunhas de ação da PM em Paraisópolis que deixou 9 mortos e 12 feridos

Facebook

A Polícia Civil começa a ouvir nesta segunda-feira (2) testemunhas da ação da Polícia Militar que deixou nove mortos e 12 feridos em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, na madrugada de domingo (1º).

Os policiais do 89º DP, no Portal do Morumbi, vão ouvir frequentadores do baile, parentes de vítimas e outros policiais que ajudaram a socorrer as vítimas. Nove pessoas, sendo uma mulher e oito homens, morreram pisoteadas.

Seis policiais militares que participaram da ação no baile foram ouvidos na tarde de domingo. As armas deles foram apreendidas.

De acordo com a polícia, agentes do 16º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M) realizavam uma Operação Pancadão na comunidade – a segunda maior da cidade, com 100 mil habitantes – quando foram alvo de tiros disparados por dois homens em uma motocicleta. A dupla teria fugido em direção ao baile funk ainda atirando, o que provocou tumulto entre os frequentadores do evento, que tinha cerca de 5 mil pessoas.

No entanto, os frequentadores do baile negam a versão dos PMs. A mãe de uma adolescente de 17 anos que estava no local e que foi agredida com uma garrafa disse que os policiais fizeram uma emboscada para as pessoas que estavam no baile.

O porta-voz da Polícia Militar, o tenente-coronel Emerson Massera, defendeu a atuação da tropa. Ele disse que nenhum policial fez disparos com armas de fogo e que os criminosos em fuga usaram os frequentadores para se proteger.

“Os criminosos utilizaram as pessoas que estavam frequentando ali o baile funk como uma espécie de escudo humano para impedir a perseguição policial, o trabalho da polícia", afirmou.

O porta-voz também disse que os vídeos que mostram agressões de policiais serão analisados.

“Nós recebemos as imagens, todas as imagens já estão incluídas no inquérito policial militar para serem analisadas. Nós não temos certeza de que tudo tenha acontecido nesta madrugada, mas de alguma forma algumas imagens nos sugerem abusos, nos sugerem uma ação desproporcional por parte da polícia e evidentemente que o rigor na apuração vai responsabilizar quem efetivamente cometeu algum excesso, cometeu algum abuso.”

Feridos
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, uma mulher ferida no tumulto permanece internada. Outras 11 pessoas que foram atendidas em hospitais da cidade após a confusão foram liberadas.

Protesto
Moradores de Paraisópolis protestaram na Rua Ernest Renan, na comunidade, na Zona Sul de São Paulo, na noite de domingo. A manifestação reuniu familiares e amigos das nove pessoas que morreram pisoteadas durante um baile funk.

O grupo carregava cartazes e gritava: "Justiça! Justiça!". Parte deles seguiu em caminhada até a Avenida Giovani Gronchi. A manifestação foi pacífica.

Intervenção policial
O ouvidor das polícias, Benedito Mariano, disse que a Polícia Militar precisa rever o modo como atua em relação a bailes funks e pancadões em São Paulo.

"Falei com o corregedor da PM e solicitei que ele avocasse a investigação. Toda intervenção policial em baile funk tem que chegar antes do evento. Intervenção policial quando há cinco mil pessoas na rua, o conflito é inerente. Há necessidade de mudar o protocolo da PM sobre bailes funk", disse o ouvidor.

"Foi uma ação desastrosa da Polícia Militar, porque gerou tumulto e morte. Os vídeos mostram torturas, abusos e que os jovens foram encurralados. Demonstram que os PMs são os principais responsáveis pela tragédia. A polícia precisa estar preparada para atuar em situações como essa", disse Ariel de Castro Alves, advogado e conselheiro do Conselho Estadual de Direitos Humanos (Condepe).

Mortos
Veja quem são as vítimas:


Marcos Paulo Oliveira dos Santos, 16 anos
Bruno Gabriel dos Santos, 22 anos
Eduardo Silva, 21 anos
Denys Henrique Quirino da Silva, 16 anos
Mateus dos Santos Costa, 23 anos
Dennys Guilherme dos Santos Franca, 16 anos
Gustavo Cruz Xavier, 14 anos
Gabriel Rogério de Moraes, 20 anos
Luara Victoria de Oliveira, 18 anos

Fonte: G1

Galeria de fotos

Clique nas imagens para ampliar: