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24/07/2015

Taxistas fazem manifestação contra o aplicativo Uber

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RIO - Os motoristas que trafegam pelo Rio, na manhã desta sexta-feira, precisam de uma dose extra de paciência. Uma manifestação de taxistas contra o aplicativo Uber, que começou no fim da madrugada, fechou a pista sentido Centro do Aterro do Flamengo, onde cerca de mil manifestantes estão concentrados próximo ao Monumento aos Pracinhas. Comboios de táxis estão saindo desde o fim da madrugada de cinco pontos da cidade: Ilha, Barra, Gávea, Realendo e Del Castilho.Em resposta, o Uber anunciou corridas grátis nesta sexta-feira.

Um plano operacional foi montado pela Secretaria municipal de Transportes e pela CET-Rio para evitar transtornos no trânsito. O Aterro permanecerá interditado até o término da manifestação, previsto para o meio-dia. Agentes da Guarda Municipal e operadores da CET-Rio conduzirão os comboios de táxis numa tentativa de organizar o trânsito.

Na Avenida Presidente Vargas, os taxistas fecharam pelo menos duas faixas no sentido Candelária, na altura do Terreirão do Samba. Houve um princípio de tumulto, na altura da Rua do Santana, porque um grupo grande de manifestantes decidiu não seguir o carro de som e parou na via. Os guardas municipais tentaram impedi-los e houve bate-boca e ameaça de multas aos motoristas que estivessem parados. O grupo estava reclamando dos ocupantes do carro de som, que alegavam que os veículos estavam avançando muito rapidamente. Eles queriam ter parado em frente à prefeitura para fazer um ato de repudio, mas o carro de som não parou, e seguiu em frente.Apesar do grupo não está ocupando a Avenida Presidente Vargas, o trânsito é lento a partir do Trevo das Forças Armadas.

Motoristas presos no trânsito se dividem nas opiniões sobre a manifestação. Um médico preso no tráfego da Avenida Presidente Vargas chegou a descer do táxis que ocupava para esbravejar aos ocupantes do carro de som.

— Eu tenho hora. Sou médico. Tenho hora — gritou.

O contador Antônio da Mota, parado no trânsito em frente à prefeitura, estava tentando acessar a faixa reversível e ficou preso na fila de táxis. Com bom humor ele disse:

— Eles são profissionais e pagam impostos. O trânsito está ruim, mas acho justa a manifestação.

Por volta das 8h40m, taxistas também fechavam a Avenida República do Paraguai, que cruza a Avenida Chile, em frente à Catedral Metropolitana. Um pequeno grupo parou e soltou alguns cabeções-de-nego. A via já foi liberada.

Cerca de cem taxistas que se concentraram na Praia de São Bento, na Ilha do Governador, saíram em carreata por volta das 6h15m pela Estrada do Galeão. Orientados por locutores de cima de um caminhão de som, eles usaram duas faixas da Linha Vermelha para acessarem a Avenida Brasil. Na via expressa, eles se uniram a um grupo de centenas de outros taxistas vindos de Realengo. A carreata gerou impactos no trânsito, que teve pontos de retenção desde de Realengo, Jardim Amérca, Irajá, Bonsucesso e na chegada ao Caju.

Por volta das 8h eles chegaram à Avenida Francisco Bicalho, onde promoveram um buzinaço. Alguns ainda desceram dos carros para comemorar a manifestação. Próximo ao viaduto da linha férrea, guardas municipais fazem um desvio para que os táxis ocupem apenas a faixa da esquerda da pista. Os reflexos afetaram a Ponte Rio-Niterói, que registrou lentidão desde a descida do Vão Central até a saída para Avenida Brasil. De acordo com a Ecoponte, concessionária responsável pela via, o tempo de travessia chegou a 32 minutos.

Pela Zona Sul, outra carreata seguiu da Avenida Venceslau Brás até o Aterro. Esse mesmo grupo passou bloqueando duas faixas das avenidas Princesa Isabel, sentido Botafogo; Vieira Souto, em Ipanema; e Atlântica, em Copacabana. Eles se concentraram na Barra e Gávea. No momento da manifestação, o trânsito apresentou retenções, melhorando após a passagem dos taxistas.

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São esperados pelo menos três mil taxistas no Aterro do Flamengo ao longo do dia, inclusive 200 taxistas que virão de Guarulhos, 70 de Belo Horizonte, e dois de Curitiba. Após dirigir 900 quilômetros até o Rio, o presidente da União dos Taxistas de Curitiba (UTC), Nilson Silva, afirma que os taxistas sofrem concorrência desleal:

- Estamos aqui em defesa de uma classe que está sendo massacrada pela concorrência desleal de piratas. Uma categoria que acorda de madrugada para trabalhar e volta para casa tarde só para servir à população. Em Curitiba já temos 100 clandestinos que se cadastraram no Uber. Não vamos permitir isso.

Mais cedo houve um princípio tumulto no Aterro quando agentes de trânsito da prefeitura pediram para que os taxistas colocassem os veículos estacionados no canto da rua, deixando o meio da via livre. Eles não aceitaram e ocupam três faixas. Apenas uma faixa da via está liberada. Houve gritaria, mas os ânimos acalmaram com a chegada de policiais militares. Ao todo, dois carros do Choque, três carros do 2º BPM (Botafogo) e seis motos fazem a segurança no local.

O presidente do Conselho Regional dos taxistas do Estado do Rio, José Marcos Bezerra, afirmou que os taxistas vão receber autoridades para uma reunião no Aterro. Estarão presentes, segundo Bezerra, o secretário de Governo, Pedro Paulo Carvalho; o presidente da Câmara, Jorge Felippe; e os deputados estaduais Jorge Felippe Neto e o vice-presidente da comissão de transportes da Alerj, Dionísio Lins. Estes dois últimos deputados já apresentaram projetos na Alerj com o objetivo de proibir o aplicativo Uber.

— A manifestação tem como alvo todos os tipos de transporte considerados pela categoria piratas, principalmente o aplicativo Uber — disse Bezerra.

A categoria reivindica uma ação do poder público contra os transportes clandestinos em geral e, em especial, contra o aplicativo Uber (pelo qual se pode contratar, online, o serviço de “carona” de proprietários de bons carros, por um preço semelhante ao das tarifas dos táxis). De acordo com o líder da Associação de Assistência aos Motoristas de Táxi do Brasil, André de Oliveira, a categoria não aceita tal opção de transporte.

— Não podemos admitir amadores fazendo um serviço que deve ser prestado por profissionais — ressaltou, acrescentando que, às 14h desta sexta-feira, os táxis voltarão a circular normalmente.

O taxista Cândido Bezerra, um dos manifestantes, afirmou que o aplicativo Uber promove uma concorrência desleal com os táxis regulares.

— A gente tem que chamar a atenção das pessoas de que eles não passam por vistorias, eles não pagam impostos e não há garantia nenhuma para os passageiros. Nós não podemos permitir a criação de um sistema de transporte ilegal e imoral com este. Exigimos que esse aplicativo seja combatido pelas autoridades — disse.

Flavio Simões, de 34 anos, um dos líderes do movimento anti-aplicativo de Belo Horizonte, participa da manifestação desta sexta-feira no Rio. Ele é um dos locutores que está no carro de som dos motoristas que se concentraram na Ilha do Governador. Na opinião dele, a manifestação do Rio é a maior que já viu em todo o país.

ALTERNATIVAS NO TRÂNSITO

Por conta da interdição no Aterro do Flamengo, o motorista que sair da Zona Sul em direção ao Centro do Rio deve evitar suas pistas. A opção é seguir pela Praia do Flamengo, que receberá um fluxo maior de veículos. De acordo com o diretor de operações da CET-Rio, Joaquim Dinis, a recomendação é evitar as vias do Centro da cidade e utilizar o transporte público.

Segundo Dinis, em várias reuniões com os organizadores do protesto nesta quinta-feira, houve negociações para minimizar os impactos, já que a expectativa era seguir até o Sambódromo, e após um acordo eles decidiram o Aterro. A expectativa é que 3 mil motoristas participem do protesto.

— Desde que eles cumpram todo o acordo que foi combinado ontem nas reuniões, nós vamos acompanhar. Vamos ter problemas? Vamos! Primeiro pela quantidade de táxis indo para o mesmo lugar e pelo Aterro estar fechado — disse o diretor de operações da CET-Rio.

Fonte: O Globo

 

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