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11/02/2020 às 09:04h

Em carta, familiares de vítimas de intoxicação acusam Backer de falta de assistência

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Familiares de vítimas com suspeita de intoxicação por dietilenoglicol publicaram uma carta aberta, nesta segunda feira (10), acusando a cervejaria Backer de negligência no suporte às vítimas com problemas de saúde, após ingestão da cerveja Belorizontina supostamente contaminada. "Até agora, mais de 30 dias da confirmação do caso e cinco dias depois do prazo estabelecido pelo Ministério Público, a Backer não prestou qualquer auxílio", diz o comunicado assinado.

O Ministério Público de Minas (MPMG) notificou familiares das vítimas e a cervejaria para uma audiência pública, quando ficou acertado que a Backer custearia as despesas envolvendo o tratamento de saúde das vítimas intoxicadas e auxílio psicológico a todos os familiares. Também ficou acordado que a empresa realizaria reuniões individuais com os representantes das vítimas e, em 72 horas, a empresa deveria apresentar uma resposta. 

"Nenhuma família foi respondida. Nenhum contato foi informado. Não está sendo prestada qualquer assistência. Mesmo após o vencimento do seu prazo de 72 horas, a empresa ignora o nosso sofrimento", diz a nota.

Ainda conforme os familiares, durante as reuniões, a Backer não demonstrou interesse no bem-estar das vítimas. O texto afirma que a empresa “coletou informações por meio de um questionário que envolviam perguntas sem nenhuma relação com as necessidades e custeios de tratamento”.

"Tratou-se de investigação própria que pode até mesmo embasar teses de defesa em face das vítimas. Ficou claro que, além de a cervejaria não estar preocupada com as vítimas e seus familiares, também não pretende arcar com os gastos referentes aos tratamentos. Muito pelo contrário. Frases como 'vocês não sabem o que a Backer está passando' ou 'está cheio de oportunistas por aí' para justificar a exigência de documentos pela empresa comprovaram a total falta de humanidade da empresa", enfatiza a nota.(leia a carta na íntegra no final da reportagem).

Investigação

Na tarde desta segunda-feira (10) a Polícia Civil ouviu mais quatro vítimas, totalizando 28 pessoas entre parentes e vítimas de intoxicações por dietilenoglicol. Nesta terça-feira (11), está previsto mais um depoimento na 4ª Delegacia de Polícia Civil Barreiro, no bairro Estoril, região Oeste da capital.

Atualmente, a corporação investiga 33 casos e não há, até o momento, nenhum em investigação que seja anterior ao mês de outubro de 2019. Seis pessoas morreram.

CASO BACKER – CARTA ABERTA DAS VÍTIMAS À COMUNIDADE DE MINAS GERAIS

Belo Horizonte, 10 de fevereiro de 2020.

As vítimas da intoxicação por dietilenoglicol e seus familiares vêm, por meio desta carta aberta, denunciar o comportamento atroz que a Cervejaria Três Lobos - Backer vem apresentando perante os consumidores que estão com gravíssimos problemas de saúde após a ingestão da cerveja Belo Horizontina.

É importante desde já indicar que dentre os mais de 30 (trinta) casos relacionados e 6 (seis) mortes, existem vítimas que estão em coma, tetraplégicas e entubadas, outras em CTI com problemas nos rins, fazendo diálises diariamente, e com problemas neurológicos como paralisia de movimentos e facial, além de prejuízo a questões básicas como visão, fala e paladar. Existem vítimas que estão na fila do SUS aguardando tratamento e remédios, outras que não estão no hospital, mas não conseguem mais trabalhar devido às sequelas neurológicas e de visão. Diferentemente do que a empresa afirma na mídia, ATÉ AGORA, MAIS DE 30 (TRINTA) DIAS DA CONFIRMAÇÃO DO CASO E 5 (CINCO) DIAS DEPOIS DO PRAZO ESTABELECIDO PELO MINISTÉRIO PÚBLICO, A BACKER NÃO PRESTOU QUALQUER AUXÍLIO.

No dia 30 de janeiro deste ano, o Ministério Público de Minas Gerais notificou familiares das vítimas e a cervejaria para uma audiência pública, na qual ficou ajustado que a cervejaria custearia as despesas envolvendo o tratamento de saúde das vítimas intoxicadas e auxílio psicológico a todos os familiares. Ficou acordado que a empresa realizaria reuniões individualizadas com os representantes das vítimas e, em 72 (setenta e duas) horas, efetivaria o custeio das despesas por eles apontadas ou apresentaria negativa fundamentada.

Durante essas reuniões individualizadas, ocorridas em 03 de fevereiro, o enfoque da Backer passou longe de ser a saúde das vítimas. A empresa pretendia coletar informações por meio de um questionário que envolviam perguntas sem nenhuma relação com as necessidades e custeios de tratamento. Tratou-se de investigação própria que pode até mesmo embasar teses de defesa em face das vítimas. Ficou claro que, além de a cervejaria não estar preocupada com as vítimas e seus familiares, também não pretende arcar com os gastos referentes aos tratamentos. Muito pelo contrário. Frases como "vocês não sabem o que a Backer está passando" ou "está cheio de oportunistas por aí" para justificar a exigência de documentos pela empresa comprovaram a total FALTA de humanidade da empresa.

Em 06 de fevereiro, a empresa enviou nota à imprensa comunicando que por iniciativa própria (o que não é verdade), recorreu ao Ministério Público para ampliar o apoio humanitário que tem dado aos familiares dos consumidores intoxicados pela cerveja Belo Horizontina, e informando que a logística do atendimento seria definida e formalizada junto aos familiares. Além disso, disseram que seria informado contato para agendamento com psicóloga.

Fonte: Hoje em Dia

Foto: Lucas Prates/Hoje em Dia

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