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05/05/2020 às 13:39h

Identidade capítulo 3

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Depois eu soube de Kaká Werá Jecupé. Ele foi educado em missões jesuítas, seu povo se perdeu, morreu, não havia referências de sua cultura. Aos 15 anos ele começou a se questionar: Quem sou eu? Procurou povos indígenas de outras etnias e foi iniciado na Tradição do Sonho, do Sol e da Lua. Então se descobriu índio e estudou sua cosmologia, tomou conhecimento do saber de seu povo e hoje dá palestras e workshop para quem queira conhecer a sabedoria de seus antepassados. Entre os povos indígenas a memória cultural é transmitida pelos mais velhos. Eles sabem os costumes, são os guardiões das tradições. A memória cultural se baseia no ensinamento oral da tradição – essa é a forma mais antiga de educação. O narrador de história leva o ensinamento da cultura ancestral às novas gerações. Ele sabe os cantos de cultivar a terra, os cantos da colheita, os do nascimento e da morte. Sabe os passos das danças usadas em cada ocasião, as pinturas ou máscaras usadas em cada ocasião. Os mais velhos são os guardiões das tradições que transmitem ao narrar.

É conhecida a frase: “Na África, quando um velho morre, é uma biblioteca que queima”.

A UNESCO trabalhou muito nos anos 60 e 70 para resgatar as tradições orais africanas, fontes autênticas do conhecimento e consideradas parte do patrimônio cultural da humanidade. Os povos antigos, que não tinham escrita transmitiam seus conhecimentos através da fala. Os relatos orais se mantêm pela tradição. É uma força poderosa que transmite informações oralmente através das gerações. São receitas culinárias com detalhes baseados na experiência de uma bisavó e que tem seu sabor próprio. É um chá, um emplastro contra a gripe, o uso do alho para curar dor de dentes, banhos de assento com linhaça contra constipação, escalda pés e tantos conhecimentos sobre plantas, simpatias e procedimentos cuja origem se perde no tempo, mas que chegam a nós pela palavra de um familiar mais velho, que ouviu e praticou ensinado por outro ancestral. A origem se perde no tempo. A palavra permite que as pessoas se encontrem. É aquela reunião na varanda ou ao redor do fogão a lenha quando as pessoas falam do seu dia, de sua vida, de suas lembranças, do dito do avô, do caso da onça pintada que assustou o cavalo do avô numa viagem noturna pelo sertão, é o tamanduá bandeira que apareceu no terreiro assustando as crianças. E assim, nessa roda de conversa fácil e relaxada é que a história da família é revelada aos mais jovens assim como os ensinamentos tirados das experiências dos ancestrais, as crenças e os comportamentos que caracterizam um povo.

Ligar o elo entre as gerações, o elo com a origem, deixa a pessoa mais completa.

A História transmite os fatos e valores considerados relevantes pela sociedade e dignos de serem transmitidos às novas gerações. Justificam as guerras e as dominações, a conquista territorial, a revolução e a contra-revolução, o domínio de uma classe ou de uma raça sobre outra. Para os políticos a História é uma fonte de símbolos em que eles se apóiam. Aí estão vitórias, heróis, mártires, valores. É através da História que as pessoas procuram compreender as guerras e revoluções, as mudanças que ocorrem em suas vidas, o advento da tecnologia, mudanças de atitude, migração para outras comunidades ou outros países.

( continua )


Por Ângela Xavier


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