22/09/2026 às 09:36h
Pedir comida por meio de aplicativos, como iFood e 99Food, está associado a um maior comportamento sedentário - como menos horas dedicadas a atividades domésticas, maior inatividade física e maior tempo sentado e diante de telas. A conclusão é de uma pesquisa estudo da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) com 839 pessoas.
Segundo o estudo, 76,52% dos entrevistados usaram esse tipo de aplicativo pelo menos uma vez na vida. A frequência mais comum de uso foi duas a três vezes por mês (29,08%), com 27,1% utilizando pelo menos uma vez por semana.
“Isso mostra como esse tipo de tecnologia tem sido adotada em ampla escala pela população, seja por conveniência ou realmente por falta de tempo em preparar suas próprias refeições”, introduz Paloma Barros, doutoranda do programa de pós-graduação em nutrição e saúde e realizadora do estudo.
Entre o público usuário total, a maioria eram adultos com idades entre 30 e 39 anos (40,03%), trabalhavam em tempo integral (77,10%), passavam oito horas ou mais em frentes as telas para trabalho e dedicavam menos tempo às atividades domésticas – 48,13% relataram gastar de uma a duas horas por dia e 31,46% menos de uma hora.
Cerca de 51,7% afirmaram pedir refeições completas, como arroz, feijão, carne e massa, em pelo menos metade das vezes. Já 39,7% afirmaram pedir lanches, como hambúrgueres, pizzas e salgados, em pelo menos metade dos pedidos. Bebidas açucaradas foram pedidas em pelo menos metade das vezes por 12,7% dos participantes. Em contraste, 92% afirmaram raramente pedir frutas e saladas de frutas por aplicativo.
“O rápido crescimento desse setor tem gerado preocupações com a saúde pública, uma vez que o uso frequente de aplicativos de delivery associado a esses comportamentos sedentários pode contribuir para o ganho de peso, a alimentação impulsiva e uma maior prevalência de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão”, alerta a pesquisadora.
Ela também aponta que, embora refeições nutricionalmente balanceadas estejam disponíveis nessas plataformas, os alimentos mais frequentemente oferecidos tendem a ser ricos em calorias, gordura, açúcar e sódio, como pizza, hambúrgueres, batatas fritas, doces e sobremesas e bebidas adoçadas com açúcar.
“Esses itens também são promovidos com mais intensidade por meio de estratégias de marketing persuasivas e descontos de preço. Ações como combos, oferta de bebidas e sobremesas grátis, e ‘compre 1 e leve 2’ são bem mais frequentes para esse tipo de produto em comparação a refeições saudáveis”, diz.
A pesquisa indicou, ainda, que as ocupações profissionais foram um importante fator de análise: enquanto trabalhadores em tempo integral apresentaram maior uso de aplicativos, desempregados ou trabalhadores informais relataram menor uso.
"Esses indivíduos podem ter mais tempo para preparar refeições em casa e podem considerar os serviços de entrega menos acessíveis devido a restrições financeiras".
Paloma também garante que a intenção não é demonizar as plataformas de delivery, mas refletir sobre o tipo de oferta e os impactos na saúde. "Elas poderiam funcionar como um recurso a mais para quem não quer ou não pode cozinhar. Mas, quem usa esses aplicativos está tendo a escolha de ser saudável?", questiona.
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