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01/11/2016

Padre Antônio Vieira

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Leitura Obrigatória

Pretendo enumerar alguns dos sermões de Pe. Vieira e desmistificar o fato de os sermões serem maçantes e carregados de doutrina religiosa. Pe. Vieira foi um homem além de seu tempo. Política, relações humanas, conselhos e vários outros tema de uma importância tal que até mesmo aqueles de crenças que refutam a vocação cristã católica apostólica romana devem ler.

SEXAGÉSIMA (1655): Direcionado aos que pretendem ter uma boa oratória. Analisa cinco circunstâncias para um bom orador: a pessoa, a ciência, a matéria, o estilo e a voz. “Para falar ao vento, bastam palavras; para falar ao coração, são necessárias obras.” “O pregador há de pregar o seu e não o alheio.” “Pregação que frutifica, a pregação que aproveita, não é aquela que dá gosto ao ouvinte, é aquela que lhe dá pena. O ouvinte deve tremer, ter o coração apertado. Quando o ouvinte vai do sermão para casa confuso e atônito, sem saber parte de si, então é a pregação que convém; então pode esperar que faça fruto.

SERMÃO DE QUARTA-FEIRA DE CINZA (1672): Tu és pó, e ao pó retornará! Pesquisa a forma de viver do homem. Grandes lições de vida. “Roma foi tantas vezes destruída e reerguida para que a cabeça do mundo tivesse uma caveira em que se ver.” “Homenzinhos miseráveis, loucos, insensatos, não vedes que sois mortais? Tudo que afana, adquire ilicitamente nada adiantará, somente lhe restará sete palmos abaixo da terra!” “pergunte-se sempre: quanto tenho vivido? Como vivi? Quanto posso viver? Como é bem que viva?”

QUINTA QUARTA-FEIRA DA QUARESMA (1669): A cegueira do homem. “Porque o gentio, o judeu, e o herege são cegos sem fé, e com os olhos fechados; e só nós os Católicos somos cegos com a verdadeira fé, e com os olhos abertos.” “Três tipos de cegos: os que vêem e se recusam a ver; os que vêem uma coisa por outra e por fim, os que vendo demais, somente não vêem sua sequeira.” “Divertiam-se com o ódio, divertiam-se com a inveja, com o interesse, com a soberba com a autoridade e ostentação própria; e como estava a atenção tão divertida, tão embaraçada tão perturbada, por isso não viam o que estavam vendo.”

QUINTA DOMINGA DA QUARESMA (1654): Altamente político! Uma lição de austeridade política. “No Maranhão, ninguém diz a verdade, tudo é intriga. Esta é fruto do ócio que, à falta de ação, imagina, e ao enunciar como existente o que é apenas imaginação, mente.” “A verdade que vos digo, é que no Maranhão não há verdade.”

VISITAÇÃO DE NOSSA SENHORA (1640): De tudo que se refere ao Pe. Vieira correm os evangélicos, mas deste, por se tratar de “Nossa Senhora” que é figura repulsiva a eles, correm mais ainda. Mas na verdade trata-se de um dos mais politizados sermões de Pe. Vieira. Trata da corrupção no Brasil e da aplicação no Brasil dos bens nele conquistados. “A Bahia está carregada de tributos para sustentar os seus presídios. Imponha a si um outro tributo para aqueles que vos defende.”

DEMÔNIO MUDO (1651): Mais conselhos. “Quando o demônio vem como leão bramindo, avisa-me o leão, e avisa-me São Pedro; mas quando ele vem mudo, nem o leão, nem São Pedro pode avisar.” “Quem pretender ser como Deus, há de perder a dignidade de ser homem.”

QUINTA TERÇA-FEIRA DA QUARESMA (1673): No homem, o “apetite de ser visto” é semelhante a sua exigência de um Deus visível. Fala dos boatos e da felicidade de agir discretamente sem necessidade de recompensas.

No Sermão das Obras de Misericórdia (1647) trata da misericórdia para com o pobre, muitos políticos fazem mau uso deste sermão e lê-lo é um alerta para evitar cair nas garras das mentiras governamentais. No sermão das Exéquias do Sereníssimo Infante de Portugal D. Duarte (1649) uma lição que o homem se acaba e morre! A seus feitos políticos devem ficar para sempre em favor da sociedade. Nossa Senhora do Ó (1640) exalta o amor. O gozo supõe a contemplação do amado.

Existem ainda cerca de cinco dezenas de sermões que poderiam compor um artigo enorme aqui neste espaço. Mas com estes citados penso ter despertado a curiosidade do leitor em buscar ler Pe. Antônio Vieira independentemente de sua crença religiosa. Ler Pe. Vieira é encontrar ensinamentos dos mais variados para as mais variadas convivências sociais.

Recomendo ainda uma obra igualmente densa sobre nosso personagem, mas quando ainda era Seminarista: “Transcendência, poder e cotidiano” obra organizada por Luiz Felipe Baêta Neves traz as cartas (cerca de 98) onde o seminarista Vieira analisa a conjuntura político social do Brasil. Uma aula de administração política sem igual.

Boa leitura a todos!

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