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04/01/2021 às 09:13h

Mercedes anuncia o encerramento da produção de automóveis no Brasil

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O anúncio oficial distribuído no começo da tarde desta quinta-feira (17) comunicando o encerramento das operações da fábrica de automóveis da alemã Mercedes-Benz, em Iracemápolis, interior de São Paulo, não foi de todo uma surpresa. Sem investimentos de grande monta na linha de produção nos últimos anos e apenas com dois modelos sendo ali montados, o sedã Classe C e o SUV GLA, este último já renovado na Europa, mais cedo ou mais tarde esta decisão aconteceria. A planta emprega 370 colaboradores que deverão ser dispensados através de um programa de demissão voluntária. A marca da estrela de três pontas vem perdendo espaço no mercado de veículos Premium e recentemente perdeu a vice-liderança para a sueca Volvo. 

Segunda vez

Esta não é a primeira que os alemães desistem de montar automóveis de passeio no Brasil, no já distante ano de 2005 foi a vez da fábrica de Juiz de Fora, em Minas Gerais, deixar de fabricar o compacto Classe A, modelo que resultou em um grande fracasso na história da Mercedes. Projetada para produzir cerca de 70 mil unidades por ano, esta unidade na zona da mata mineira iniciou suas atividades fabris em 1999 e ao longo de seis anos apenas 63 mil deixaram a linha de montagem. Graças aos muitos incentivos fiscais a fábrica não foi fechada e a empresa sempre procurou alternativas para seguir mantendo os empregos.

Mudanças

No começo do ano passado a Mercedes-Benz passou por uma grande reestruturação e o bolo foi fatiado em três pedaços. O primeiro para os carros e vans, o segundo para ônibus e caminhões e o ultimo como o braço financeiro de aporte para as operações. A fábrica de Iracemápolis foi construída em uma época onde o setor recebeu incentivos fiscais e tributários, na mesma época duas outras marcas alemãs, a Audi e a BMW também investiram e passaram a montar alguns de seus sofisticados produtos em solo brasileiro. A Audi compartilha sua planta no Paraná com a Volkswagen e de lá saia dois modelos já descontinuados no Brasil, o sedan A3 (que deverá vir importado da Alemanha no ano que vem) e o SUV Q3, que ganhou nova geração e já é vendido, importado, em nosso marcado. 

Pandemia 

A fábrica paulista de automóveis da Mercedes-Benz teve um curto período de produção, foi  foi inaugurada em março de 2016 com investimento de cerca de R$ 600 milhões, a perspectiva era gerar 750 postos de trabalho, o que nunca aconteceu.  O utilitário esportivo GLA foi o primeiro modelo a ser fabricado no Brasil. “A situação econômica no Brasil tem sido difícil por muitos anos e se agravou devido à pandemia da Covid-19, causando uma queda significativa nas vendas de automóveis Premium. Por isso, decidimos encerrar a produção de automóveis Premium no Brasil. Nosso primeiro objetivo agora é encontrar uma solução sustentável para os colaboradores dessa unidade”, declarou Jörg Burzer, membro do Board da Mercedes-Benz AG, Produção e Cadeia de Suprimentos.

Um sonho que virou pesadelo

“Você de Mercedes”. Poucos se lembrarão da frase que anunciava a chegada da Classe A ao Brasil, no já distante ano de 1999. Aquela que seria a grande oportunidade do consumidor brasileiro de ter acesso a um produto fabricado por uma das marcas de automóveis mais desejadas no mundo, definitivamente não deu certo. Por uma série de razões que não cabe aqui, agora, relembrar. Mas no Brasil a carreira do monovolume não decolou e sua fabricação foi encerrada em 2005, com pouco mais de 60 mil unidades vendidas em todo este período. Controversa muito mais pelo do que já deixou de fazer do que por que fez, a planta que os alemães construíram na “Manchester mineira” ocupou, talvez, quase a mesma centimetragem na mídia do que muitos fabricantes brasileiros, com grande linha de produto em oferta e por aqui estruturados há décadas.

Uma solução que chegou para contribuir com o desenvolvimento da região, ser a segunda grande fábrica de automóveis de Minas Gerais, mas que no meio do caminho acabando se tornando um grande imbróglio político e social. Automóvel de saudosa memória, tanto por suas qualidades construtivas como pelo pacote “Standard” (de série) de equipamentos de segurança que ofereceu a seus consumidores, durante os poucos anos que esteve em produção. 

Status

O fim da Classe A nacional sepultou o sonho do brasileiro de médio poder aquisitivo ter uma Mercedes em casa. O monovolume compacto foi um dos lançamentos mais aguardados pelo consumidor brasileiro, tanto pelo inegável prestígio do fabricante como pela estreia da marca na produção de uma linha de automóveis no Brasil. Com efeito, pois a estrela da Mercedes era e é um ícone de qualidade, constituindo um anseio geral, com reflexo - de certa forma - na posição sócio econômica de seu proprietário, que o exibe, agregando status, como um vistoso cartão de visitas. 

Para terminar, é importante lembrar que na ocasião, estando o valor do real par-a-par com o dólar, era geral a expectativa de que o carro custaria entre 30 a 35 mil reais, faixa apenas um pouco acima de nossos carros compactos, possibilitando-o tornar uma realidade o sonho de consumo de uma boa faixa de mercado. Mas o carro chegou a reboque de uma maxidesvalorização da moeda nacional e seu preço ultrapassou em muito às expectativas. Isso sem contar que seu estilo marcava a época a estreia dos carros monovolumes. O anúncio do fechamento da fábrica de Iracemápolis (SP) coloca o país ainda mais distante do mundo dos automóveis Premium com o selo “made in Brazil”.

Fonte: O Tempo

Foto: Divulgação

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