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13/04/2020 às 20:31h

Identidade

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Uma coisa que sempre chamou minha atenção ao estudar História, foram os métodos de dominação. Povos que dominam povos em todos os continentes, em todos os tempos usaram os mesmos processos para domar e subjugar: destruir a identidade do povo a ser dominado. Reduzir a zero sua cultura, suas crenças, seus monumentos, seus objetos de estima, referências de seus ancestrais.

Os países africanos foram colonizados em muitos momentos de sua História e, nos anos 60, houve uma grande onda de revoltas que levaram à independência.

James Aggrey era um educador de Gana e contou um fato ocorrido em seu país por ocasião das lutas pela independência. Gana era uma colônia inglesa e as opiniões dos seus patrícios estavam divididas. Havia os partidários do cainho armado; outros eram favoráveis a uma organização política, opção que acabou triunfando. Mas havia alguns conformados com a situação de serem colônia e acreditavam que os ingleses eram realmente agentes da civilização. James Aggrey percebeu que alguns líderes estavam indecisos e pediu a palavra. Contou então uma história, bem no jeito africano de ensinar.

Havia um camponês que saindo à caça, havia aprisionado um filhote de águia. Colocou-a no galinheiro e ela cresceu ali no meio das galinhas ciscando o chão. Um dia apareceu um pesquisador por ali e estranhou ver uma águia no meio das galinhas dentro do galinheiro.

- Ela já virou galinha como as outras, dizia o camponês sorrindo.

Mas o pesquisador dizia que ela sendo águia deveria voar, se comportar como águia. Pensando assim ele tomou a águia em suas mãos, elevou-a ao máximo e ordenou que voasse. A águia olhou para o chão e pulou para junto das galinhas. O pesquisador não se rendeu e subiu com ela para cima do telhado. A águia ficou assustada, olhou para os lados e pulou de volta para o galinheiro.

- Eu não disse! Afirmou o camponês. Ela já é uma galinha. Cresceu aí junto das outras e nunca vai voar.

No dia seguinte, o pesquisador, que não havia desistido de fazer a águia voar, subiu com ela, acompanhado pelo cético camponês, a uma montanha bem alta.

Chegando lá no alto ele elevou nos braços a águia e ordenou: - “Voe! Você é uma águia! Abra suas asas e voe!”

Mas a águia ficou quieta, tremendo de medo. O pesquisador então voltou seus olhos para o sol nascente e ordenou forte: “Voe águia! Você é um ser das alturas! Abra suas asas e voe! Você é uma águia!”

Então aconteceu algo incrível. A águia abriu suas enormes asas e saiu voando, indecisa a princípio, rápida e solta logo em seguida e ganhou os ares, sumindo no horizonte num voa magistral.

Ao terminar seu relato James Aggrey acrescentou que ele, habitantes de Gana, foram levados a acreditar durante muitos anos, que eram galinhas. “Mas somos águias! “Disse ele. “Abramos nossas asas e voemos! Não podemos nos contentar com os grãos que jogam aos nossos pés para ciscar! ”

A estratégia do dominador é destruir a identidade para escravizar. Um homem sem identidade acredita em tudo que lhe dizem e se torna alvo fácil de ser escravizado.

(continua)

Ângela Xavier

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