02/03/2026 às 09:52h
Até a última sexta-feira (27/2), a cidade de Juiz de Fora, na Zona da Mata, tinha acumulado 752,4 mm de chuva, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O número, 342% maior do que a média climatológica dos últimos 30 anos para o mês (170,3 mm), é consequência do aquecimento global, que, segundo estudo internacional publicado na quinta (26), tornou as chuvas até 20% mais intensas que as de antes, contribuindo diretamente para a morte de pelo menos 72 pessoas.
Para chegar a esse percentual, o estudo, publicado pelo ClimaMeter, projeto financiado pela União Europeia e pelo Centro Nacional de Pesquisa Científica da França, comparou os dados do temporal nas cidades mineiras com padrões meteorológicos semelhantes de dois períodos: entre 1950 e 1987; e de 1988 a 2025. Para a pesquisadora brasileira Suzana Camargo, da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, a variabilidade natural sozinha não explica o enorme volume registrado, o que aponta diretamente para a relação com o aumento de 1,3º C na temperatura do planeta.
“O aumento na frequência e na intensidade da precipitação extrema é uma das consequências esperadas das mudanças climáticas decorrentes da ação do homem, e este evento de inundação está alinhado com essas expectativas. Isso demonstra a necessidade urgente de acelerar medidas de adaptação e implementar estratégias robustas de mitigação de risco de enchentes para proteger as comunidades”, alerta a pesquisadora. Ainda segundo Suzana, apesar de o estudo ter focado em Minas Gerais, essas chuvas intensas já afetaram partes de São Paulo e do Rio de Janeiro, além de existir previsão de novos temporais na região nos próximos dias.
A meteorologista Anete Ferreira, do Inmet, alerta que, considerando o panorama do aquecimento global, a sociedade como um todo, e não apenas a Zona da Mata, precisa se preparar para enfrentar extremos climáticos. “O mundo tem que se preparar, pois, quando eu falo de extremos, não estou falando só de chuva em excesso, mas também de escassez de água, seca, frio e calor extremos, por exemplo. Então, precisamos estar preparados para essa sucessão de eventos. E não é algo que a meteorologia consiga fazer sozinha, é preciso envolver toda a sociedade”, garantiu.
Para se ter ideia, com 81 mortes já contabilizadas em decorrência das chuvas, Minas Gerais já registrou o seu período chuvoso mais mortal dos últimos 20 anos. Levando-se em consideração apenas as 68 mortes já confirmadas em Juiz de Fora e Ubá, as cidades mais atingidas, o número já supera 19 dos últimos 20 períodos chuvosos no Estado.
Com informações O TEMPO
Foto: Espacial FM
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