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24/11/2016

Gentileza atrai gentileza

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É muito bom ver alguns filmes motivacionais na internet. Pessoas felizes, fazendo o bem aos outros de forma gratuita. Sorrisos, mãos apertando, oferta de um apoio. Ver um vídeo deste sempre nos faz ter fé na humanidade.

Mas às vezes a oportunidade de nós mesmos protagonizarmos uma cena destas nos passa despercebida. Nem falo dos que tem a oportunidade, vêem a situação e nada fazem por orgulho ou motivos de desinteresse na boa obra.

Recentemente dirigindo-me a cidade de Itaúna tive a seguinte situação.

Descendo uma serra onde logo abaixo possui um redutor eletrônico de velocidade (radar) localizado na currutela denominada “Carneiros”, reduzi a velocidade ao permitido e pude contemplar a cena hilária: um rapaz segurava-se com todas as forças para manter-se sobre uma motoca (digo motoca, pois a CG150 estava em petição de miséria). Com o pneu traseiro furado, o girar da roda fazia com que a moto saltasse de um lado para outro como um burro xucro. Saltitava e o piloto firme no guidão como o peão nas rédeas. As pernas agarradas firmemente na montaria. Até parecia que ele tiraria o capacete e à moda dos peões o abanaria ao vento vitorioso por manter-se no arreio.

Mas não parou por aí. Ao seu lado, um pouco atrás outro jovem, lambrecado de tinta (deduzi, e depois na conversa acertei, tratar-se de pintores), magrelo como ele só, tentava segurar a parte traseira da moto, mas recebia em recompensa os coices de seu desatinado passo. Segurava e quase era arremessado para o mato como é só de ser quando os cavalos dão suas “debandas”.

Suados, cansados, desarrumados iam à beira da estrada na labuta do que a vida os reservou para aquela manhã ensolarada, com ares que chuva de verão que viria em breve.

Confesso que ri um pouco ao ver a pitoresca imagem. Pareceu-me Quixote sobre Rocinante amparado por Sancho Pança. Mas no caso parecia invertido, pois o galopante da motoca era balofinho e o seu apoiador um raquítico.

Foi quando aquele que julguei ser o garupeiro acenou com o capacete e seus olhos de gato molhado pediram um “pelamordeDeus” aflitivo.

Parei, e ele informou sua trágica desventura:

- Doutor, - não sei porque me chamou de doutor pois estava eu de bermuda e camiseta e logo pensei tratar-se de um de meus antigos alunos - a gente foi ver um serviço! A coisa ‘tá feia. Ganhar um dinheirinho está difícil. Ajuda nois! O peneu - com “e” mesmo, num sotaque caipira bem acentuado - furou e ‘tamos numa guerra danada com a magrela.

Respondi que a moto não poderia levar, mas um deles levaria até alguma borracharia. Ele argumentou:

- Diaxo! Qui nus Carnero num tem remendo! Andemos tudo aqui e nadica de nada! Agora temo que bater nas Itaúna. E vai cair pé d’água!

Em resposta abri a porta do carro e dei-lhe franca entrada. O carona de moto aceitou de pronto a minha carona mais confortável. O semblante do motoqueiro foi uma mescla de alegria pelo socorro conseguido e de tristeza por ficar sozinho com a motoquinha.

Partimos para um posto de gasolina descrente por sabermos que lá não possui borracheiro. Mas a esperança é a ultima que morre. Chegando ao posto vimos no lado oposto uma caminhonete se retirando do local e a placa no posto “não temos borracheiro”.

Em desabalada carreira, atravessei o posto e numa cena digna de filme de ação, parei meu carro adiante da caminhonete, ocasião que uma poeira subiu e envolveu os dois veículos. O meu carona foi logo perguntando ao outro motorista sobre a possibilidade de ele nos ajudar.

O cidadão olhou-me e questionou se eu estava de boa-fé. Respondi que sim. E ele afirmou:

- Vou lá buscar a motoca e levá-la a um borracheiro. Gentileza gera gentileza.

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