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15/06/2018 às 09:48h

Escatologia

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Parece estranho inaugurar a coluna com o título: escatologia. Escatologia tem significados dicotômicos e ao mesmo tempo relacionados a um propósito semelhante. O primeiro diz: escatologia é o estudo das fezes ou o desejo de falar coisas obscenas relacionadas ao termo. O segundo é mais interessante diz: escatologia é o estudo do que há de vir após o fim do mundo e da humanidade. Todos queremos saber o que está por vir. Acredito no devir do caos. Não haverá ordem, ao passo que, tudo será o que é, sem contradições. Talvez, uma serenidade caótica.

Prefiro a segunda definição, para classificar os textos que pretendo publicar nessa coluna. Não será uma tentativa de escrever sobre o sobrevir, mas, será parecido ao caos da alma de um escritor.

Concebi este texto em um momento de recordação da casa de minha avó, que era bem próxima do centro de Pará de Minas e, por outro lado, era infinitamente calmo. Um momento na turbulência.

Em uma sala esquecida em um sobrado velho e decadente de dois andares ao final de uma ruela marginal, onde nem o som da movimentada rua direita chegava, perdido por entre os corpanzis dos arranha-céus imponentes protegido do sol, quando se levantava e quando se deitava, por esses aterradores mausoléus de concreto armado, ouvia-se algo inquietante: um TIC em seguida um TAC, esquecido em um canto da sala, abandonado e suspenso por um prego enferrujado que penetrou a velha parede há séculos, imponente com seu pêndulo, lá estava ele. Uma pequena caixa de madeira toda perfurada pelos cupins, intrépidos seres alados desgarrados que chegavam até aquela sala esquecida e sobreviviam às custas de sua madeira, estava ele lá, um decadente relógio antigo que ainda gemia em TIC's e TAC's. Cada dupla de gemidos uma preguiçosa e magérrima haste, em um concertado movimento, saltava minúsculos espaços, quando completava uma volta levava consigo outra haste mais robusta a dar um saltinho à frente, era a única coisa que se movia e prestava-se a algo. assim, a sala enchia-se de incessantes TIC's e TAC's. Tudo pareceria sempre igual se não fosse pelos TIC’s e TAC’s. tudo parecia eternizado a cada gemido do relógio. Mas, um momento estranho e a minúscula e raquítica haste oscilou em desespero: um salto adiante e outro salto de volta, ouviu-se um TIC, mas não ouviu-se o TAC. Tudo parou a espera do TAC. O silêncio imperava, o TAC não vinha, nada mais se ouvia, ficou tudo congelado. Era o fim dos tempos...

Por Joandre Melo

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