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01/03/2021 às 08:49h

Atrasadas em 5 meses, obras de captação de água em rio atingido por lama da Vale ainda não foram entregues

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Não há data definida para a conclusão das obras da nova estação de captação de água no rio Paraopeba, afetado pela lama da barragem da Vale que se rompeu em Brumadinho há mais de dois anos. Elas são de responsabilidade da mineradora, de acordo com termo de compromisso assinado em conjunto com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

A nova estação, que começou a ser construída em outubro de 2019, deveria estar concluída em setembro de 2020. Em dezembro, a Vale disse à Comissão Especial de Estudo – Abastecimento Hídrico, da Câmara Municipal de Belo Horizonte, que a nova previsão de entrega seria fevereiro deste ano, cinco meses depois do acordado.

Dias depois, vereadores apresentaram um relatório, alertando para o risco da capital e da região metropolitana sofrerem uma crise no abastecimento de água por causa do atraso nas obras de captação. A expectativa agora, segundo a Vale, é que a estação seja entregue neste mês de março.

A comissão da Câmara Municipal visitou as obras na semana passada. De acordo como relator, o vereador Irlan Melo (PSD) a primeira etapa deve mesmo ficar pronta em breve. Mas a capacidade total do empreendimento só deverá acontecer no segundo semestre deste ano.

Com o grande volume de chuvas que atingiram Belo Horizonte no fim de 2020 e início deste ano, os reservatórios estão acima de 90% de sua capacidade, afastado a possibilidade de uma crise de abastecimento.

Em nota, a Vale disse que "a fase de comissionamento e testes deve começar nas próximas semanas, com a vazão inicial de 1.000 l/s, sendo aumentada gradualmente até atingir a vazão nominal de 5.000 l/s. O funcionamento do novo sistema à plena capacidade restabelecerá a mesma vazão (5.000 l/s) da captação atualmente suspensa no rio Paraopeba. Paralelamente, a Vale implementou um conjunto de ações emergenciais para contribuir com o abastecimento de água pela Copasa e fortalecer o sistema hídrico que atende a Região Metropolitana de Belo Horizonte, como a reativação de grandes poços no Vetor Norte e a interligação dos sistemas Velhas e Paraopeba".

O antigo sistema de captação do Rio Paraopeba foi construído pelo governo de Minas em 2015 para minimizar os impactos da crise hídrica. Mas, com o rompimento da barragem da mina do Córrego do Feijão, em janeiro do ano passado, essa captação precisou ser suspensa, já que o rio foi atingido pelos rejeitos.

A preocupação era que, sem a captação de água do rio, houvesse desabastecimento de água em Belo Horizonte e Região Metropolitana. Por isso, a Vale teve que construir o novo sistema, que fica 12 km acima da estrutura com captação suspensa, onde o rio não recebeu lama.

O Ministério Público disse que "vem acompanhando a evolução das obras, em constante diálogo com o Estado e a Copasa, e está analisando o teor das justificativas apresentadas para o atraso".

A Copasa informou que no momento não há risco de desabastecimento e que o termo de compromisso "possui como compromitente o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e como compromissária a empresa Vale S.A., além de outros intervenientes, dentre eles a própria Copasa".

Nível dos reservatórios
O reservatório Rio Manso, que recebia a água bombeada do rio Paraopeba, estava com 93% até esta sexta-feira (26). Em outubro do ano passado, nove meses depois do rompimento, ele estava com 44,4% da capacidade.

Já o reservatório Vargem das Flores estava com 100%, nesta sexta. No ano passado, também em outubro, a capacidade estava em 49%.

O Serra Azul, que ficou em situação mais crítica durante a crise hídrica, se recuperou e estava com volume em 95,3% até esta sexta-feira. Em outubro do ano passado, o reservatório estava com 49,8%.

Acordo bilionário
O acordo bilionário firmado entre o governo de Minas Gerais e a Vale, para reparar os danos causados pela tragédia em Brumadinho, também prevê investimentos para garantir segurança hídrica.

Dos mais de R$ 37 bilhões, R$ 2,05 bilhões deverão ser destinados a obras nas Bacias do Paraopeba e do Rio das Velhas, "que garantirão a segurança hídrica da Região Metropolitana de Belo Horizonte, inclusive de municípios atingidos".

Fonte: G1

Foto: Ibama/Divulgação

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