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27/04/2021 às 20:48h

O Advogado e o cuidado com o cliente

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Por
Sônia Malta

Advogada, Professora Universitária,

Negociadora e Mediadora.

Há alguns dias, Ronaldo Galvão publicou aqui seu “Vamos conversar?”, texto no qual narrava a história de João e sua mulher, que se separaram ao final de um processo – pessoal e judicial – muito custoso: tempo, dinheiro e desgaste emocional marcaram essa separação.

Ao final do seu texto, Ronaldo conta uma outra situação imaginária: a de José e sua companheira Ana em situação patrimonial igual a de João; também com filhos, um menor e outro universitário, que também queriam pôr fim à união. Para isso, o casal e seus advogados contrataram um mediador e, ao final, os resultados foram muito mais satisfatórios e rápidos.

A narrativa finaliza com as diferenças entre as separações de João e de José: o mediador e os advogados contratados. Partimos daqui!

O que tornou as experiências e resultados de João e de José tão diferentes foi, fundamentalmente, o fato de estarem acompanhados por advogados que se preocupam em oferecer aos clientes um trabalho não apenas técnico, mas também humanizado. Justamente por isso, esses advogados conhecem outros caminhos, diferentes do Judiciário, para percorrer com seus clientes. Um desses caminhos é a mediação.

O Judiciário é, geralmente, um “remédio pior do que a doença”. Quase nunca, no Judiciário, se resolve um conflito – ainda que o processo algum dia se resolva. Além disso, a sentença do juiz põe fim ao processo e, muitas vezes, também ao relacionamento entre autor e réu. O processo judicial tem um custo não apenas financeiro e de tempo, mas também emocional e para os relacionamentos entre as pessoas que são partes desse processo. Autor e réu, depois da sentença, não têm a mesma relação que tinham antes: ela, geralmente, se desgasta ou termina junto com o processo judicial.

Os advogados de José e de sua mulher, Ana, sabiam de tudo isso e apresentaram a eles a possibilidade de contratar um mediador particular que facilitaria as negociações entre eles. Porque confiavam em seus advogados, José e Ana se sentiram seguros para experimentar a tal mediação.

Os advogados informaram aos seus clientes que o mediador é um profissional imparcial, que auxiliaria a todos na identificação do que é realmente importante e de como alcançar isso em uma negociação organizada, com técnicas que contribuem para que cada um possa falar dos seus receios, de suas expectativas, dos seus sentimentos e das suas necessidades, num espaço seguro de diálogo.

Sim, seguro porque a mediação é confidencial: nada do que é dito em uma mediação pode ser usado “contra” o outro numa disputa judicial. Por isso, o mediador consegue ajudar as pessoas a ter um diálogo franco e aberto, importante para a busca das soluções que melhor atendam os interesses dos envolvidos.

O mediador ajuda as partes a falar e a ser escutadas quanto aos seus sentimentos atuais, preocupações e expectativas sobre um futuro que, ali, elas podem construir do jeito que lhes parecer o melhor! A mediação, diferente do processo judicial, permite que as pessoas tenham controle sobre o resultado, afinal, o poder de dizer “sim” ou “não” para as propostas que surgirem é delas! O mediador facilita o caminhar rumo a um acordo que só acontecerá com o “sim” de José e de Ana.

Além disso, a mediação dura infinitamente menos do que um processo judicial (ninguém sabe quando o juiz vai sentenciar!) e permite, então, que as pessoas resolvam seus conflitos mais rápido. Isso é bom para elas, já que o conflito dói, e para os advogados, que contribuirão para uma solução rápida e satisfatória para seus clientes. Clientes que vivem boas experiências com seus advogados são fidelizados por isso – e ainda indicam esses profissionais para outras pessoas!

Essas informações, trazidas a José e Ana por seus advogados, juntamente com o compromisso de estarem ali, ao lado dos clientes, para dar a eles todo o suporte jurídico que precisariam para aceitar ou não as propostas que surgissem, foram determinantes para o casal que já sofria com a separação e não gostaria de sofrer também com o processo judicial – e nem trazer mais sofrimentos aos filhos.

O mediador foi escolhido pelo casal com auxílio de seus advogados: era um profissional devidamente capacitado para realizar mediações, com certificados de cursos de formação e de aperfeiçoamentos. e que recebeu a confiança de todos, tanto pela capacidade técnica quanto pelo tratamento humanizado e acolhedor.

O contrato de prestação de serviços do mediador foi celebrado levando em consideração a urgência do casal em se separar; a disponibilidade de dias e horários para as sessões de mediação acontecerem; o local onde elas aconteceriam (que eles mesmo escolheram); além dos honorários do mediador, que seriam divididos entre o casal e pagos conforme o combinado entre eles. A relação custo-benefício era muito boa! O investimento no mediador economizaria os custos financeiros do processo judicial, o tempo de José e sua esposa, além da “economia emocional” para eles e seus filhos.

No seu trabalho, o mediador conseguiu ajudar José e Ana a encerrar um ciclo de suas vidas de forma menos sofrida: não houve brigas por bens, por guarda do filho menor, por pensão alimentícia...

Os dois deixam de ser um casal, mas não deixam de ser pais. O respeito com que a separação foi realizada na mediação cuidou daquele relacionamento que, há muitos anos, começou com um amor que já não existia mais. A vida tem dessas coisas, afinal!

O cuidado com as pessoas, com suas histórias e com suas relações é o que faz com que advogados devam analisar os melhores caminhos para o seu cliente. Geralmente, o Judiciário não é um bom caminho... mas a mediação pode ser.



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