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30/06/2015

Clima é prioridade de Obama com Dilma

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O encontro que os presidentes Dilma Rousseff e Barack Obama terão nesta terça-feira (30), em Washington, deverá terminar com o anúncio de um ambicioso programa de reflorestamento no Brasil, que contribuirá para a redução de emissões e sinalizará o compromisso do País com o sucesso da conferência do clima marcada para dezembro em Paris.

Concluir a visita com uma declaração forte sobre o assunto é prioritário para Obama, que pretende deixar um legado em torno do combate ao aquecimento global.

Dilma indicou que poderia ir além e aceitar o anúncio de metas de redução de emissões, algo que os americanos gostariam de ver. "Este ano você tem a COP 21 e dentro da COP 21 nós pretendemos fazer anúncios conjuntos, o Brasil e o governo americano", declarou, usando a sigla pela qual a conferência do clima de Paris é conhecida. Perguntada se haveria a divulgação de metas específicas, respondeu "essa é a ideia". Em seguida, ressaltou: "Veja bem o que eu disse: ideia".

O Brasil ainda não apresentou seus compromissos de corte de emissões para a conferência e resistia a fazer isso no âmbito de uma reunião bilateral com os Estados Unidos. Os americanos pressionam para que a visita de Dilma termine com um anúncio semelhante ao realizado no ano passado por EUA e China, os maiores poluidores do mundo. Durante viagem do presidente americano a Pequim, os dois países assumiram o compromisso de reduzir emissões de gases que provocam o efeito estufa.

Mas integrantes do governo observam que não faz sentido o Brasil apresentar um compromisso multilateral em uma visita de Dilma aos EUA.

Os dois presidentes terão uma reunião de trabalho na manhã de terça-feira (30), na Casa Branca. Em seguida, darão uma entrevista coletiva, na qual devem anunciar os acordos fechados entre os dois países. Os americanos fizeram um gesto de boa vontade ontem, ao anunciar a abertura de seu mercado às importações de carne in natura do Brasil, colocando fim a um bloqueio de 15 anos.

Também devem ser adotadas uma série de medidas de simplificação e facilitação do comércio bilateral. Na estimativa do governo brasileiro, as mudanças têm o potencial de aumentar em 10% os embarques do Brasil para a maior economia do mundo. No ano passado, o comércio bilateral foi de US$ 62 bilhões, uma fração dos quase US$ 600 bilhões registrado entre os EUA e a China.

Cooperação em educação e ciência e tecnologia será tema de alguns dos acordos a serem anunciados, o que reflete a visão do governo Dilma de que os Estados Unidos são fundamentais para fomentar a inovação e a produtividade no Brasil.

A visita marca a retomada da relação entre os dois países, abalada com a revelação de que a agência de espionagem americana, a NSA, monitorou comunicações de Dilma. A presidente cancelou visita de Estado que faria a Washington em outubro 2013, gesto que congelou grande parte da interação entre os dois governos.

Com a economia em recessão, a viagem também é uma tentativa de Dilma de buscar novas fontes de crescimento e resgatar a credibilidade do país perante investidores internacionais. Para os americanos, a reconstrução dos laços com o Brasil é uma peça importante de sua política para a América Latina. "A relação com o Brasil tem de ser o elemento chave da política externa americana no Hemisfério Ocidental. Eu acredito que sempre há alguns problemas, mas o importante é o espírito em que (a relação é conduzida)", disse o ex-secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, depois de se reunir em Nova York com Dilma.

Depois do encontro com Obama, a presidente será recebida em um almoço para 200 convidados promovido pelo vice-presidente dos EUA, Joe Biden, seu principal interlocutor no governo americano. No fim da tarde, ela embarca para San Francisco, onde terá uma agenda amanhã voltada para a inovação e tecnologia.

Fonte: O Tempo

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