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04/04/2020 às 09:00h

Perda financeira no esporte com a COVID-19 deve chegar a R$ 80 bilhões

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Como toda indústria, a esportiva está passando por grandes dificuldades em função da pandemia de COVID-19. O tombo global será superior a US$ 15 bilhões (ou mais de R$ 79 bilhões), segundo estimativa da Sports Value, empresa especializada em marketing esportivo. E no Brasil a crise também já está sendo sentida com a paralisação de todas as disputas. É preciso pensar, então, em como amenizar a redução.

De acordo com a revista Forbes, só as grandes ligas profissionais dos EUA (basquete, beisebol, futebol americano e hóquei no gelo) deverão perder cerca de US$ 5 bilhões (R$ 26,3 bilhões) em receitas – de arrecadação com a venda de ingressos a comercialização de direitos de TV e de produtos, além de patrocínios. Já as principais ligas de futebol da Europa (Alemanha, Espanha, França, Inglaterra e Itália), somarão mais de US$ 4 bilhões (R$ 22 bilhões) em perdas, segundo a empresa KPMG.

Por isso, é hora de clubes e entidades ligadas diretamente ao esporte, incluindo o governo, se mexerem para diminuir o prejuízo. E não basta somente cortar salários de funcionários, jogadores e comissões técnicas.

“O jogador de clube grande ganha mais, é verdade, e poderia ajudar. Mas ele vê o clube, a CBF, o governo pouco interessado. Por que só o jogador deve se sacrificar? Qual a proposta que cada clube oferece (para superar o momento complicado)? E principalmente a CBF, que tem mais de R$ 700 milhões em caixa, tem dinheiro para manter as instituições nestes dois, três meses de caos? Os clubes médios e pequenos vão perder muito, e ela pode resolver”, afirma o consultor Amir Somoggi, da Sports Value, para quem entidades como Conmebol e Fifa, até por estar mais longe, têm menos responsabilidade no mercado brasileiro – ainda que tenham.

Além disso, ele aconselha os clubes mais estruturados e de maior torcida a buscar manter o engajamento com os torcedores neste momento em que não há disputas em andamento. Com isso, seria possível agradar aos patrocinadores e até mesmo às emissoras de TV que detêm direitos de campeonatos e não têm o quê transmitir.

“É hora, por exemplo, de colocar jogadores e ex-jogadores em contato com os torcedores. Se sou eu o responsável, estaria fazendo o clube voar nas redes sociais”, argumenta Somoggi, destacando que as marcas precisam explorar a “audiência domiciliar única na história da humanidade” em função de as pessoas estarem com circulação restrita devido ao risco de contágio pelo novo coronavírus.

É preciso pensar também em formas de garantir a sobrevivência após a turbulência. A maior parte dos clubes brasileiros tem sérios problemas financeiros e nenhum caixa para honrar compromissos, podendo entrar em insolvências ou sair ainda mais endividados desta crise.

“Poucos são os clubes em situação confortável para enfrentar esta situação, talvez Flamengo, Athletico-PR, porque trabalharam para isso ao longo dos anos. Quem está em situação financeira caótica, como Cruzeiro, Botafogo, Fluminense, Vasco, Santos, só para citar alguns, está vivendo o pior dos mundos, pois não tem receitas correntes e os custos são brutais. Então, quem está financeiramente pior, deve temer mais e também se aplicar mais na busca de soluções”, argumenta Somoggi.
Cuidado
Ele acredita que nem quem tem maior poderio financeiro está imune à crise. Vide o caso do Barcelona, que está amargando prejuízo de cerca de 30 milhões de euros (R$ 180 milhões) por mês com a paralisação das competições. “O orçamento do Barcelona é de 900 milhões de euros, mas sabe que precisa trabalhar para sobreviver. E os daqui do Brasil parecem estar esperando ajuda. Por ter estrutura e preparação técnica e de marketing melhor, (os gigantes europeus) tendem a sair da crise muito mais facilmente que nós.”

Não há previsão de quando as competições serão retomadas, sendo que em alguns casos já está decidido que elas não voltam. É o caso do Campeonato Belga, cujo título foi dado ao Brugges, time que liderava a competição quando da paralisação.

Já há também eventos postergados para o ano que vem. É o caso da Eurocopa e da Copa América, assim como eventos de outros esportes, como os Jogos Olímpicos e o mais tradicional torneio de tênis do mundo, Wimbledon.

Infantino diz não saber quando futebol será retomado
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, admitiu ontem que ninguém pode determinar quando o futebol poderá ser retomado devido à pandemia do novo coronavírus. “Todos nós gostaríamos de ter futebol amanhã, mas infelizmente isso não é possível e ninguém no mundo sabe quando poderemos jogar como antes”, disse o chefe da Fifa. Em uma teleconferência durante o 72º Congresso da Conmebol, ele falou sobre a crise global da saúde devido à COVID-19, que forçou a suspensão de torneios de futebol em quase todo o mundo. “Se o futebol pode dar uma lição de vida, é esta. Na Fifa, colocamos a saúde em primeiro lugar. Nosso mundo e nosso esporte serão diferentes quando voltarmos ao normal. Temos que garantir que o futebol sobreviva e que possa prosperar mais uma vez”, observou.


Fonte: Super Esportes

Foto: Elsa/AFP

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