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22/05/2019 às 08:36h

Tremor em São João del Rei deve ter sido provocado por detonação de explosivos, confirma sismólogo

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A detonação de explosivos por uma mineradora deve ter sido a causa para o tremor de terra registrado em São João del Rei, na região do Campo das Vertentes, no início da noite de segunda-feira (20). A informação foi confirmada pela Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), que registrou um tremor de 2.0 de magnitude na escala Richter na região – anteriormente, a informação era de 2.8, mas os especialistas reviram a análise.

O tremor foi detectado no mesmo dia em que um terremoto de 3.9 de magnitude foi registrado na cidade de Delfinópolis, no Sudoeste de Minas, por causa da acomodação de uma falha geológica.

O tremor foi sentido em outras cidades, como Tiradentes e Santa Cruz de Minas, e houve registros de pequenos prejuízos em residências, como janelas quebradas, mas sem gravidade, de acordo com o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil de São João del Rei.

Os sismólogos confirmam que o tremor poderia ter sido causado pela detonação de explosivos por uma mineradora em Santa Cruz de Minas. “Ao fazer a detonação, há uma liberação de energia muito forte e as pessoas sentiram isso. Alguns abalos por detonações são detectáveis por nossos equipamentos”, explica George Land, professor do Observatório Sismológico da UnB e membro da RSBR.

De acordo com a Defesa Civil de São João del Rei, integrantes do poder público e da Polícia Militar foram até a sede da mineradora na manhã desta terça-feira (21) e receberam a confirmação de que houve uma detonação de explosivos no mesmo momento em que o tremor foi sentido por moradores da região. O trabalho teria sido feito por uma empresa terceirizada, de acordo com o dono da mineradora.

O Corpo de Bombeiros e o Exército Brasileiro não foram avisados da detonação, conforme exige a lei, de acordo com a Defesa Civil. O dono da empresa “foi orientado a sempre informar previamente as autoridades competentes sobre as detonações a serem realizadas, para que a população possa ser devidamente informada pelos meios de comunicação, evitando novos transtornos”, de acordo com o órgão municipal.

A reportagem entrou em contato com a mineradora, mas não obteve retorno. 

Tremores são comuns

Diferentemente do que muitos acreditam, há terremotos no Brasil. Entre maio do ano passado e a atualidade, a RSBR registrou 686 eventos de atividade sísmica. De acordo com George Land, os tremores em Minas são mais comuns nas regiões do Triângulo Mineiro e do Sudoeste. “Em 1990, teve um tremor de 4.1 em Sacramento e, em 2016, houve um tremor de 2.3 em Delfinópolis. Ali existe uma atividade sísmica de acomodação de falha geológica”, explica.

Um dos terremotos mais marcantes da história do Brasil aconteceu justamente em Minas Gerais. Em 2007, um tremor de terra de 4.9 de magnitude destruiu casas e deixou pessoas feridas em Itacarambi, no Norte de Minas.

Por outro lado, Land explica ainda que é muito difícil a atividade minerária provocar grandes tremores, pois sua atuação atinge camadas mais superficiais da terra. Quando uma atividade de detonação de explosivos é realizada por uma mineradora, o Exército deve ser avisado para realizar ações de segurança.

De acordo com o especialista, se o tremor tem 3.9 de magnitude, pode haver rachaduras e estragos em residências não construídas com tecnologia mais moderna da engenharia civil. Já um terremoto com número acima de 4.5 pode provocar abalos até mesmo em residências mais bem construídas. Quando há destruição de prédios, como acontece em países da Ásia e do Oriente Médio, o terremoto costuma ter um número superior a 6.5 na escala Richter.

Fonte: Hoje em Dia


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