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29/04/2020 às 09:06h

Por precaução, BH abre 1900 covas em cemitérios municipais para possíveis vítimas da Covid-19

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O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), afirmou que a cidade está abrindo 1900 covas nos cemitérios municipais e ampliando a contratação de mão de obra para as necrópoles como forma de preparação para possíveis mortes por Covid-19. Segundo a prefeitura, o número pode crescer caso haja necessidade. Além disso, o gestor rebateu críticas sobre o não-cancelamento do Carnaval na capital mineira, divulgou a compra de 2 milhões de máscaras para distribuição gratuita e declarou que não foi eleito por 'meia dúzia de lojas' e sim pelo povo de BH.

As afirmações foram feitas durante transmissão ao vivo na tarde desta terça-feira (28), ocasião em que o gestor declarou que a cidade parada gasta R$ 50 milhões por mês, mas que a ação é necessária pois ele não será o "prefeito coveiro". Kalil também usou a live para comentar sobre questões relativas ao período em que ele foi presidente do Atlético.

De acordo com Kalil, o ápice da crise pelo novo coronavírus, causador da Covid-19, ainda não chegou em Belo Horizonte - e pode ser que não chegue. "Se a gente conseguir alongar um pouquinho, nós temos risco de não chegar", disse. No entanto, por precaução, o prefeito informou que 1900 covas já estão sendo liberadas pois os "hospitais ficarão lotados", disse. "Na hora que lotar hospital, nós vamos ter que escolher quem vai morrer. Isso deve ser muito duro para o profissional de saúde".

Conforme a Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica (FPMZB), responsável pelo gerenciamento dos cemitérios de BH, as novas vagas estão sendo criadas nas quatro necrópoles da capital, sendo elas os cemitérios da Paz, no bairro Caiçara, e do Bonfim, no bairro homônimo (ambos na região Noroeste); da Consolação, no Jaqueline (Norte); e da Saudade, no bairro de mesmo nome, na região Leste de BH.

A criação de 1900 covas faz parte do plano de contingência elaborado pela prefeitura que, em primeiro momento, prevê a ampliação da infraestrutura dos cemitérios. Conforme a secretaria municipal, esse número pode crescer, caso seja identificada essa necessidade em estudos que já estão sendo conduzidos pela Prefeitura de BH e que se baseiam "em novos possíveis cenários".

Além das vagas, a FPMZB informou que estão sendo ampliadas as compras de EPI's para uso dos funcionários dos cemitérios, incluindo a contratação de mais profissionais para reforçar o quadro. "Todos os sepultamentos serão feitos obedecendo ao mesmo padrão sanitário já praticado nos cemitérios. As novas vagas que serão abertas vão atender à demanda geral dos cemitérios, ou seja, atender aos óbitos por causas diversas e também os que ocorrerem em decorrência da Covid-19", afirmou a pasta, em nota.

Atualmente, os quatro cemitérios de BH possuem 311.214 vagas para sepultamento. Com a inclusão das novas covas, o número chegará a 313.114. Veja os dados abaixo referentes à quantidade de jazigos públicos na cidade (cada jazigo possui três gavetas).

Ainda segundo a Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica, o número atual de vagas é ampliado confirmado a requisitação de famílias. Os cemitérios já possuem uma capacidade instalada. Esses jazigos existentes vão sendo abertos para os sepultamentos conforme vão sendo requisitadas autorizações nos cemitérios por parte das famílias, com uma margem para mais diariamente, a fim de atender prontamente e com agilidade todas as demandas", explicou.

Máscaras gratuitas

Kalil também afirmou que Belo Horizonte adquiriu 2 milhões de máscaras laváveis que serão distribuídas à população. Segundo ele, o Equipamento de Proteção Individual (EPI) será entregue aos moradores pela Guarda Municipal e pelos centros de saúde assim que o item chegar à prefeitura. Diferentemente de outras cidades, BH ainda não estipulou multa para o descumprimento do uso de máscaras em espaços públicos e privados.

"Ninguém é obrigado a comprar máscara com a cidade fechada, mas está chegando [a compra]. Também estamos distribuindo quase 270 mil cestas básicas. Nós estamos fazendo tudo o que podemos", afirmou.

Kalil também comentou o que ele chamou de 'fake news' em relação ao suposto superfaturamento no preço das máscaras, que teriam sido adquiridas pela administração municipal pelo preço unitário de R$ 20. "Se tiver coisa errada na prefeitura, só se eu não tiver sabendo. Mas o Ministério Público e a Polícia Federal estão aí para isso. Para ver se tem coisa errada. Se tiver coisa errada, entra e pega quem tá fazendo", disse.

Ajuda ao comércio


Conhecido pelas frases polêmicas, Kalil foi enfático ao pedir apoio da população e a criticar a pressão que afirmou estar sofrendo para que o comércio do município seja reaberto. Kalil chegou a pedir desculpas por 'seguir a ciência' e, assim, manter os decretos de fechamento de estabelecimentos não-essenciais.

"Estamos nos preparando cada dia mais para abrir. Sentaremos com a CDL, a Fiemg, e abriremos a cidade com técnica, ouvindo quem é do ramo, que são os comerciantes. Iremos ajudar quem está nos ajudando. Quem tá abrindo loja na marra, sem gente na rua, esse não conta conosco. Dou minha palavra de honra que tudo que tiver ao alcance da prefeitura para ajudar quem tá se sacrificando será feito", afirmou.

Conforme o prefeito, a prioridade no momento é salvar vidas e, em segundo lugar, será dedicar tempo exclusivo aos prejudicados pela pandemia, como os comerciantes. Nesse ponto, Kalil afirmou que tem sofrido as consequências da crise como todos os cidadãos e afirmou que foi eleito pelo povo e não pelos lojistas ou gestores da indústria.

"Tô sem ver meus filhos, minha neta, desde o dia 10 de março. Estou isolado também e venho aqui porque eu tenho que dar satisfação para você, que me elegeu. Eu fui eleito pelo povo de BH. Não fui eleito por meia dúzia de lojas ou por meia dúzia 'de indústrias'. Farei o que a lei me permitir e o que a ciência me falar, sabendo que cada dia é um dia de sacrifício, de desemprego, mas nós vamos cuidar de todo mundo", afirmou.

Carnaval

Por fim, Kalil comentou as críticas de que o Carnaval de Belo Horizonte poderia ter sido suspenso, como forma de evitar a proliferação do vírus na cidade. Segundo ele, a festa foi financiada pela iniciativa privada, foi lucrativa e ocorreu em todo o país.

"Vocês vão me desculpar, mas o Carnaval não tem nada com nada. Não tem nem prova disso, que foi o Carnaval [que causou a proliferação]. O Carnaval movimentou o comércio todo, imagine o comerciante, dono de bar e restaurante fechado, sem Carnaval. Uai, tem gente que gosta de orar e tem gente que gosta de ir para a rua pular Carnaval. O que o Carnaval tem a ver com isso? Que falta de argumento é essa?", finalizou.

Fonte: Hoje em Dia

Foto: Reprodução/ TV Globo /

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