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Sette Câmara fala sobre pagamentos que recebeu do Atlético e critica vazamento de trechos de auditoria da Kroll

30/10/2020 às 09:00h

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Divulgados em redes sociais, trechos de um relatório elaborado pela empresa de auditoria Kroll citam o presidente do Atlético, Sérgio Sette Câmara, e o vice Lásaro Cândido da Cunha. Antes de assumirem os cargos que atualmente ocupam, os advogados prestaram serviços remunerados à instituição. Em entrevista exclusiva ao Superesportes (leia as respostas completas ao fim desta reportagem), o mandatário confirmou ter sido compensado financeiramente em função de contratos firmados entre o clube e o escritório de advocacia que administra.

“É verdade. Foram sete anos prestando serviços para o clube. O contrato teve variações. Eu lembro que teve uma época em que ele era de R$ 45 mil, depois ele passou para R$ 60 mil. É só você multiplicar pelo número de anos e você vai concluir que o valor que eu recebi é mais do que compatível com o tempo todo de serviço. Eu tenho todas as notas (fiscais), todos os contratos e o relatório de todos os processos que eu advoguei para o clube”, disse.

Segundo trecho dos documentos vazados, a Sette Câmara Advogados recebeu do Atlético R$ 2.996.654,33 em três contratos firmados entre agosto de 2010 e dezembro de 2017. O período engloba o mandato do dirigente na vice-presidência do Conselho Deliberativo alvinegro (2016-2017). A prestação de serviços foi encerrada em 2018, quando o advogado assumiu oficialmente a presidência.

“Esse negócio que vazou aí eu não sei de onde saiu, não tenho a menor ideia. Mas tenho absoluta certeza de que não fui eu e nem (ninguém) do Atlético. É uma coisa que eu não tenho realmente essa informação para dar. O que eu posso dizer da minha parte é que é verdade que nós recebemos esse valor e que foi em decorrência dos serviços prestados ao clube durante acho que mais de sete anos. Se você dividir, vai dar uma média aí de R$ 30 mil? Não vai ser bem assim porque ele já foi menor, já foi maior... Dependia da quantidade de processos”, garantiu Sette Câmara, que destacou: “Eu não vou fazer nenhum comentário sobre as auditorias a não ser sobre a parte que me toca.”

Lásaro Cândido da Cunha

Vice-presidente do Atlético, Lásaro Cândido da Cunha foi mencionado em outro trecho do relatório vazado. De acordo com o documento, a empresa do dirigente (Lásaro Advogados) recebeu R$ 495.528,00 do clube em referência a um contrato válido entre 4 de outubro de 2016 e 11 de agosto de 2017.

Lásaro se pronunciou publicamente sobre o vazamento, em postagem no Twitter na noite dessa quarta. "Tive notícia há pouco que parte de um relatório atribuído à Kroll, que insinua que recebi remuneração do Atlético, eventualmente sem contrato. Isso é tudo falso. Não sei se esse trecho que está sendo divulgado em grupos (de aplicativo de mensagem) é verdadeiro, porque não tive acesso ao relatório da Kroll, só a presidência (teve)”, inicia.


De saída do Atlético em dezembro - quando acaba o mandato atual -, Lásaro ocupou diferentes cargos na administração alvinegra. Entre 2012 e 2014, foi diretor jurídico - cargo que acumula com a vice-presidência desde o início da gestão Sette Câmara. Em 1º de setembro de 2016, foi registrado pelo clube como ‘assessor de diretoria’, mas não recebeu, de acordo com os documentos, pagamentos por meio do regime CLT.

“Essa parte que é atribuída a mim é uma coisa lamentável, porque eu já publicizei várias vezes que, nesses 12 anos (de clube), fui remunerado durante um ano e sete meses no Atlético. Fui remunerado, sim, tudo registrado, com contrato, nota fiscal, trabalho. E os outros dez anos e pouco, sem remuneração. Qual o problema que tem nisso? É zero problema. Tenho os contratos. Peguei cópia lá no Atlético. Os contratos estão registrados, sem problema algum”, prosseguiu.

“Outras questões do relatório - ao qual não tive acesso e, se tiver irregularidades, o clube toma as medidas -, eu acho quase uma sacanagem fazer isso. Divulgar e-mails, coisas pessoais. Vou, inclusive, interpelar a Kroll para saber como ela teve acesso aos meus e-mails particulares. Embora lá não tenha nada, mas é minha vida. As coisas não são assim. É lamentável isso. Estou finalizando o meu período de gestão agora em 2020, mas é realmente revoltante isso”, completou.

A Kroll

Diante do vazamento de informações confidenciais, a Kroll se posicionou por meio de uma nota oficial, divulgada no site do Atlético, e garantiu que as conclusões da auditoria foram enviadas exclusivamente para uso interno. “São subsídios para que o cliente busque sanar as vulnerabilidades identificadas, incluindo a falta de documentação para algumas transações".

Fonte: Super Esportes

Foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press

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