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30/05/2020 às 09:00h

Policial filmado com joelho sobre o pescoço de George Floyd é detido e acusado de homicídio nos EUA

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O policial Derek Chauvin, demitido após ser flagrado com o joelho sobre o pescoço de George Floyd em Minneapolis, nos Estados Unidos, foi detido nesta sexta-feira (29) e responderá por homicídio culposo (sem intenção de matar) e assassinato em terceiro grau (quando é considerado que o responsável pela morte atuou de forma irresponsável ou imprudente). Floyd morreu posteriormente em um hospital após ser detido.

Outros três policiais estão sob investigação.

A família de Floyd divulgou um comunicado, dizendo que a acusação era "bem-vinda", mas não suficiente. Eles pedem que Chauvin seja acusado de homicídio em primeiro grau (quando o autor sabe que seu comportamento irá provocar a morte), além de acusações formais contra os demais policiais.

A família anunciou ainda que está contratando um legisla para realizar uma autópsia independente em Floyd, por não confiar nos profissionais da polícia de Minneapolis.

Segundo o vice-presidente da Câmara Municipal e a ex-dona de um bar ouvidos pelo "USA Today", Floyd e Chauvin se conheciam antes do dia em que o primeiro foi detido pelo segundo: eles teriam trabalhado no mesmo bar no passado. Os dois foram seguranças em um local chamado El Nuevo Rodeo.

Maya Santamaria, que era proprietária do bar, disse que Chauvin trabalhou na entrada do local durante 17 anos, durante suas folgas como policial, enquanto Floyd fazia segurança dentro do estabelecimento.

8 minutos e 46 segundos
Segundo a acusação contra Chauvin, ele manteve seu joelho sobre o pescoço de Floyd durante 8 minutos e 46 segundos no total, sendo que nos últimos 2 minutos e 53 segundos este já estava "irresponsivo".

A autópsia informa que não há "nenhum achado físico que suporte o diagnóstico de asfixia traumática ou estrangulamento".

Porém, o efeito combinado de George Floyd ser restringido pela polícia, juntamente com suas condições de saúde subjacentes e quaisquer possíveis intoxicantes em seu sistema, "provavelmente contribuíram para sua morte", de acordo com a acusação.

Floyd sofria de doença arterial coronariana e doença cardíaca hipertensiva.

Caso George Floyd
A morte de Floyd, um homem negro, após sua detenção por Chauvin, um policial branco, no início da semana, gerou revolta em diversas partes dos Estados Unidos. Em Minneapolis, manifestantes incendiaram prédios e invadiram uma delegacia, enquanto Nova York registrou dezenas de prisões em um protesto.

Segundo a CBS, Chauvin atuou na polícia de Minneapolis por 19 anos. De acordo com a emissora norte-americana CNN, o policial tinha 18 denúncias contra ele na coorporação.

Floyd foi detido após o funcionário de uma mercearia chamar a polícia e acusar o homem de tentar pagar as compras com uma nota falsa de US$ 20.

O jornal "Chicago Tribune" conta que Floyd fazia parte da massa de desempregados nos Estados Unidos causada pela pandemia de novo coronavírus. Ele perdeu o emprego como segurança em um restaurante depois que o estabelecimento fechou com as medidas de isolamento.

Também nesta sexta-feira, o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, impôs um toque de recolher, que terá início às 20 horas e será mantido até as 6h da manhã, durante todo o final de semana. O prefeito da cidade vizinha de St. Paul, Melvin Carter, adotou medida semelhante.

Condolências
Nesta sexta, o presidente Donald Trump afirmou ter conversado com familiares de Floyd. "Quero expressar as mais profundas condolências de nossa nação e as mais sinceras condolências à família de George Floyd", disse ele a jornalistas na Casa Branca, ao informar que tinha entrado em contato com os familiares.

"Foi uma coisa terrível, terrível o que aconteceu, algo que nunca deveria ser permitido acontecer", acrescentou.

Investigação federal
O procurador geral dos EUA, William Barr, disse nesta sexta-feira, que o Departamento de Justiça está "avançando rapidamente" em sua investigação sobre o caso de Floyd. A investigação federal paralela avalia se os policiais cometeram violações de direitos civis.

Barr disse ainda que "as imagens de vídeo do incidente que terminou com a morte de Floyd, enquanto estava sob custódia dos policiais de Minneapolis, são angustiantes de assistir e profundamente perturbadoras".

Protestos
A revolta na cidade começou após a divulgação de um vídeo que mostra a abordagem policial ocorrida do lado de fora de um supermercado em Minneapolis. Um policial branco se ajoelhou no pescoço de Floyd por quase oito minutos, enquanto ele se queixava de que não conseguia respirar. Floyd morreu depois em um hospital.

As manifestações, então, tomaram várias partes dos Estados Unidos. Em Minnesota, estado onde ocorreu a morte, o governador chamou a Guarda Nacional para conter a onda de saques e tumultos.

Em Nova York, um protesto ocorreu quinta-feira na Union Square, em Manhattan, mesmo com as medidas de distanciamento social. Os manifestantes repetiram a frase "não consigo respirar", dita por Floyd e repetida em 2014 por Eric Garner, morto em operação policial semelhante.

Os confrontos começaram depois que o grupo se recusou a deixar a área para que o trânsito fosse restabelecido, informa a NBC. Segundo a emissora, houve feridos entre policiais e manifestantes.

Um jornalista negro e a sua equipe foram detidos nesta sexta-feira enquanto faziam a cobertura dos protestos em Minneapolis, nos Estados Unidos, para a rede CNN. Omar Jimenez foi algemado pelos policiais durante uma transmissão ao vivo mesmo depois de ter se identificado.

As imagens divulgadas pela CNN mostraram que a equipe não estava atrapalhando a ação policial. A rede americana afirmou que a prisão de seus três funcionários era uma clara violação de direitos e fez um apelo para que as autoridades locais os soltassem imediatamente. A equipe foi liberada pouco tempo depois.

O governador de Minnesota, Tim Walz, pediu desculpas e descreveu as prisões como "inaceitáveis". Ele declarou que a equipe da CNN tinha claramente tem o direito de estar no local e disse que deseja que a imprensa esteja em Minnesota para cobrir os protestos.

Fonte: G1

Foto: AFP/Facebook / Darnella Frazier

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