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23/05/2022 às 16:01h

Pitangui na história

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A Cidade Mãe de Pará de Minas, Pitangui, é de história secular. Com mais de 300 anos teve participação efetiva na grande história do Brasil. Foi de lá foi enviada uma correspondência do Padre Belchior de Oliveira recomendando que Dom Pedro I proclamasse a nossa independência de Portugal.

Esta, e outras várias, é apenas um exemplo da exponencial importância de Pitangui.

Um cidadão nascido em Pitangui em 1900, a não desmerecer outros, ainda tem seu nome proclamado até hoje.

Formado em Direito pela atual PUC-Minas, à época chamada Faculdade Mineira de Direito, foi assíduo frequentador da Rua da Bahia em Belo Horizonte onde formou um grupo denominado “Os Intelectuais da Rua da Bahia” junto de outros famosos como Carlos Drummond de Andrade, Milton Campos, João Alphonsus e João Pinheiro Filho. Hoje temos na confluência da Rua da Bahia com a Rua Guajajaras um monumento onde se lê “Minha vida é esta, subir Bahia e descer Floresta” imortalizando este movimento dos “Intelectuais” usando as palavras do compositor Rômulo Paes.

Ele fez uso de seu diploma de Advogado até 1929 em Pitangui, onde em 1927 foi eleito vereador. Mas seu potencial político foi tão expressivo que grandes nomes do Brasil aliaram-se a ele na contrarrevolução daquele período onde Minas Gerais e São Paulo (Revolução Constitucionalista de 1932) estremeceram o país. Suas comunicações com Francisco Campos (que estava no Rio de Janeiro) conseguiu evitar a tomada do governo de Minas.

Passou assim a ser o grande interlocutor entre Olegário Maciel (interventor em Minas Gerais) e Getúlio Vargas.

Por um breve período em 1933 ele foi presidente de Minas Gerais (àquela época os chamados “interventores” tinham politicamente este nome de Presidente) sucedendo o seu primo que falecera, Olegário Maciel, nascido em Bom Despacho. Com a Instauração da assembleia constituinte de 1933, Getúlio Vargas o colocou no posto de interventor em até que poucos meses depois foi sucedido por nosso conterrâneo, Benedito Valadares.

Ele foi incentivado a não acatar a sua substituição por Benedito, e manter-se a força no poder em Minas. Mas o seu espírito conciliador e grande visão política, acatou a sua destituição do cargo. Esta nobre atitude lhe rendeu uma participação maior ainda na nossa história.

Foi Ministro da Educação por quase 11 (dez) anos (o mais longevo de nossa história) e posteriormente Senador por quase igual período.

Enquanto Ministro, mais uma vez demonstrou sua imensa habilidade em superar disputas políticas e partidárias procurando assessores para ajudar-lhe na lida educacional do país. Dentre seus colaboradores no ministério estavam: Carlos Drumond Andrade, Mário de Andrade, Cândido Portinari, Manuel Bandeira, Heitor Vila-Lobos, Cecília Meireles, Lúcio Costa, Vinicius de Morais, Afonso Arinos de Melo Franco e Rodrigo Melo Franco de Andrade.

Mas um pequeno traço de sua vaidade aparece quando ele quer tornar o edifício do Ministério da Educação em uma “catedral da moderna arquitetura mundial” (em suas palavras) e não poupou esforços para a construção de seu projeto. Chamou para liderar a edificação ninguém mais que Oscar Niemeyer e até mesmo Cândido Portinari foi consultado. Mandou vir de Paris um dos maiores arquitetos do mundo Charles-Edouard Jeanneret-Gris para colaborar com o projeto do edifício. Para o paisagismo da obra mandou chamar outro famoso nome: o paisagista Roberto Burle Marx.

Mas além deste pequeno luxo, mandou construir centenas hospitais, asilos e colônias (para portadores de lepra). Departamentos, centros de capacitação e formação, escolas e institutos foram criados na sua gestão diante do ministério. Foi um grande gestor do qual devemos muito.

Além de seus feitos como o Ministro da Educação que mais tempo ficou no cargo em toda história do Brasil, eu poderia ficar aqui por várias páginas enumerando seus grandes feitos. Mas para findar, aponto duas de suas criações que duram até hoje: Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e o Instituto Nacional do Livro.

A ele Heitor Vila-Lobos dedicou uma de suas importantes peças sinfônicas, a Bachiana brasileira nº 7, composta em 1942.

Este prédio, que leva seu nome pertence ainda hoje ao patrimônio da União e foi tombado como Patrimônio Cultural do Brasil em 1948 como seu idealizador falecido ao 84 anos em 1985 queria: Patrimônio Histórico, Cultural e Arquitetônico Modernista. Em 2021 o Governo Federal determinou a sua venda em um leilão. Esta entrega a iniciativa privada seria certamente o fim desta realização monumental.

Em 13 de maio de 2022, a Justiça Federal determinou a proibição da venda do edifício. A decisão foi incisiva: “Declarar que o tombamento do edifício Palácio Gustavo Capanema impede a União de vendê-lo a particulares.” Eternizando seu nome na memória histórica do Brasil.

Ronaldo Galvão





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