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28/10/2020 às 16:55h

Mamãe e seu Dodô

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Um dia meus pais, Zezinho Xavier e Olga Leite, vieram nos fazer uma visita em Ouro Preto. Preparei um jantar à altura da ocasião. Comprei vinho, arranjei velas para colocar na mesa e convidei um senhor muito simpático, o Seu Dodô, para participar do jantar. E principalmente, trazer seu violino, instrumento pelo qual minha mãe tinha especial predileção.

Meu pai, apaixonado por cinema, quis assistira à sessão das seis horas. Chegaria às oito, bem a tempo do jantar. Meu filho o acompanhou e estávamos nos preparativos finais do jantar, quando chegou o Seu Dodô.

Ele e minha mãe começaram a recordar canções de seu tempo de juventude e se empolgaram. Ele perguntava: “Você conhece esta?” E tocava o início da música. Mamãe conhecia todas e começava a cantar.

“Foi numa leva que a cabocla Maringá

Ficou sendo a retirante que mais dava o que falar

E junto dela veio alguém que suplicou

Pra que nunca se esquecesse do caboclo que ficou.

Maringá, Maringá

Depois que tu partiste

Tudo aqui ficou tão triste

Que agarrei a imaginar.

Maringá, Maringá

Para ter felicidade

É preciso que a saudade

Vá viver em outro lugar.

Maringá, Maringá

Volte aqui pro meu sertão

Prá de novo o coração

De um caboclo assossegar.”

Assim ficaram por longo tempo, cantando as canções de seus tempos passados, quando meu pai chegou. Creio que a cena que viu o deixou meio enciumado porque não deu muita conversa para o Seu Dodô e foi entrando para a cozinha onde o jantar já estava sendo colocado na mesa.

Caprichei! Penumbra, velas acesas nos grandes castiçais colocados nos dois cantos da mesa, tudo pronto para servir o delicioso jantar que havia sido preparado. Então todos se assentaram ao redor da mesa e já íamos nos servir quando seu Dodô se levantou. Tomou o violino e pediu para tocar uma música. No silêncio que se fez ele solou Fascinação. Momento de doce fascínio. Só então se sentou para comer.

Noite memorável!

Aletria foi a sobremesa, depois um cafezinho e por fim, um gostoso um gostoso bate papo.

O que ficou na lembrança deste dia foi a alegria que tive ao ver minha mãe cantando canções de sua juventude acompanhada pelo violino, seu instrumento favorito, tocado por um senhor de sua geração.


Por Ângela Xavier


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