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27/05/2019 às 15:51h

Noivas de Maio

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Maio é o mês escolhido pela Igreja Católica como o Mês de Maria, a mãe de Jesus. Também nesse mês se comemora o dia das Mães. Talvez por essas razões, a maioria dos casamentos se realiza nesse mês. As noivas se esmeram nos preparativos, na roupa e na festa para a qual são convidadas as famílias dos noivos e os amigos. É, até hoje, um grande acontecimento social.

Antigamente, o casamento era a maior glória da vida de uma mulher. Ela vivia em casa sem possibilidade alguma na sociedade, não estudava, não trabalhava, nunca tinha dinheiro. Deveria aprender a costurar, bordar, cozinhar, cuidar da casa. Ler, apenas livros de reza e receita. Ela não sabia de nada do mundo nem do que acontecia ao seu redor. E nessa vida tão reduzida de possibilidades, o ideal máximo que poderia almejar, era o casamento. Casar com um moço de boa posição social, bonito e, melhor ainda, que a amasse. Encontrar o amor era o sonho de todas. Então, depois de se casar com o seu príncipe encantado, poderia ser mãe e administrar uma casa. Teria um lugar de destaque na sociedade e frequentaria as festas e eventos sociais ao lado do marido, ganhando o respeito de todos.

Não se casar era sinônimo de ficar para titia. Cuidar dos pais velhinhos e dos sobrinhos. Ir secando até morrer sozinha. Esse era o destino mais temido pelas moças da metade do século XX para trás. As duas grandes guerras mundiais mudaram esse quadro e a vida das mulheres. Mas, nosso foco é o tempo anterior às guerras. Acredito que, devido a essas circunstâncias vividas pelas mulheres, muitas tragédias aconteciam nos lares de então. Uma moça era obrigada pelos pais a se casar com um pretendente escolhido por eles o que, muitas vezes, fazia dela, o ser mais infeliz do mundo. Muitas amavam quem não podiam amar e precisavam abafar esse sentimento forte e arrasador. Muitos médicos eram chamados para curar moças febris que diagnosticavam como mal de amor.

Não consegui encontrar histórias de amor com final feliz na Vila Rica do século XVIII, nem na Imperial cidade de Ouro Preto do século XIX, menos ainda na primeira metade do século XX na cidade de Ouro Preto. Em compensação, encontrei muitas histórias de mulheres de branco que aparecem para desavisados nas madrugadas escuras e frias. Dizem que são as almas de belas donzelas que se foram dessa vida sem ter realizado seu sonho de amor.

Em todas as cidades antigas de Minas encontramos histórias de visões noturnas e, quase sempre, são moças de branco perambulando sem rumo pelas madrugadas. Um detalhe: elas são vistas apenas pelos homens. Talvez porque eles são os que mais circulam pelas ruas das cidades, à noite.

Eu vivo em Ouro Preto há mais de trinta anos e nunca vi uma dessas aparições, mas conversando com moradores ouvi deles que elas existem. Não coloco em dúvida seus depoimentos e relato um caso que ouvi.

Um jovem trabalhava como vigilante em um prédio público e, portanto, passava as noites em claro. Um dia, já passando da meia noite, ele viu uma jovem de branco passando na rua oposta. Chamou em vão. Decidiu acompanhá-la. Deixou seu posto e seguiu a jovem. Percebeu assustado, que por mais que corresse ele não conseguia alcançá-la. A distância sempre era a mesma. Afinal ela se dirigiu a um dos muitos cemitérios, anexos às igrejas, que existem na cidade. Apavorado ele saiu correndo, pernas bambas e bateu na primeira casa onde lhe deram água e esperaram que se acalmasse para voltar ao seu posto de trabalho.

Por mais cética que eu seja sobre essas histórias assombradas, não posso duvidar do relato de alguém que foi protagonista de uma aparição.

Por Ângela Xavier


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