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28/07/2020 às 09:00h

Após Portland, confrontos entre polícia e manifestantes voltam a se espalhar por várias cidades dos EUA

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O fim de semana foi marcado em várias cidades dos Estados Unidos por novos, e às vezes violentos, confrontos entre policiais e manifestantes do movimento antirracista. O reacendimento dos protestos, iniciado em Portland, aconteceu após o envio pelo presidente Donald Trump de agentes federais para controlar as manifestações.

Um homem foi morto a tiro perto de uma manifestação em Austin, no Texas. Segundo a polícia, ele estava “provavelmente armado com um fuzil” quando abordou o carro do homem que o matou. O suspeito do crime foi detido, conforme reporta a RFI.

A polícia americana usou granadas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta contra os manifestantes em todo o país. Deflagradas após a morte de George Floyd pela polícia em Minnesota, as manifestações contra o racismo e contra a brutalidade policial se acentuaram após a decisão de Donald Trump de enviar agentes federais às principais cidades americanas.

Além de Austin, os manifestantes protestaram em Louisville, Kentucky, Nova York, Omaha, Oakland, Los Angeles e Seattle. Em Richmond, na Virgínia, o Batalhão de Choque disparou agentes químicos para dispersar a marcha do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), de acordo com a imprensa americana.

Confrontos em Washington e Seattle
Na capital, Washington, pequenas e reiteradas detonações foram ouvidas em algumas ruas e a fumaça subiu de uma área onde os manifestantes atearam fogo em reboques, observou um jornalista da AFP. Os ativistas também furaram pneus de carros e quebraram janelas de trailers. A polícia de choque enfrentou a multidão. Algumas pessoas usaram guarda-chuva para se proteger do spray de pimenta.

No sábado, a polícia de Seattle disse que 45 pessoas foram presas por episódios relacionados aos protestos, classificados como tumultos pelos agentes, segundo a conta oficial da corporação no Twitter. A chefe de polícia, Carmen Best, condenou os protestos. "Os agitadores não levaram em conta a segurança da comunidade, a segurança dos policiais, ou dos negócios e propriedades que eles destruíram", afirmou, segundo os jornais locais.

Agentes federais
Um confronto violento ocorreu depois que policiais e agentes federais dispararam gás lacrimogêneo e dispersaram manifestantes à força, ao sul de Portland, na manhã de sábado (25). A cidade, a maior do estado de Oregon, é palco de protestos noturnos contra o racismo e contra a brutalidade policial há quase dois meses.

Portland também é palco de uma repressão altamente polêmica, por parte dos agentes federais, ordenada por Trump e que não tem apoio das autoridades locais.

'Pequena Beirute'
Para Portland, conflitos sociais e tumultos na rua não são novidade. Essa cidade do estado do Oregon tem uma longa história de ativismo operário e de desafio à autoridade, mas também um sombrio passado segregacionista.

Assim, apesar de sua pequena população negra, Portland não foi uma inesperada cena dos protestos contra o racismo que assolam os Estados Unidos e que levaram o presidente Donald Trump a enviar agentes federais para diferentes cidades.

Retroalimentação

"Dado que Portland ganhou a reputação de liberal, radical (e) progressista, as pessoas passaram a compartilhar essas posições e se gerou uma espécie de retroalimentação, fazendo a cidade se radicalizar ainda mais", disse Steven Beda, professor de História da Universidade de Oregon.

Apesar de sua fama de santuário de esquerda, a cidade e o estado foram o produto de instituições racistas, lembrou Beda.

O Ku Klux Klan (KKK) "teve uma forte presença no Oregon na década de 1920. Atualmente, possui a maior taxa de adesão per capita ... e, nos anos 1920, havia uma relação muito próxima entre políticos e o Klan", acrescentou.

Em 1926, leis locais proibiam a entrada de negros no estado sob pena de serem açoitados - uma punição que era repetida a cada seis meses, se eles continuassem lá.

Portanto, ressalta o professor, o radicalismo deve ser acompanhado "de uma conversa sobre a história de exclusão e de racismo de Portland", onde apenas 6% da população é negra.

As recentes tensões exacerbam as já longamente abaladas relações entre a maioria dos moradores e as autoridades, disse Lownes, o que contribui para a rejeição da chegada de agentes federais.

A polícia de Portland delimitou uma zona de “distúrbios” e ordenou que a multidão deixasse o local. Agentes federais ajudaram a esvaziar a área. Pelo menos dois homens foram detidos. De acordo com um comunicado da polícia de Portland, um homem foi esfaqueado, e o suspeito, "mantido pelos manifestantes", foi detido em seguida por policiais e acusado de agressão. A vítima foi levada às pressas para o hospital com uma lesão grave.

O Departamento de Justiça americano disse ter aberto, na quinta-feira (23), uma investigação oficial sobre a repressão federal. Na sexta (24), porém, um juiz federal do Oregon rejeitou uma tentativa legal do estado de impedir policiais de prenderem manifestantes. Na semana passada, Trump anunciou o envio de um "mar" de agentes federais para lugares onde, segundo ele, há maior criminalidade - incluindo Chicago, após um aumento na violência na terceira maior cidade do país.

Fonte: G1

Foto: Ted S. Warren/AP


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