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14/03/2022 às 20:16h

O voto de minerva

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Agamenon é uma grande figura da história grega. Foi Rei de Micenas e lutou várias guerras dentre elas a famosa Guerra de Tróia.

Antes de Tróia ele batalhou em Pisa, venceu, e como um dos prêmios tomou, à força, a esposa do Rei que derrotou: Clitemnestra. Ele a leva para seu reino depois de matar o filho recém-nascido que ela tinha.

Agamenon teve quatro filhos com a esposa que sequestrou: Electra, Ifigênia e Crisotêmis e Orestes.

Certo dia, para se ver livre das maldições dos deuses ele autoriza o sacrifício de sua filha Ifigênia. Crisotêmis sempre deixada de lado quase não é lembrada nas narrativas dos historiadores da época.

Depois disto ele vai para Tróia onde fica por 10 anos lutando. Lá, acaba desentendendo com um dos aliados contra Tróia. Este aliado era Náuplio. Náuplio, furioso com Agamenon procura artimanhas para que as mulheres dos líderes combatentes em Tróia traíssem seus maridos. Este tipo de traição era imperdoável, e uma mulher que assim agisse seria condenada à morte.

Egisto, um líder muito ambicioso planejou tomar a esposa de Agamenon e ainda tomar o seu reino (Micenas).

Em Micenas, ele desposa Clitemnestra e ambos planejam a morte de Agamenon quando ele retornasse da Guerra de Tróia.

Clitemnestra que já era ressentida com Agamenon trama. com requintes de crueldade. a morte do marido. Ela esconde o amante Egisto, e recebe o marido com grandes festas. Mas quando Agamenon termina o banho, ela o veste com um manto que tem as mangas e gola costuradas. Dentro desta vestimenta ele fica vulnerável e ela o mata. Dá-lhe facadas e depois corta sua cabeça com um machado.

Ela e Egisto passam a governar Micenas. Egisto, com medo que Orestes vingue a morte do pai, procura matá-lo. Mas ele foge com apoio de Electra. Electra fica louca e passa os dias pelas ruas chorando amargurada e vivendo aos trapos.

O Grande Zeus diz a Orestes que ele tinha a obrigação de vingar a morte do pai, e enquanto não fizesse isto, seria atormentado pelas terríveis Erínias (seres demoníacos que lhe aplicavam todo os tipos de sofrimento)

Passados vários anos, Orestes ainda quer vingar a morte do pai. Lá em Micenas, a assassina do esposo e o cúmplice (Egisto) vivem o reinado sempre lembrando de como mataram Agamenon e sempre se vangloriando disto para a maior tristeza de Electra e Orestes. Deixaram a cabeça dele exposta por vários dias na praça da cidade.

Passado o tempo, Orestes já adulto, com a ajuda de Electra e um grande amigo Pílades, se disfarça de um mensageiro e vai até Micenas para encontrar Clitemnestra e Egisto alegando que Orestes estava morto e estaria ali para entregar as cinzas do filho.
Egisto e Clitemnestra não o reconhece e ficam muito felizes em saber da morte. Celebram muito, e dão banquetes.

Durante um banquete Orestes, ainda disfarçado, mata Egisto e parte para cima da mãe traidora e assassina do pai. Ela então o reconhece e até tenta argumentar, mas ele cumpre a sua promessa e vinga seu pai, matando-a.

Seguindo tradições antigas, e sem julgamento algum, alguns homens decidem que os três (Orestes, Electra e Pílades) deveriam se matar na praça pública pelo assassinato de Clitemnestra e Egisto.

Mas eis que surge Apolo e os resgata. A deusa Atenas, vendo isto, entra na história, e convoca um julgamento (seria primeiro julgamento da humanidade). Um julgamento a ser feito por homens sábios. Apolo faz a defesa. As Erínias fizeram a acusação. Mas acontece um empate!

Assim sendo, Atenas pronuncia um belíssimo voto e inocenta Orestes, sua irmã e seu amigo.

Este voto ficou conhecido como o Voto de Minerva. Minerva é o nome latino da deusa Atenas.

Por mais controvertido que seja a absolvição de um filho que mata a mãe, esta história ultrapassou os séculos para nos deixar duas lições: 1) Que ninguém seria condenado, senão por um julgamento justo por juízes que dessem aos réus oportunidades de defesa num processo formal. 2) Que a dúvida sobre as provas ou empates, deveriam beneficiar o réu.

Por Ronaldo Galvão

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