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04/10/2021 às 16:00h

As lições da Mãe Natureza

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Não nos é estranho olhar para um horizonte de montanhas, planícies, espaços áridos, mares, etc. e chamar aquele bioma de “Mãe Natureza”. A origem da expressão deve-se ao fato de ser a Natureza nossa geradora, criadora, mantenedora de nossos recursos.

Uma mãe como tivemos na infância, para nos dar um “corretivo” conversava, falava mais alto ou até mesmo a palmadinha que tinha mais efeito moral que físico. Certo que reprovo qualquer tipo de educação à base de violência física ou psicológica.

Mas a Mãe Natureza também nos dá seus puxões de orelha quando fazemos algo errado. E parece que não estávamos cuidando muito bem e nossa higiene pessoal e coletiva (cidades sem infraestrutura de esgoto), e nos deu um corretivo com a peste bubônica (século XIV). E a gripe espanhola no início do século XX. Para citar apenas dois exemplos do passado.

Agora parece-me que ela nos deu algumas lições com a pandemia de covid-19. Penso que ela queria que tivéssemos novos hábitos e mais cuidado com alguns vícios que cometíamos. Estávamos distanciado de pessoas com as quais vivíamos juntos. Assim sendo o recolhimento social nos obrigou a ficar em casa com aqueles que somente víamos esporadicamente. Assim sendo, pais acompanharam filhos nos estudos, adolescentes tiveram tempo para conversar com os eles. Os hábitos familiares foram compartilhados.

De outro lado, com os parentes e amigos que moravam noutros lugares, e não podíamos ir visitar, nos despertou o amor e a vontade de estar perto. A saudade de nossos avós e outros parentes que residiam até mesmo em cidades distantes. Amigos dos quais ficamos sem ver. Os colegas de escola sejamos nós professores, alunos, pessoal administrativo e todos os demais. O sentimento de distanciamento foi muito ruim. Aprendemos que estar juntos é muito bom. E neste mesmo sentido lembro a saudade de filhos querendo ver seu pai ou mãe por estarem seus genitores separados.

Também aprendemos novas tecnologias: aulas, reuniões, encontros e trabalho na forma virtual. Descobrimos que mesmo em casa podemos produzir tanto quanto ou mais que no ambiente de trabalho. Sempre compreendi que alguns ambientes de trabalho são fruto dos malefícios da revolução industrial que obrigava os trabalhadores a ficarem praticamente presos nas fábricas e escritórios. Não precisamos ficar mecanicamente condicionados a acordar, tomar um café e dirigirmos ao trabalho para ficar sob a supervisão de um chefe que mais atuava como um feitor dos tempos da escravidão. Com isto aprendemos a controlar nosso tempo trabalhando conforme a demanda da empresa, sem perder a qualidade do serviço e a quantidade da produção.

Com esta virtualização ficamos sabendo que não precisamos ficar viajando a trabalho. Quantas pessoas viajavam grandes distâncias para mostrar seus produtos ou para fazer reuniões que no mais das vezes nem eram tão produtivas. Com um programinha de computador ou um aplicativo de celular evitamos os riscos do trânsito e gastos com hotéis, combustíveis e alimentação, dentre outros. Ficando em casa, e mais uma vez aproveitamos nossas famílias. E assim uma grande descoberta: precisamos viajar mais para passear pelas belas paisagens do Brasil, que para estressar com viagens em estradas perigosas, voos intermináveis (e caros) e perda de tempo quando poderíamos estar nos dedicando a outras coisas mais importantes.

Com isto a poluição diminuiu muito! Menos veículos e menos emissão de gases de queima de combustíveis. As cidades agradeceram.

Passamos a nos comunicar mais coletivamente no virtual. Aplicativos de vídeo onde expusemos nossos dons de comunicação. Seja através de transmissões ao vivo seja por postagens passageiras. Seja por comédia ou assuntos sérios. Vimos que mesmo no mundo virtual não podemos falar o que queremos e devemos respeitar as pessoas. A educação virtual foi muito importante. Vimos também muitas coisas divertidas. Pessoas com o dom de fazer brincadeiras para deixar nossa vida mais alegre. Também profissionais que dividiram conosco seus saberes com dicas e conselhos muito bons.

Muita coisa a Mãe Natureza nos ensinou com esta pandemia. Além destas que indiquei acima, uma muito me chamou a atenção: o pijama. Sim, em casa pouco de nós ficamos com paletós apertados, cintos espremendo a barriquinha de chopp, calças modelando uma ou outra gordurinha excedente, sapatos apertados e caros para mostrar nosso poder aquisitivo. Paramos de ficar exibindo as etiquetas de grifes caras. Assim sendo descobrimos que a mais simples vestimenta é a mais gostosa de estar com ela. O pijama é leve, nos veste confortavelmente. As roupas formais de trabalho geralmente devem obedecer um padrão de beleza para que visualmente sejamos agradáveis aos olhos – injustamente ou muito rigorosamente – exigentes de uma sociedade capitalista que não nos quer ver usando a mesma peça de roupa duas vezes. Não precisamos estar com grandes marcas de vestuário para estar bem, e o conforto mais aconchegante está no pijaminha puído e velhinho. Uma lição de simplicidade.

Tomara que agora, na chamada retomada para o “novo normal” não esqueçamos destas e outras lições. E que não obriguemos a Mamãe Natureza a nos dar novas lições. Especialmente na questão ambiental que estamos muito desobedientes com as necessidades dela.

Ronaldo Galvão


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