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28/12/2019 às 09:00h

Paladares e Histórias

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Delícias do paladar fazem parte do viver com prazer e alegria. Cada lar tem seus pratos e quitutes próprios, que lhe dão personalidade. E receitas têm histórias.

Pará de Minas é uma cidade pródiga em receitas de polvilho. Vamos à minha favorita.

Biscoito de farinha – receita da Maria José filha da Josina que veio de Maravilhas. Eu já havia tentado fazer este biscoito várias vezes e foi um fracasso. Resultava num biscoito duro ou muxibento. Um belo dia, a Maria José estava em casa de meus pais e eu perguntei se ela sabia fazer este biscoito. Ela se prontificou e eu acompanhei tudo, tomando o cuidado de anotar todos os detalhes que agora compartilho com vocês.

Ingredientes e modo de fazer:

1 quilo de polvilho doce, 350 gramas de manteiga – misturar bem até homogeneizar a massa. Acrescentar um quarto de queijo Minas curado ralado, uma colher de sobremesa de sal, um copo de farinha de milho humedecida em um copo de leite. Misturar tudo. A massa fica esfarinhada formando “capitão”. Acrescentar quatro a cinco ovos e sovar bem. A massa deve ficar homogênea e no ponto de enrolar. É preciso sovar cada porção na mão até ficar esbranquiçada e macia. Enrolar grosso e dobrar fazendo um círculo. Ele cresce pouco. Assar inicialmente em forno quente e depois médio. Tirar quando assado e branco. Se corar fica duro. Comer com café coado na hora, se possível, café de cheiro.

Este biscoito é trabalhoso, mas vale a pena o empenho pela delícia. As famílias costumavam fazer biscoitos vários na sexta feira para comer com a família durante a semana. Nesta ocasião, várias mulheres se reuniam na cozinha dividindo a tarefa de fazer massas e cuidar do forno, geralmente a lenha. Era um dia de grande fazer pois, o forno demorava a esquentar e muitas coisas eram assadas além dos biscoitos. Primeiro as carnes, depois os biscoitos e por última as roscas. Era como uma festa. O forno, já quentíssimo, era varrido com vassourinha de alecrim. Só então começava o trabalho de assar.

Na minha casa as crianças eram aceitas na cozinha desde que ajudassem a enrolar os biscoitos. A primeira fornada a sair era saboreada por todos.

Escrevendo esta crônica senti uma vontade imensa de fazer esta receita porque além de deliciosa, envolve o prazeroso fazer coletivo.

Mãos à obra!


Ângela Xavier


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