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14/02/2022 às 15:57h

Seis perguntas para o artista o Michel Salazar.

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Michel Salazar é artista plástico, ilustrador, diagramador de livros e peças publicitárias, pessoa talentosa e sensível. Tem uma produção artística diversificada e bem executada, sobretudo, suas obras sacras. Suas páginas nas redes sociais são cheias de conteúdos notáveis. Caminhar por seu ateliê e sua casa e ver suas obras em fase de construção é fascinante. Veja a entrevista que ele concedeu exclusivamente para esta coluna.

JRP: Como é seu processo de planejamento para começar a pintar um quadro?

Michel: O processo começa por algo muito íntimo antes da técnica ser escolhida. O processo de construção do tema se baseia em algo que me marcou naquele momento, este tema, às vezes, é a parte mais demorada do processo criativo, pois a construção interna passa por várias etapas até a certeza de que aquela obra expresse, com clareza, algo para o público, seja ela emocional, política ou religiosa. Após a definição do tema há a criação do esboço, neste processo gosto de utilizar simbolismos sociais através da Gestalt ou psicanálise para reforçar alguma ideia ou conceito do tema. Finalizando o esboço, há a escolha da técnica a ser utilizada (pintura à óleo, acrílica, pastel, carvão, aquarela, etc). Não há limites de materiais a serem optados.

JRP: Dentro das artes plásticas você domina muitas técnicas e estilos. Como se deu esta descoberta?

Michel: Já nem me lembro bem, sempre fui uma criança muito tímida, mas bem arteira, sempre gostei de desenhar deste a pré-escola. Não tinha recursos como lápis de cor ou aquarela naquela época. Mas nunca deixei de desenhar em qualquer papel que via. Meu sonho, desde a infância, era pintar. Aos 13 anos ganhei como presente de meus pais um kit de pintura a óleo e aulas particulares com a mestre pintora de Pará de Minas, Maria Auxiliadora. Tive aulas com ela por 2 anos, e após a descoberta da técnica acabei me aperfeiçoando e nunca mais deixando de criar. Neste processo adquiri muito mais curiosidade pelas artes, buscando conhecer as técnicas da tinta acrílica, aquarela (umas das minhas paixões), giz pastel, carvão entre outros. Acredito que o meio que o artista se expressa não é importante seja esculturas, desenho, pinturas. Claro que conhecer como utilizar cada material é essencial, mas o resultado apresentado sendo fiel a concepção do artista é o mais importante.

JRP: Até que ponto sua patologia interferiu em sua arte?

Michel: Em 2017 enfrentei o primeiro câncer. Foi difícil estar naquela situação, mas acabei encontrando propósitos e caminhos esquecidos no passado. Após a cura, realize vários projetos, como, abrir uma galeria de artes em Pará de Minas, algumas exposições. Mas um outro tipo de câncer se instalou. Desta vez mais agressivo que o anterior, exigindo que eu parasse com todos os projetos em andamento e dedicasse a minha saúde; este segundo processo de cura foi mais doloroso. Neste período vi que a vida é surpreendente, devemos acreditar que podemos superar quaisquer adversidades da vida com bom humor e fé, e tudo isso acabou sendo um estopim criativo para criação de uma fase mais introspectiva, pautada em fé, religiosidade e esperança na vida. Temas como os santos, oratórios, paisagens, espiritualidade de todos as formas se tornaram mais recorrentes.

JRP: O mercado das artes foi um dos mais prejudicados pela pandemia de Covid-19. Com a retomada, ainda tímida, das atividades, você acredita que ele volte ao patamar que estava antes da pandemia?

Michel: Por um lado, a pandemia acabou com as exposições de arte que é um meio de divulgação essencial para os artistas, mas por outro vi uma crescente na compra de artes, pedidos por encomenda. O ano de 2021 foi um ano que as pessoas ficaram mais em casa e descorar o ambiente familiar se tornou prioridade para um convívio harmonizado. A casa se tornou um refúgio das mazelas sociais e doenças que assolaram nosso mundo. Acredito que a pandemia tenha trago esse olhar para as pessoas, de que bem-estar é essencial, e arte participa sempre deste momento.

JRP: Atualmente quem consome obras de arte? Quem é este público? E o que ele busca no ateliê de um artista?

Michel: Atualmente são públicos variados: arquitetos, matriarcas, até crianças e adolescentes, em geral são pessoas que gostem de arte, que busquem não só decorar, mas ter uma peça exclusiva e atemporal, passadas de geração a geração, obras com cor, emoção e fé... Hoje possuo obras vendidas por todo o Brasil, além de Portugal e Estados Unidos.

JRP: O que podemos esperar de seu trabalho em 2022?

Michel: Meu trabalho em 2022 terá uma mudança de movimento artístico tanto em técnica como em temática. Estou, já há alguns meses, planejando uma exposição de abertura na cidade de Pará de Minas para o primeiro semestre. Nela eu trate de homenagear o poder feminino, as emoções curadas nestes nossos tempos e a religiosidade africada. Outras exposições estarão acontecendo em janeiro/fevereiro em Belo Horizonte – Exposição Coletiva / Copo Lagoinha (Rua Esmeralda, 298 – Prado), uma homenagem ao copo mais famoso do Brasil. Exposição “O Grito”, Museu do Norte de Minas (Montes Claros – 07 de janeiro).

Agradeço o convite deste bate-papo José Roberto, hors concours como pesquisador, escritor e amigo. Caso queiram fazer contato ou ver as ilustrações de livros já realizadas e algumas pinturas e outras obras, fica aqui meu contato @msalazaroff (Instagram).

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Obrigado pela leitura e até a próxima entrevista.

Por José Roberto Pereira

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