Capa da Página O roubo da cabeça do Tiradentes - - Cultura - JC Notícias Capa da Página

Icone previsão PARÁ DE MINAS - 8º MIN 23º MAX

Cadastre seu e-mail e receba nossas novidades

Icone IconeNotícias - Cultura

31/05/2021 às 19:54h

O roubo da cabeça do Tiradentes

Facebook

Episódio 1

Fato estranho em Ouro Preto é a obcessão dos ouropretanos por encontrar a cabeça do Tiradentes.Sempre se ouve dizer que alguém está de pá e picareta nas mãos, escavando o sopé da montanha próxima ao Pico Itacolomí, ou mergulhando na Lagoa do Gambá na tentativa de encontrar a cabeça do grande herói nacional.

Todos conhecem a história da Inconfidência Mineira e seu final trágico. Nosso relato se restringe ao destino da cabeça de Tiradentes.

Depois de morto por enforcamento ele teve seu corpo esquartejado e colocadas as partes nos locais por onde ele havia passado e falado de suas idéias de liberdade. Era a resposta do governo. Que ninguém mais ousasse se levantar contra a rainha de Portugal. A cabeça, troféu maior, foi salgada e levada para Vila Rica e colocada em uma gaiola presa numa estaca e colocada no centro da Praça de Santa Quitéria, hoje Praça Tiradentes, para que aí ficasse, até que “o tempo a consuma”.

A colocação da cabeça do alferes no centro da praça foi feita com grande aparato. Tropas de Dragões se postaram enfileiradas, impondo a ordem e dando um caráter oficial ao evento; o povo se amontoava, a uma certa distância, para ver o horrível espetáculo. Na Câmara Municipal os políticos proferiam discursos exaltando Sua Majestade, maldizendo o “traidor” Tiradentes, que recebera um castigo merecido, que isto servisse de lição a outros subversivos que ousassem se voltar contra nossa querida rainha D. Maria I.

E assim se passou. Amaldiçoado pelas autoridades, olhado com temor e admiração pelo povo, Tiradentes cumpriu a sua sina. Ã tardinha, todos se recolheram às suas casas, e a praça se esvaziou por completo. Ã noite, ninguém costumava sair, pois a luz dos lampiões era muito fraca e todos tinham muito medo de bandidos, assassinos ou mesmo de fantasmas. O tempo estava frio. Era o mês de junho. Tudo era silêncio na praça de Santa Quitéria. Não havia viv’alma por ali. Apenas uma neblina baixa passava lenta tapando a pouca visão da praça. De repente, saído não se sabe de onde, um vulto não-identificado passou sorrateiramente por entre as árvores e moveu-se em direção ao poste onde estava colocada a cabeça do alferes. Retirou com cuidado a cabeça e desceu devagar, colocando-a num saco e depois desapareceu para os lados de Antônio Dias, tão misterioso como tinha chegado. Seria alguém da família? Um admirador? Uma amante? Não se sabe. Nunca se soube. Nesta fria e escura madrugada de 1792 um desconhecido colocou a cabeça do Tiradentes em algum lugar onde ninguém jamais encontrou. Livrou desta forma o alferes, da desgraça de ter sua cabeça apodrecendo, à vista de todos, em plena praça pública.

Ângela Xavier

Galeria de fotos

Clique nas imagens para ampliar: