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09/05/2018 às 09:43h

Iracema – José de Alencar

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Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema. Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira. O favo do jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado. Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas”

O enredo desse romance se apresenta por meio da história de Iracema, a virgem dos lábios de mel, e o amor que acontece entre ela e Martim, guerreiro branco, amigos dos potiguaras – índios da região litorânea – e primeiro colonizador português do Ceará.

Martim perde-se na mata certo dia e acaba sendo encontrado por Iracema, que o leva para a sua tribo e o acolhe ao perceber que ele não é nenhum inimigo e não se trata de nenhuma ameaça, sendo assim, ele passa a ser tratado como hóspede por toda tribo dos tabajaras.

Em pouco tempo, devido a convivência e a aproximação entre os dois, Iracema e Martim acabam por se apaixonar um pelo outro. Contudo, as tribos a quem cada um dos dois pertenciam – potiguaras e tabajaras – eram rivais, devido a aproximação e amizade dos potiguaras com os portugueses e a aproximação e amizade dos tabajaras com os holandeses, eis que aí se começam a nascer os conflitos da narrativa.

Isso porque, os tabajaras habitavam o interior das matas e das florestas do Ceará, enquanto que os potiguaras, habitavam mais as margens litorâneas, o que os faziam disputar territórios.

Certo dia, depois de uma grande celebração na tribo dos potiguaras, o grande chefe Irapuã decidiu que eles entrariam em combate com os potiguaras, sendo ele que lideraria sua tribo.

Os conflitos de Martim com a tribo começam aí, pois ele era amigo dos potiguaras, mas estava apaixonado por Iracema e sua tribo havia o acolhido, como também, descobre-se que o chefe guerreiro Irapuã também está apaixonado por Iracema, o que começa a gerar um conflito entre os dois.

Ao perceber que Iracema também está apaixonado por Martim, aproveita-se para tentar matá-lo, quando o rapaz tenta fugir do combate entre as duas tribos.

Iracema, por sua vez, é filha do pajé da tribo e não pode se casar, pois é guardiã do segredo de jurema, que é a fabricação de uma bebida “mágica” feita de uma planta que, segundo a lenda, é a bebida do próprio Deus Tupã, a quem ela somente faz e entrega para o seu pai, o pajé.

Contudo, ao perceber também que Martim pretende fugir, Iracema trai toda a sua tribo numa noite e se entrega para Martim, perdendo a virgindade e a sua condição de guardiã desse segredo, então, assim, a índia fez com que Martim a tomasse como esposa.

Sendo assim, antes que o conflito se iniciasse, Iracema e Martim decidem fugir juntos para a tribo dos potiguaras, onde o chefe da tribo, Poti, os receberia, segundo Martim.

Então, fugindo do combate e da fúria de Irapuã e de toda a tribo por Iracema tê-los traído, os tabajaras passam a segui-los durante essa fuga. Entretanto, assim que o casal de apaixonados alcança os índios litorâneos, os tabajaras chegam e se inicia o combate entre as duas tribos.

No fim, a tribo de Iracema perde a batalha, então os dois passam a viver com a tribo dos potiguaras a partir daí, mesmo com Iracema triste e abalada com a derrota do seu povo.

Contudo, ao passar do tempo, Martim passa a desprezá-la, não mostrando mais grande interesse pela índia dos lábios de mel.

Isso porque o português começa a sentir saudades de sua terra natal e passa em viver em conflito, pois não pode levar Iracema para Portugal com ele e também não quer abandoná-la, sendo assim, ele começa a participar mais ativante dos afazeres da tribo e ganha o nome de Coatiabo, transformando-se num grande combatente e também em um dos caçadores da tribo, ficando assim muito tempo ausente de casa.

Iracema, por sua vez, sente-se demasiadamente sozinha e triste, pois se encontra em uma situação de não se sentir parte de nada, porque perdeu a sua tribo, não poderia ser parte da tribo dos potiguaras de fato e por seu amor estar cada vez mais afastado dela.

Em determinado momento, Iracema descobre-se grávida de Martim e sofre ainda mais com a ausência de seu esposo, dando à luz a Moacir às margens de um rio, sozinha. Iracema acaba morrendo de tristeza.

Isso faz com que Martin, junto ao seu filho Moacir e o cão de estimação deles, voltem para Portugal para, mais adiante, retornarem ao Brasil para finalmente colonizar o Ceará.

Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta. Ergue a virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista perturba-se. Diante dela e todo a contemplá-la, está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da floresta. Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar; nos olhos o azul triste das águas profundas. Ignotas armas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo. Foi rápido, como o olhar, o gesto de Iracema. A flecha embebida no arco partiu. Gotas de sangue borbulham na face do desconhecido. De primeiro ímpeto, a mão lesta caiu sobre a cruz da espada; mas logo sorriu”.

Os principais personagens de Iracema são planos, como de costume em obras da fase do romantismo. Dentre eles, podemos destacar os seguintes:

  • Iracema

Personagem protagonista maior da história, sendo a figura da donzela idealizada como é característico do romantismo, porém, na obra em questão, Iracema também ganha ares de herói romântico mesmo sendo uma protagonista feminina, levando em consideração que ela é a protagonista maior e símbolo do protagonismo indianista da primeira fase do romantismo no Brasil.

A índia na história é filha do pajé da tribo dos tabajaras, sendo virgem e guardião do segredo de Jurema. Segundo Alencar em sua narrativa, Iracema era caracterizada como: “[…] a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira.

O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque com seu hálito perfumado. Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação Tabajara.

O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas”. Iracema representa o Novo Mundo, ou seja, a América recém-descoberta, que passa a ser colonizada e “destruída” devido o processo de colonização.

  • Martim

Personagem protagonista menor, sendo a figura do herói romântico, um colonizador português que se torna um guerreiro aliado da tribo dos pitiguaras. Caracterizado como um homem bonito, além de possuir todas as características do herói romântico.

Contudo, ao decorrer da narrativa, existe certo afastamento desse personagem com o herói romântico, pois ele passa a ser negligente com Iracema.

Segundo Alencar, Martim era descrito como: “[…] tem nas faces o branco das areias que bordam o mar; nos olhos o azul triste das águas profundas.

Ignotas armas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo”. Martim representa a Europa e os colonizadores, ou seja, o responsável pelo definhar de Iracema, que representa o Novo Mundo.

  • Irapuã

Antagonista da história, sendo chefe dos guerreiros da tribo dos tabajaras, Irapuã é inimigo dos portugueses e aliado dos holandeses, como também, inimigo da tribo dos pitiguaras.

O personagem é caracterizado como um guerreiro corajoso e muito agressivo, sempre motivado pelas piores emoções, em especial, o ódio, que passa a nutrir pelo casal protagonista devido ao fato de também amar Iracema.

Com ciúmes da relação entre os dois, ele tenta de se vingar dos protagonistas de várias formas ao decorrer da narrativa.

Irapuã representa os costumes e tradições indígenas que foram deixados de lado, representa àqueles que eram contra a chegada dos colonizadores no Brasil.

  • Poti

Um dos chefes dos guerreiros pitiguaras, é amigo de Martim, de quem se considera irmão. Poti destaca-se ao lado dos portugueses na luta contra os invasores holandeses no final do romance.

Foi o primeiro índio a ser batizado, e recebe o nome de Antônio Felipe Camarão. Significa no romance a amizade.

  • Araquém

Pai de Iracema e Caubi, Araquém é o pajé dos tabajaras. Como feiticeiro da tribo, detém os poderes de Tupã.

Sua força decorre da prudência e da sabedoria da velhice. No romance simboliza a sabedoria.

  • Caubi

É filho de Araquém e irmão de Iracema. Guerreiro forte e valente que não guarda rancor da irmã. Simboliza no romance o perdão.

  • Moacir

É o filho de Iracema e Martim. Representa a miscigenação entre o português e o índio e também o primeiro cearense. Significa no romance o povo brasileiro.

Iracema não se ergueu mais da rede onde a pousaram os aflitos braços de Martim. O terno esposo, em que o amor renascera com o júbilo paterno, a cercou de carícias que encheram sua alma de alegria, mas não a puderam tornar à vida: o estame de sua flor se rompera”.

Por Ronaldo Galvão

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