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22/07/2019 às 10:01h

Grupo de cientistas lança manifesto em apoio ao Inpe após Bolsonaro questionar dados de desmatamento na Amazônia

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O Conselho da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) divulgou neste domingo (21) um manifesto em apoio ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) após críticas do presidente Jair Bolsonaro.

Na última sexta-feira (19), Bolsonaro questionou os dados divulgados pelo Inpe sobre o aumento do desmatamento na Amazônia. "Com toda a devastação que vocês nos acusam de estar fazendo e de ter feito no passado, a Amazônia já teria se extinguido", afirmou. Ele também disse suspeitar que o diretor do Inpe estaria "a serviço de alguma ONG". As declarações foram dadas durante uma entrevista a jornalistas estrangeiros.

No sábado (20), Ricardo Magnus Osório Galvão, diretor do Inpe, negou as acusações de Bolsonaro, reafirmou os dados sobre desmatamento e disse que não deixará cargo. O Inpe disse em nota que sua política de transparência permite o acesso completo aos dados e acrescentou que a metodologia do instituto é reconhecida internacionalmente.

Neste domingo, o presidente voltou a criticar a divulgação de dados sobre desmatamento no Brasil.

Desmatamento
De acordo com números divulgados pelo Inpe no início deste mês, o desmatamento na Amazônia Legal brasileira atingiu 920,4 km² em junho, um aumento de 88% em comparação com o mesmo mês no ano passado.

As áreas da Amazônia que deveriam ter 'desmatamento zero' perdem o equivalente a 6 cidades de SP em três décadas. Fora das áreas protegidas, a Amazônia perdeu 39,8 milhões de hectares em 30 anos, o que representa 19% sobre todas a floresta natural não demarcada que existia em 1985, uma perda equivalente ao tamanho de 262 cidades de São Paulo. Nas áreas protegidas, a perda acumulada foi de 0,5%.

Fundo Amazônia
De acordo com o Inpe, os dados dos satélites também servem de referência para orientar as doações ao Fundo Amazônia, criado em 2008 e administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para desenvolver ações de conservação da floresta e redução do desmatamento. A maior parte das doações vem da Noruega e da Alemanha.

Desde maio o ministro do Meio Ambiente tenta mudar algumas regras do Fundo, mas Alemanha e Noruega se opõem. Entre as propostas do governo está usar os recursos para pagar indenizações a donos de propriedades privadas que viviam em áreas de unidades de conservação. As atuais regras não permitem o uso do dinheiro para tal pagamento.

Veja a nota da SBPC na íntegra:
MANIFESTO DO CONSELHO DA SBPC EM DEFESA DO INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS (INPE)


O Conselho da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC, em reunião realizada no dia 20/07/2019, deliberou por unanimidade manifestar seu apoio integral ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE, dirigido pelo Dr. Ricardo Galvão, face às críticas do trabalho do INPE de monitoramento do desmatamento da Amazônia brasileira, apresentadas em entrevista à imprensa internacional pelo Presidente da República, Sr. Jair Messias Bolsonaro.

Conforme carta das principais entidades nacionais representativas da ciência brasileira, enviada ao Presidente Bolsonaro no dia 10/07/2019 (OF. ABC-97/2019), a ciência produzida pelo INPE está entre as melhores do mundo em suas áreas de atuação, graças a uma equipe de cientistas e técnicos de excelente qualificação, e presta inestimáveis serviços ao País. O Diretor do INPE, Dr. Ricardo Galvão, é um cientista reconhecido internacionalmente, que há décadas contribui para a ciência, tecnologia e inovação do Brasil. Críticas sem fundamento a uma instituição científica, que atua há cerca de 60 anos e com amplo reconhecimento no País e no exterior, são ofensivas, inaceitáveis e lesivas ao conhecimento científico.

Em ciência, os dados podem ser questionados, porém sempre com argumentos científicos sólidos, e não por motivações de caráter ideológico, político ou de qualquer outra natureza. Desmerecer instituições científicas da qualificação do INPE gera uma imagem negativa do País e da ciência que é aqui realizada. Reafirmamos nossa confiança na qualidade do monitoramento do desmatamento da Amazônia realizado pelo INPE, conforme a carta anteriormente enviada ao Presidente da República, e manifestamos nossa preocupação com as ações recentes que colocam em risco um patrimônio científico estratégico para o desenvolvimento do Brasil e para a soberania nacional.

Fonte: G1

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