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04/12/2017 às 09:43h

Novo tratamento reduz em até 50% episódios de enxaqueca

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Uma nova classe de drogas contra a enxaqueca mostrou resultados promissores em dois estudos publicados nessa quinta-feira (30) no “The New England Journal of Medicine”. Desenvolvidas na forma de injeção, trata-se do primeiro tratamento produzido especificamente para a prevenção da condição que, quando crônica, pode ocorrer 15 vezes ao mês, com duração de horas a dias em alguns pacientes.

Os estudos avaliaram duas injeções: o Erenumabe – que reduziu em até 50% o número de crises por mês – e o Fremanezumabe. As injeções foram produzidas tendo em vista a molécula CGRP (sigla para “Calcitonin gene-related peptide”), produzidas em maior quantidade em pacientes com enxaqueca.

As injeções são anticorpos monoclonais. Essa classe de medicamentos já é usada para o tratamento do câncer. Os cientistas “clonaram” e treinaram anticorpos para reconhecera CGRP e, então, bloquear a ação da molécula, diminuindo a dor.

Hoje, médicos usam medicamentos que são usados no tratamento de outros problemas de saúde, como anticonvulsionantes, antidepressivos e anti-hipertensivos.

“É uma classe específica de prevenção da enxaqueca que traz uma outra perspectiva para o tratamento. Hoje, há medicamentos específicos, a classe dos triptanos, mas eles são usados para interromper a crise quando ela já ocorreu. Não são preventivos”, explicou ao G1 o neurologista Mário Peres, professor do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Ele acompanha os estudos com a molécula e estima que uma das injeções (Erenumabe) seja aprovada no primeiro semestre de 2018 no FDA, órgão que regula medicamentos nos Estados Unidos, e no segundo semestre pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no Brasil.

O neurologista Mário Peres cita que, hoje, há quatro laboratórios testando drogas que visam o bloqueio da CGRP. Ele destaca que a principal vantagem das novas drogas é a tolerabilidade e a quase ausência de efeitos colaterais.

Efeitos colaterais. Os remédios atuais para a prevenção podem causar perda de peso, problemas de memória ou ganho de peso, dentre outros efeitos indesejados.

Molécula está associada ao mecanismo de dor nas crises

A molécula CGRP (sigla para “Calcitonin gene-related peptide”) é formada por 37 aminoácidos e foi descoberta há 30 anos. Localizada no cromossomo 11, ela tem sua produção mediada por um gene homônimo.

“Todas pessoas têm essa molécula, mas ela está presente em maior quantidade em indivíduos com enxaqueca”, explica o neurologista Mário Peres.

Estudo de revisão do "Physiological Review" publicado em 2014 menciona a função vasodilatora da molécula. Ela aumenta o diâmetro de vasos sanguíneos, mecanismo que também está associado à dor na enxaqueca. A molécula também é conhecida por mediar outros processos de dor.

1 - Erunumabe

A pesquisa recrutou 955 pessoas: 317 receberam 70 mg; 319, 140 mg; e 319, placebo (sem a droga).

O primeiro grupo relatou redução de 50% ou mais no número médio de dias de crises de enxaqueca/mês. Já o grupo de 70 mg, redução de 43,3% e o grupo placebo, 26,6%. De modo geral, todos toleraram o medicamento.

2 - Fremanezumabe

Foram recrutados 1.130 pacientes: 376 receberam a droga trimestralmente; 379, mensalmente; e 375, placebo.

O primeiro grupo teve redução de 50% no número médio de crises/mês. No segundo grupo, a queda foi de 41% e no placebo, de 18%. Foram observadas anormalidades de função hepática nos três grupos.

Fonte: O Tempo

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