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14/06/2022 às 20:27h

O que fazer numa universidade?

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Sempre foi comum em tempos passados que uma pessoa que pretendesse fazer um curso universitário escolhesse entre os cursos de Administração ou Direito como opção. Aleatoriamente, cursos como Nutrição, Medicina, Oceanografia, Engenharias, Moda, Fisioterapia, etc. não se incluíam dentre as opções de alguém que, simplesmente, pretendia ter um grau acadêmico superior. Fazia-se um curso superior, no mais das vezes por uma certa pressão social que obrigava ter este grau acadêmico.

O Direito era geralmente escolhido pelo caráter mais popular e tradicional. Um curso que o mito popular cunhou que apenas precisamos ler muito para concluir. O de Administração por ter uma íntima relação com as finanças de quem mais dedicar-se-ia ao trabalho que a academia científica. Ao menos constata-se que a média do cidadão comum assim pensava. Parece uma injustiça com estes dois cursos mas algumas estatísticas demonstram esta prática.

Entretanto, num grande esforço, as universidades tem procurado desvencilhar da metodologia de ensino arcaica que por séculos vinham sendo praticadas. Passaram a adotar um formato de aulas diferenciadas e passou a exigir uma maior performance e esforço do aluno.

Quem pretende ir a uma universidade deve estar preparado para aulas onde o conteúdo é exposto de forma com que a pesquisa (busca ativa) é um estimulo do professor e uma obrigação de desempenho do aluno. O ensino onde o professor ditava conceitos prontos, “passava matéria no quadro”, de alunos que decoravam longos trechos de autores famosos acabou. Estes conteúdos estão facilmente acessíveis num toque do celular. Quando digo um toque é um toque mesmo quando muito dois, já que o google tem a competência de preencher automaticamente as palavras conforme os hábitos já registrados pelo usuário.

Agora o professor tem o papel de orientar o aprendizado do aluno. Caberá ao universitário perguntar, investigar, exercitar a curiosidade; e ao professor encaminhá-lo para meios e modos que facilitem os encontros do acadêmico com fontes confiáveis onde estará o conhecimento e os saberes necessários. Isto se dará de várias formas que vem sendo desenvolvidas (chamadas metodologias ativas) para o desenvolvimento das competências e habilidades do aluno naquele nicho de conhecimento que escolheu. Fica o alerta que o saber não ficará restrito a um curso ou disciplina: deve ser multidisciplinar (uma disciplina do curso se comunicando com outra) e ainda transversal (absorvendo conhecimentos de outros ramos do saber).

Vale dizer: o aluno chegará em uma sala de aula e encontrará um professor que vai apresentar um tema (geralmente atualidades) e encaminhará o debate iniciado entre os alunos para que eles mesmos se deparem com os conceitos em suas buscas espontaneamente efetuadas. O professor vai encontrar alunos com os rostos iluminados pelas telas de seus celulares teclando vigorosamente e encontrando milhares de informações. O professor encaminha uma fonte e o aluno, lá encontrará os conceitos e de forma crítica apresentará ao professor.

Nesta sala de aula o professor dará exemplos, exporá suas experiências vividas na prática, e o aluno, geralmente nas bibliotecas virtuais oferecidas, encontrará os fundamentos teóricos para aquelas experiências.

Assim sendo prepara-se o acadêmico para a vida prática e não para a reprodução (que ante parecia da declamação de poesias) de conceitos teóricos decorados que seriam esquecidos minutos após as avaliações / provas. No curso de Direito já possuímos uma disciplina que recebe o nome de “vida e carreira”, “prática reproduzida”, ou outros nomes conforme a instituição, mas cujo objetivo é dar um saber aplicado no mundo da vida. No Direito que antigamente, uma das disciplinas mais importantes era o “processo” (civil, penal, trabalhista, etc.), agora tem os “meios adequados de resolução de conflitos” como ponto central do aprendizado. Aquele advogado que antes era um leão de bravura, agora se torna um pacificador social, resolvendo das demandas de forma humanizada e menos traumática para as partes processuais. O aluno deve se preocupar com a harmonia na sociedade onde está inserido.

Na faculdade o aluno assume um papel pouco visto antes: o de protagonista no processo de absorção do conhecimento e saberes acadêmicos e práticos. E o professor se transforma num apoio neste percurso do ativo acadêmico.

Não mais encontramos (ao menos não é desejado) salas de aula onde somente a voz do professor se faz ouvir. Os encontros são mais ruidosos, as universidades estão cheias do som das vozes dos alunos debatendo temas levados pelo professor que agora é um observador / condutor destes argumentos. Inverteu-se o papel passivo do aluno e ativo do professor. O aluno toma o pincel e vai para o quadro esquematizar suas contribuições. O professor apenas orienta um melhor e mais completo conceito cientifico pesquisado pelo aluno. O aluno pergunta, investiga e é inquieto na pesquisa, e o professor auxilia na organização destes materiais colecionados pelo aluno e demonstra como isto pode ser aplicado no mundo da vida profissional.

O que fazer numa universidade? Fazendo uso de uma metáfora posso dizer que o professor deverá ter uma bagagem prática e teórica para estas orientações e o aluno suar a camisa no intenso trabalho investigativo na pesquisa ativa que terá de fazer. A faculdade é local onde se esforça, trabalha intensamente. E não termina ali aquela sala de aula, vai para casa onde deve dedicar-se a estudos e a aprofundamentos.

Na universidade não mais tem lugar para professores que exclusivamente possuem conteúdo para desaguar sobre os alunos. Não se concebe a figura de alunos que se assemelham a baldes vazios onde somente se derrama conceitos prontos e acabados de forma passiva.

A universidade mudou. Exige-se dedicação e esforço. Não dá mais para dizer que vai fazer um curso apenas para colecionar diploma. Devem estar preparados para encarar de forma séria e com dedicação ativa tanto no ambiente acadêmico quando nos estudos que há de fazer fora dos muros da instituição.

Por Ronaldo Galvão

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