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16/09/2020 às 08:30h

Cabeleireira que morreu após lipo realizou procedimento com médico investigado por outro óbito

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O médico que realizou procedimentos estéticos na cabeleireira Edisa de Jesus Soloni, que morreu no sábado (12), é investigado pela morte de uma outra paciente em 2011. A informação foi confirmada nesta terça-feira (15) pelo delegado Wagner Sales, chefe do 1º Departamento da Polícia Civil em Belo Horizonte.

Edisa Soloni, de 20 anos, passou mal pouco tempo depois de uma lipoescultura e enxerto de silicone nos glúteos na sexta-feira (11), em uma clínica no bairro São Pedro, região Centro-Sul da capital. Uma enfermeira da empresa acionou uma ambulância, que levou a paciente até o hospital Felício Rocho. A jovem morreu no sábado (12) vítima de embolia pulmonar.

De acordo com Sales, a Polícia Civil irá verificar o andamento da investigação anterior. “A gente percebe que esse prazo passa da razoabilidade. Vamos verificar o que houve. Pode estar relacionado à complexidade do fato, à dificuldade de ouvir um número maior de pessoas, há prazos e diligências que podem ter retornado da Justiça. Faremos uma avaliação mais apurada”, afirmou.

Nesta terça-feira, a Polícia Civil foi à clínica de estética para recolher documentos e o prontuário médico, que serão analisados para verificar se houve imprudência médica, imperícia, omissão, culpa ou dolo. “É um caso complexo, que demanda uma investigação qualificada e aprofundada”, disse o delegado.

“Vamos verificar documentos, laudos, alvarás, apurar não só documentação do estabelecimento onde foi feita a cirurgia, mas também do médico e da equipe para verificar a habilidade técnica”, explicou Wagner Sales.

As oitivas já tiveram início nesta terça, na 3ª Delegacia de Polícia Civil/Sul. Serão ouvidos familiares e amigos de Edisa, além de pessoas que já foram atendidas pelo médico investigado.

A polícia também deverá verificar se o médico estava habilitado para realizar os procedimentos cirúrgicos. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o médico investigado não é membro da entidade.

Alvará

A Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, informou que a clínica Belíssima Cirurgia Plástica possui Alvará de Autorização Sanitária para realização de cirurgias plásticas e atende os requisitos legais da legislação. O documento é válido até agosto de 2021. Porém, não há autorização para funcionamento como UTI ou Hospital Dia, conforme informações divulgadas pelo site da clínica, que está fora do ar nesta terça-feira. Segundo a assessoria do estabelecimento, a página foi tirada do ar após ataques cibernéticos.

Por meio de nota, a clínica afirmou que "cada cirurgia com as suas intercorrências são únicas e dizem respeito a fatores individuais, tais como idade, doenças pregressas e outras características individuais de cada paciente e o tipo de cirurgia a ser realizada" e pediu para não misturar casos e condutas, porque são únicos. Sobre a documentação solicitada pela polícia, o estabelecimento afirmou que foi apresentada em arquivo original  e entregue à Autoridade Policial em cópias autenticadas.

Procurado pela reportagem, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Minas Gerais (CRM-MG) informou que tomou conhecimento por meio da imprensa de óbito de paciente ocorrido após cirurgia, e que iniciará os procedimentos regulamentares necessários à apuração dos fatos. "Todas as denúncias recebidas são apuradas de acordo com os trâmites estabelecidos no Código de Processo Ético Profissional (CPEP), tendo o médico amplo direito de defesa e ao contraditório", afirmou o conselho.

Veja nota da clínica Belíssima enviada nesta terça-feira:

"Esclarecemos e reforçamos que cada cirurgia com as suas intercorrências são únicas e dizem respeito a fatores individuais, tais como idade, doenças pregressas e outras características individuais de cada paciente e o tipo de cirurgia a ser realizada.

Além disso, é sempre esclarecido à cada paciente, por escrito, através de explanação verbal do médico e por Termo de Consentimento Informado, escrito e assinado pelo paciente, quais são os riscos envolvidos em cada tipo de procedimento cirúrgico!

Assim não se pode misturar casos, condutas e Intercorrências que são únicas e que não comportam generalização, sob pena de sermos injustos e levianos.

Cada caso é um caso e deve ser tratado na sua singularidade!"


Fonte: Hoje em Dia

Foto: Instagram / Reprodução

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