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01/03/2018 às 10:43h

Contra onda de boatos, estatística prova eficácia da vacina da febre amarela em Minas

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O surto de febre amarela que pelo segundo ano seguido assusta Minas Gerais – só na atual temporada são 96 mortes confirmadas pela doença no estado – e também outras unidades da Federação, como Rio de Janeiro e São Paulo, encontra um obstáculo virtual no caminho rumo à diminuição dos casos e controle da situação. Enquanto a vacinação se apresentam como a forma mais importante e segura para atacar o problema, um mar de boatos que se espalha feito rastilho de pólvora pelos celulares conectados à internet acaba gerando desconfiança da população, principalmente com relação à eficácia da vacina, que chega a 98% segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG).

Os 11 casos confirmados da enfermidade em pessoas que tomaram uma dose da vacina representam 0,00006% no universo de cerca de 16 milhões de pessoas imunizadas no estado, o que, para especialistas e a própria SES/MG, é crucial para desmentir qualquer informação falsa. Entre vários tipos de notícias que não são verdadeiras divulgadas em grupos de WhatsApp e também nas redes sociais, se destacam a ineficácia da medida preventiva perante uma mutação do vírus da febre amarela e a falta de eficiência das doses fracionadas, recomendação do Ministério da Saúde para 15 milhões de pessoas no país. Mensagens de áudio, texto e vídeo em nome de pseudomédicos e enfermeiros ganham notoriedade e questionam a imunização, criando na população uma resistência à vacina.

Se você tem o costume de usar algum aplicativo de mensagens pela internet no celular ou está ligado às redes sociais já deve ter recebido alguma mensagem condenando a vacina. Seja em nome de uma médica do Instituto Butantan, de São Paulo, ou uma conversa entre pessoas ligadas ao Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte, ou até mesmo um link com uma matéria publicada no site da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), organização que é a responsável pela produção da vacina, com uma mensagem que não condiz com o teor da publicação. No texto, de 17 de maio do ano passado, a Fiocruz revela que estudos identificaram mutações no vírus da febre amarela ao fazer o sequenciamento genético, mas deixa claro que “sobre um possível impacto para a vacina disponível, os pesquisadores explicam que o imunizante adotado atualmente protege contra genótipos diferentes do vírus, incluindo o sul-americano e o africano. Além disso, as alterações detectadas no estudo não afetam as proteínas do envelope do vírus, que são centrais para o funcionamento da vacina”, informa o texto, ratificando que não há problema com o imunizante que é aplicado atualmente.

Reforçando o comunicado da Fiocruz, a médica infectologista Virgínia Zambelli, vice-presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, destaca que os números de Minas Gerais mostram inclusive uma eficácia ainda maior do que é esperado, já que os 11 vacinados que contraíram febre amarela em Minas representam um percentual perto de zero em relação aos 16 milhões de imunizados. “As pessoas que ainda não se vacinaram e não têm contraindicações precisam se vacinar, pois ficar sem essa proteção é a maior forma de se expor ao risco da doença”, acrescenta a médica, destacando que nenhuma vacina é 100% eficaz.

Na onda virtual contra a vacina se destaca também um áudio atribuído a uma pessoa que seria médica do Instituto Butantan, organização paulista responsável por pesquisas na área biológica e produção de outros produtos usados no Programa Nacional de Imunização (PNI).

Na mensagem, a mulher desaconselha uma amiga a vacinar o filho, destacando que a vacina só é recomendada porque o risco de suas complicações é melhor do que morrer de febre amarela. Especialistas e o Ministério da Saúde apontam que o risco de uma reação adversa à vacina é de 1 caso para cada 400 mil aplicações e, conforme Virgínia Zambelli, não há nenhum relato desse tipo de complicação em Minas Gerais desde o surto do ano passado. Além disso, a mesma mulher aparece nos boatos como médica, pesquisadora, enfermeira e nunca tem seu nome revelado, motivos suficientes para gerar descrença.

O médico infectologista e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Dirceu Greco lembra que, apenas em Minas Gerais, a média de imunização da população antes do primeiro surto, no ano passado, girava em torno de 45% – hoje é de 89%, ainda aquém dos 95% preconizados pelo governo de Minas e pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para áreas de risco da doença. “Isso é uma explicação para os casos, pois o índice de vacina era baixo”, afirma Greco. A vacina produzida pela Fiocruz que protege contra a febre amarela é o vírus atenuado da doença, que motiva o organismo a produzir os anticorpos que vão proteger as pessoas para o resto da vida. Mas isso também foi suficiente para gerar boatos de que o vírus atenuado estava desenvolvendo a doença nas pessoas. “A vantagem da vacina atenuada é justamente o fato de que a resposta imunológica é mais intensa”, acrescenta Dirceu Greco.

INVESTIGAÇÕES A expectativa do subsecretário de Vigilância e Proteção à Saúde da SES/MG, Rodrigo Said, é de que os cerca de 2 milhões mineiros que ainda não foram imunizados no estado sejam vacinados o mais rápido possível, pois está mais do que provado que a vacina é a principal proteção contra a transmissão do vírus. “Estatisticamente, 11 casos são abaixo do que é visto pela literatura científica e isso nos aponta que a vacina tem sua eficácia. Agora, nós precisamos aprofundar a investigação dos 11 casos. Nas investigações que já fizemos e com os registros até o momento não encontramos situações específicas”, afirma. Por fim, Said faz um alerta para quem tem o costume de divulgar informações falsas na internet. “As pessoas devem checar as fontes das informações. Aqui na secretaria, todos os trabalhos seguem a medicina baseada em evidências e com o respaldo da OMS”, finaliza o subsecretário.

INFORMAÇÃO NA DOSE CERTA

Saiba o que é verdade e o que é boato sobre a febre amarela


  FALSO
A vacina contra a febre amarela não é segura devido à mutação do vírus.
Explicação: As alterações detectadas no sequenciamento genético que comprovam a mutação não afetam as proteínas do envelope do vírus, que são centrais para o funcionamento da vacina

  FALSO
A dose fracionada da vacina da febre amarela, que contém 0,1ml, é mais fraca e por isso não protege.
Explicação: Estudo conduzido pela Fiocruz identificou a presença do mesmo nível de anticorpos da dose-padrão na dose fracionada até oito anos depois da imunização

  FALSO
Os macacos transmitem febre amarela
Explicação: Os macacos são picados pelos mosquitos infectados e se tornam vítimas da doença da mesma forma que os seres humanos. Outros mosquitos que não estão infectados picam os macacos ou os homens, e, assim, criam-se as condições para espalhar a doença. Não há transmissão direta entre o macaco e o homem

  FALSO
Médico de Sorocaba diz que a vacina contra febre amarela paralisa o fígado.
Explicação: Especialistas e autoridades de saúde apontam que há risco de efeitos colaterais na vacina da febre amarela em um a cada 400 mil casos. Entre os efeitos está a possibilidade de desenvolver a doença, já que a vacina é o vírus atenuado. Nesse caso, a forma grave da febre amarela pode apresentar complicações no fígado

  FALSO
Ninguém deve tomar vacina, segundo uma enfermeira de Minas Gerais
Explicação: A vacina só não é recomendada para crianças de até 9 meses de idade, mulheres amamentando crianças com menos de seis meses, pessoas com alergia grave a ovo, pessoas que vivem com HIV e que têm contagem de células CD4 inferior a 350, pacientes em tratamento com quimioterapia e radioterapia, portadores de doenças autoimunes e pessoas submetidas a tratamento com imunossupressores

  VERDADEIRO
Algumas pessoas mesmo vacinadas podem desenvolver a doença.
Explicação: A literatura aponta até 98% de eficácia da vacina, sendo possível que algumas pessoas, consideradas raríssimas exceções, desenvolvam a doença mesmo sendo imunizadas

  VERDADEIRO
Uma pessoa com febre amarela silvestre pode ser fonte para um surto de febre amarela urbana
Explicação: No ambiente urbano, o Aedes aegypti pode transmitir a febre amarela, situação erradicada no Brasil desde 1942. Porém, se o Aedes aegypti picar uma pessoa que pegou a doença no ambiente silvestre, podem-se desencadear transmissões urbanas

  VERDADEIRO
Existem casos em que somente um médico pode avaliar a necessidade da vacina.
Explicação: Idosos acima de 65 anos, pessoas que terminaram tratamento de quimioterapia/radioterapia, grávidas e pessoas que usam corticoide precisam consultar um médico para avaliar os riscos da imunização

  VERDADEIRO
Não é possível eliminar o vírus da febre amarela silvestre
Explicação: Como é uma doença transmitida por animais, sua transmissão não é passível de eliminação, exigindo vigilância e ações de controle, como a vacinação

Fonte: Estado de Minas

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