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28/01/2020 às 09:12h

O Circo

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As coisas mudaram muito nos últimos anos. Melhorou a vida em vários aspectos, mas muitas coisas se perderam, como os pequenos circos que percorriam as cidades com suas surpresas. O circo era algo fantástico, principalmente para as crianças dos anos 50 quando não havia TV e o cinema estava ainda começando.

Lembro-me da euforia provocada pela chegada o circo a Pará de Minas. Ele era montado na Várzea quase sempre e a criançada acompanhava tudo, desde a montagem da lona até o cuidado com os animais. No final da temporada já havia uma amizade gostosa com todos os componentes do circo.

A propaganda para atrair o público era um espetáculo à parte. Lembro-me de um circo que desfilou com seus astros pelas ruas da cidade e eu, pequena ainda, via tudo dependurada na janela da casa da vovó Lilina, na rua São José 389. Desfilavam girafas, ursos e leões dentro de suas jaulas. Os cavalos enfeitados tinham acrobatas se equilibrando sobre suas montarias. Num dado momento, o cortejo parou. Era uma girafa que comia calmamente as folhas tenras de uma árvore que havia em frente à casa do tio Tavinho Xavier, a última casa antes de subir para o jardim da prefeitura. A girafa nem se dava conta de que havia parado o cortejo e saboreava as folhas satisfeita.

No desfile havia também um elefante. Uma moça de maiô brilhante era apanhada pela sua tromba, e colocada em cima dele. Depois vinham os palhaços dando piruetas, o mágico com sua cartola de onde saia um coelho. E mais os trapezistas, os atores, os malabaristas jogando suas bolas para cima, chipanzés vestidos como gente e uma pequena orquestra. Na frente, abrindo o cortejo, ia o apresentador vestindo smoking colorido. Ele tirava o chapéu saudando a todos. Ninguém perdia um espetáculo como este.

Circo cheio, crianças e adultos dependurados nas arquibancadas comendo pipoca ou chupando pirulito de mel, esperavam o início do grande espetáculo. O show sempre começava com a entrada dos palhaços fazendo rir a todos enquanto o cenário do próximo número era montado.

Palhaço famoso, nosso conterrâneo foi o Benjamim de Oliveira. Benjamim do Malaquias, como era conhecido. Criança ainda, fugiu com um circo e se tornou palhaço. Meu pai, Zezinho Xavier, se lembra de um show onde ele se apresentava com sua filha Jussara e cantava:

“Eu vi você bulinar Lili, eu vi,

Fiquei muito admirado

De ver você beijando o namorado”

Benjamim inovou o espetáculo circense com peças teatrais, números cômicos, números musicais, numa tentativa de fazer frente ao cinema que crescia muito. Ele se apresentava também no Ideal Cinema, o cinema do Juca Ferreira. Sempre, ao chegar ao Pará, ele abraçava e beijava o coqueiro que havia defronte da antiga Matriz de Nossa Senhora da Piedade.

Um circo famoso que sempre se apresentava no Pará era o Circo Irmãos Elias. Seus donos eram da nossa região e toda a família trabalhava no circo. Lembro-me de um número incrível com vários irmãos e irmãs acrobatas que formavam uma grande pirâmide e depois saltavam um após o outro e iam se aparando. O menor era uma criança de uns 6 anos. Incrível! Este circo, como muitos outros de pequeno porte, foram desaparecendo com o surgimento da televisão. Dizem que a dona do circo ficou doente, sua vida não tinha sentido, quase morria de tristeza, pois não se acostumava com a vida fora do circo. Então, seus filhos resolveram comprar um pequeno circo para ela. Eu cheguei a ver essa senhora, já velhinha, à frente do seu circo, se apresentando pelas cidades do oeste mineiro.

O circo fazia parte de nossa vida, do nosso dia a dia enquanto estava na cidade. Era o sonho tornado realidade. Saudades dos pequenos circos que percorriam o interior do país trazendo alegria, magia e emoção!


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