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17/10/2019 às 08:53h

Caminhão é o 1º veículo do país sem retrovisor; veja destaques da maior feira de transportes do Brasil

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Maior feira de transportes da América Latina, a Fenatran também é uma vitrine de teconologias que devem chegar às ruas em breve.

4 destaques, que vão desde o caminhão mais rápido do mundo, até o lançamento de motores que rodam com etanol e gás, incluindo um inédito 4x4 "compacto".

Muito além da inovação, a Fenatran também é uma feira de negócios -- muita gente aproveita as novidades para renovar a frota. Só neste ano, é esperada uma movimentação de R$ 5 bilhões. Passando pelos estandes, é bastante normal encontrar caminhões com placas de "vendido".

Se engana quem pensa que veículos comerciais não possuem tecnologia embarcada. O primeiro modelo a abolir espelhos retrovisores no país, por exemplo, é um caminhão: a nova geração do Actros, o caminhão topo de linha da Mercedes-Benz.

O grandalhão foi lançado nesta Fenatran, e as entregas começam em abril – antes do carro elétrico Audi E-Tron, que também substituiu os retrovisores.

O “truque” do Actros é usar duas câmera de alta resolução – obviamente uma em cada lado. Elas captam as imagens, e transmitem, em tempo real, para duas telas, verticais, de 15 polegadas.

Na parte interior, é replicada uma imagem panorâmica, enquanto o restante da tela mostra um quadro mais fechado – como em um retrovisor comum. Ainda é possível alterar o ângulo da câmera, por meio de comandos na porta do motorista.

A Mercedes ainda instalou um dispositivo de segurança. Se o motorista está dormindo na cabine, por exemplo, e percebe uma movimentação suspeita do lado de fora, basta acionar um botão, que as telas são ligadas.


Marcos Andrade, gerente sênior de produtos da divisão de caminhões da Mercedes, acredita que 10% dos clientes devem adquirir a tecnologia.

A principal causa para a Mercedes ter trocado os espelhos por câmera é a economia de combustível, estimada em 1,3%. Isso porque o veículo se torna mais aerodinâmico sem os espelhos convencionais.

“Pode parecer pouco, mas, para quem usa o veículo para o trabalho, qualquer 0,1% importa”, disse Marcos Andrade, gerente sênior de produtos da divisão de caminhões da Mercedes.

E se quebrar? Andrade garante que a solução é simples. "As concessionárias estão preparadas. Há um kit de reparo, com um retrovisor convencional. Ou o motorista pode optar por substituir a própria câmera", responde, prontamente.

Grande parte da frota brasileira de caminhões roda com motores a diesel. Mas, se depender de algumas fabricantes, a história pode mudar nos próximos anos. Não que as empresas devam abandonar o óleo como combustível.

Mas começam a aparecer novas propostas, mais sustentáveis. A Scania, uma das marcas mais importantes do país, acaba de lançar os primeiros caminhões movidos a gás do Brasil.

São duas opções, exibidas na Fenatran em carrocerias da linha R, a segunda maior da empresa. Elas usam um motor de 410 cv, e podem ser abastecidos com gás natural veicular, já encontrado em cerca de 1,3 mil postos no Brasil, e gás natural liquefeito, que ainda não é distribuído regularmente.

A partir de abril do ano que vem, a Scania vai vender caminhões que rodam com os novos combustíveis. Na comparação com similares a diesel, os preços devem ser entre 35% e 40% mais altos, enquanto o custo de operação cai de 15% a 17%, sempre segundo a fabricante.


Para ser abastecido com gás, a Scania desenvolveu um motor novo, que funciona com ciclo Otto, em vez do ciclo diesel. No entanto, 80% das peças são compartilhadas, o que facilita a manutenção. Inicialmente, o motor virá importado da Suécia, sede da empresa.

“Conforme o volume for aumentando, podemos nacionalizar a produção”, completou Munhoz.

A Scania será a primeira marca a vender caminhões a gás no Brasil. Outra empresa, a fabricante de motores FPT, mostrou na Fenatran um motor flex, que pode rodar com gás natural veicular ou etanol.

O motor de 3 litros tem 136 cavalos, e, segundo a FPT, é até 30% mais econômico do que similares a diesel. A ideia é comercializar este propulsor até o final do ano que vem.

Sueco voador

Conterrânea da Scania, a também sueca Volvo, aproveitou a Fenatran para exibir o caminhão mais rápido do mundo, apelidado de Iron Knight, ou cavaleiro de ferro, na tradução livre.

Com motor de 2.400 cavalos e mais de 600 kgfm de torque, ele é baseado no modelo topo de linha da empresa, o FH – mas é 5 vezes mais potente.

A Volvo diz que seu supercaminhão é dono de dois recordes, homologados pela Federação Internacional de Automobilismo, a FIA: aceleração de 0 a 500 metros e de 0 a 1.000 metros. O modelo cumpriu essas provas em 13,67 e 21,14 segundos, respectivamente.

Tudo isso em um veículo que pesa 4,5 toneladas. A relação peso/potência, de 1,9 kg/cv, é superior à da Ferrari GTC4Lusso, de 2,6 kg/cv.

As mudanças vão além do motor. Toda a aerodinâmica é aprimorada. Também há alívio de peso, com a substituição do aço por fibra de vidro na cabine.


Esta é a primeira vez que o Iron Knight sai da Europa. Ele não será vendido regularmente.

Outra novidade é da Volkswagen Caminhões e Ônibus, que lançou na Fenatran o primeiro caminhão leve do país com tração 4x4. O Delivery 11.180 chega às lojas no meio do ano que vem, para atender a uma crescente demanda por veículos menores, mas com boa capacidade fora-de-estrada.

“Com o Delivery 4x4, resolvemos duas questões. Uma é a ergonomia, já que ele tem a plataforma mais baixa, melhor para quem vai colocar ou tirar uma carga. A segunda é o acesso em áreas com terreno acidentado”, disse Ricardo Yada, supervisor de marketing da Volkswagen.

Até então, o menor caminhão da empresa com tração 4x4 era o Constelation de 15 toneladas. Com o Delivery de 11 toneladas, a Volkswagen espera atender empresas de fornecimento de energia, entrega de bebidas e até caminhões de lixo.

O preço dele deve ser 25% mais alto do que um Delivery de 11 toneladas, que sai por volta de R$ 200 mil.

Para instalar os componentes da tração, como o diferencial central, o caminhão foi elevado – indiretamente, isso melhorou também o ângulo de ataque, que ajuda no acesso do veículo em terrenos íngremes.

A Volkswagen espera emplacar cerca de 1.000 unidades do Delivery 4x4 por ano. Ainda há um pacote opcional, que inclui pneus de uso misto, apliques plásticos, quebra-mato dianteiro e guincho. O preço não foi revelado. O exemplar exibido na Fenatran trazia tal kit, que se parece muito com o visual de um automóvel aventureiro.

Fonte autoesportes

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