Capa da Página A narrativa da história tomada por quem conta - Cidadania - JC Notícias Capa da Página

Icone previsão PARÁ DE MINAS - 8º MIN 25º MAX

Cadastre seu e-mail e receba nossas novidades

Icone IconeNotícias - Cidadania

07/06/2022 às 20:17h

A narrativa da história tomada por quem conta

Facebook

O filme hollywoodiano “300” que conta com a participação do ator brasileiro Rodrigo Santoro que interpreta Xexes, retrata como foi a tentativa de invasão da Grécia pelos Persas.

Este nome, Xerxes, filho adotivo de Dario I, significa “líder de heróis”. Importante dizer que “heróis” é uma palavra muito forte quando se olha os mitos gregos e os grandes homens da grande Grécia.

Hollywood foi muito feliz tanto neste filme, quanto na sua continuação! Retratou bem os grandes feitos daquelas batalhas: a derrota de Leônidas de Esparta; a construção de uma grande ponte por onde seu exército atravessou o mar em direção às Termópilas; a ligeira tomada de Atenas, e a final e vergonhosa derrota que Xerxes teve diante do inabalável e bem estruturado exército ateniense de Temístocles. Ainda mostra Temístocles como líder do partido democrático ateniense que lidera a batalha naval que a história batizou de “Batalha de Salamina”.

Esta Batalha de Salamina tem data exata do dia que iniciou: 29 de setembro de 480 a.C.

Mas de onde Hollywood tirou tanta criatividade? Será que foi uma inspiração como os produtores da Marvel Pictures, leia-se Stan Lee (agora da Disney)? Foi uma iluminação como a de George Lucas quando idealizou a saga Star Wars?

Não! Não foram essas criações ficcionistas. Na verdade existia um garotinho de apenas 5 anos de idade naquela região que viu parte destes acontecimentos e ouviu de seus conterrâneos tudo que aconteceu naqueles fatídicos dias de guerra. Por nossa sorte ele dedicou sua vida ao estudo da história e escreveu várias obras, uma dela leva este nome: “História”. Viajou muito, leu e ouviu das pessoas que participaram de todos os eventos. Ele narra dentre outras, a derrota do pai de Xerxes na Batalha de Maratona, que também mereceria um filme, dado o grande número de lutas e ações dos exércitos inimigos. Na verdade, Xerxes tenta invadir a Grécia como forma de vingança desta derrota do pai.

Foi pela sua narrativa que fez com que construíssem nas Termópilas um memorial com uma bela estátua de Leônidas em comemoração e lembrança daquele evento. Esta estátua está lá ainda hoje.

Sabemos que qualquer leitura de obra é melhor que a sessão de cinema. Nada substitui um livro! E com nosso autor não é diferente. Hollywood foi obrigada a dar ares de ficção no filme, e isto se justifica para nos brindar com luzes, sons e sequencias de cenas de ação muito empolgantes. Foram investidos US$ 65 milhões para o filme, e a arrecadação foi de US$ 456 milhões. O lucro se dá com a apreciação do público.

Mas pelas ruas gregas nosso autor precisava fazer leituras públicas de seus textos para arrecadar algumas dracmas e poder se manter. Ele não lucrou muito com seu trabalho. Confesso que nem mesmo as editoras que posteriormente publicaram seus livros tiveram grandes rendas.

Mas retomando: ler a história por quem a contou originariamente é um prazer inigualável para ver como se deram as formações do exército de Leônidas e descobrir se eram mesmo ou não, exatamente 300 obstinados espartanos.

A leitura se torna mais empolgante quando queremos saber como os “demônios” saíram das profundezas da terra para enfrentar aqueles 300. Informo ao leitor que pessoas viram, testemunharam e juraram de pés juntos que viram a terra se abrir e grandes bestas vindas do “mundo inferior” entrarem na batalha. As pessoas não compreenderam como um deus grego como Hades emprestou os monstros para o inimigo estrangeiro Xerxes. Na leitura descobrimos que estas Quimeras (bestas terríveis que destruíam cidades inteiras) de fato existiam e estavam ali sangrando os combatentes da cidade de guerreiros (Esparta). Acontece que o autor original explica: os espartanos não conheciam elefantes, rinocerontes e outros animais que Xerxes levou para a frente de batalha. Quando os viram, não tiveram dúvidas: são criaturas dos infernos! Pobres coitados.

O livro também justifica a existência dos “imortais”. De fato existiam pessoas que não morriam naquela época! Nas batalhas, os imortais de Dário, Xerxes e outros grandes exércitos eram muito utilizados logo atrás das linhas de frente: eram o segundo batalhão. Novamente ficamos com a leitura tensa pensando como os gregos, tão inteligentes, acreditaram em pessoas imortais. Mas a “imortalidade” acaba sendo justificada pelo fato de serem guerreiros vindos do oriente que se assemelhavam aos que mais tarde seriam conhecidos por Samurais. Tão hábeis lutadores que nunca morriam (em luta)! Mas Leônidas percebe que “eles sangram!”, e desvenda o mistério e faz deles uma pilha de cadáveres.

Uma cena muito forte, mas empolgante, não foi para os filmes: narra-se que um certo guerreiro cai de um barco, após ser cravejado por mais de 20 setas disparadas por balestras. Mas o vigoroso espartano mesmo nesta triste condição vai a nado até outra embarcação que passa por perto. Malgrado de sua sorte ela está cheia de combatentes inimigos. Uma testemunha ocular diz que tão logo ele coloca a mão na borda o inimigos lhe cortam parte dela. Mas o heroísmo (um pouco de adrenalina e vontade de viver) faz com que este soldado consiga subir e ainda derrotar cerca de 10 daqueles persas.

E assim, a leitura das Histórias de Heródoto de Helicarnaso, vão enchendo nossos olhos e mente, fazendo com que desenhemos na nossa imaginação cenas que podem ser muito mais intensas que as de Hollywood.

Por Ronaldo Galvão

Galeria de fotos

Clique nas imagens para ampliar: