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27/03/2020 às 08:06h

Páscoa menos doce: com a Covid-19, comércio prevê retração nas vendas de ovos de chocolate e peixes

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A pandemia do novo coronavírus (Covid-19) já amargou a Páscoa do comércio e da indústria de Belo Horizonte especializados em chocolates e peixes. A projeção de queda nas vendas é um contraponto ao elevado estoque, pois fabricantes e lojistas se prepararam para a data, que este ano será em 12 de abril.

A crise chegou com força na quase centenária Lalka, que tem uma fábrica no bairro Floresta, região Leste, e quatro lojas espalhadas por Belo Horizonte. Fundada há 95 anos, a empresa concedeu férias a todos os colaboradores. Apenas os sócios tentam amenizar as perdas por meio de vendas on-line.

“Em meus 62 anos de idade, é a primeira vez que a linha de produção é paralisada. Estamos oferecendo as mercadorias pelas redes sociais. A queda nas vendas será muito maior que 50%. Tenho esperança, contudo, que as coisas melhorem a partir da próxima semana. Do contrário...”, lamentou Roberto Grochowski, um dos proprietários da marca.

Assim como ele, a empreendedora Camila Garcia também amarga prejuízo. “A indústria vende para nós à vista, no dinheiro ou no débito. Desta forma, comprei um estoque grande de chocolate e embalagens. Os pedidos estão fracos e estou trabalhando pelas redes sociais para amenizar a queda. Não sei se conseguirei vender metade do que comprei”.

O lamento também se deve às perdas com as festas para as quais ela forneceria chocolate. “Quatro foram canceladas este mês. Para abril, há duas, mas não sei mais se ocorrerão”.

A crise também chegou às peixarias, que têm na Sexta-feira da Paixão e na própria Páscoa boas saídas de produtos como o bacalhau. Os pedidos junto aos fornecedores estão suspensos até segunda ordem.

Dono da Cia do Mar, Felipe Campelo conta que havia projetado um faturamento de 10% a 20% acima do registrado em 2019. “Mas isso foi antes da pandemia chegar no Brasil. Já não sei mais o que vamos fazer. Fiz um pouco de estoque e planejei mais pedidos no início de abril. Decidi ir (entrar no período da Páscoa) com o que tenho hoje. Só se as coisas melhorarem que irei fazer mais pedidos”.

Cerimônias religiosas serão realizadas sem a presença de fiéis

A disseminação da Covid-19 já começa a afetar também tradições religiosas em Minas. Neste ano, o período entre o Domingo de Ramos (5 de abril) e o de Páscoa (12 de abril) será completamente diferente em Belo Horizonte e no interior do Estado. Missas continuarão sendo realizadas, conforme orientação do Vaticano, mas sem a presença dos fiéis. Até mesmo um ritual secular realizado em São João del Rei teve que ser suspenso. 

A Arquidiocese de Mariana, que abrange diversas cidades históricas, como Ouro Preto e Congonhas, publicou ontem um comunicado determinando a suspensão de todos os atos externos típicos da Semana Santa, como procissões, encenações e atos devocionais. A Festa de Exaltação da Cruz foi transferida para o dia 14 de setembro.

Dessa forma, moradores de Ouro Preto e turistas não poderão participar de procissões, vias-sacras, nem montar os tradicionais tapetes de serragem, de acordo com recomendação da Arquidiocese de Mariana. No Domingo de Ramos e nos outros dias da Semana Santa, os sacerdotes terão de celebrar a missa sem a presença fiéis, podendo fazer transmissões on-line. Para a Quinta-feira Santa, o tradicional rito de lava-pés deve ser evitado.

A Arquidiocese de Diamantina também suspendeu, até 12 de abril, as atividades paroquiais que promovem a aglomeração de fiéis, como festas, procissões, via-sacras, terços, novenas, missas, batismos e matrimônios – entre outra atividades– nas comunidades urbanas e rurais. As missas da Semana Santa serão realizadas com um número mínimo de fiéis adultos. 

São João del Rei
Em São João del Rei, tradição de três séculos não poderá ser realizada neste ano – possivelmente, pela primeira vez. O Ofício de Trevas, cerimônia em latim dividida entre Quarta-feira Santa, Sexta-feira Santa e Sábado, teve de ser cancelado, assim como procissões e eventos externos.

Esse ritual era realizado em alguns lugares do mundo, mas deixou de ser feito em praticamente todas as igrejas após o Concílio Vaticano II, em 1961. Foi preservado em São João del Rei, cidade que mantém uma forte tradição católica. Vale lembrar que os sinos, tão marcantes no município, não são tocados entre Domingo de Ramos e o Sábado de Aleluia. 

Os ritos litúrgicos da Semana Santa serão realizados internamente nas igrejas de São João del Rei pelos sacerdotes, sem presença dos fiéis, e as cerimônias serão transmitidas pela internet.

Sexta-feira da Paixão será sem beijos à cruz e a imagens

 Arquidiocese de Belo Horizonte prevê a realização de celebrações com um pequeno público dentro das igrejas durante alguns dias da Semana Santa, conforme comunicado assinado pelo arcebispo Dom Walmor Oliveira de Azevedo. As regras são válidas para a capital mineira e para cidades onde há forte tradição cultural nessa época, como Sabará e o Santuário de Nossa Senhora da Piedade, em Caeté.

O texto prevê que o Tríduo Pascal (as importantes celebrações entre a Quinta-feira Santa e a Páscoa) seja realizado por poucas pessoas, “bem distanciadas umas das outras na igreja, a mais ou menos um metro e meio, o que vale também para a disposição das pessoas no presbitério e no local da equipe de canto”.
Na Missa da Ceia do Senhor, celebrada na Quinta-feira Santa, não haverá o rito do lava-pés. Na Sexta-feira Santa, fiéis e sacerdotes não poderão beijar a cruz e outras imagens de devoção.

Para a Vigília Pascal, do Sábado de Aleluia, recomenda-se às famílias que acendam o “círio” (uma vela mais grossa), após meditação e leitura de passagens bíblicas. Muitas celebrações serão transmitidas por diferentes meios de comunicação (internet, rádio, TV Horizonte). Procissões, sermões, dramatizações da Paixão e via-sacras estão suspensas neste período.

De acordo com o padre Jorge Alves Filho, da Paróquia Santa Clara de Assis, no bairro Buritis, a Semana Santa continua sendo um marco para a espiritualidade dos cristãos católicos, mesmo que as portas das igrejas estejam fechadas ou celebrações tenham sido suspensas.

“Cada fiel com a oração em família, a oração individual, o rosário de Nossa Senhora e a prática das devoções pessoais poderá estar em sintonia com a sua paróquia”, afirmou o padre.

Para ele, o isolamento imposto pela pandemia do novo coronavírus é uma oportunidade para que os fiéis possam refletir sobre os muitos momentos em que não foi priorizada a convivência familiar. “Sairemos mais espiritualizados após vivenciarmos esse momento, que é propício para nos voltarmos mais a Deus”.

Fonte: Hoje em Dia

Foto: Divulgação

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